segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Ba Game


Esse é um nome estranho, sim. Bem, mas para ser abordado aqui, pode-se concluir que está relacionado com futebol. Sim, é futebol, mas não é o futebol como o conhecemos, pra falar a verdade, é um "fóssil vivo", se assim podemos dizer. Trata-se de futebol medieval, que deu origem ao que conhecemos hoje. O futebol medieval é praticado em datas comemorativas, e e é praticado em algumas cidades, fundamentalmente no Reino Unido. Conseguimos informações sobre o Ba Game que é praticado por grande parte dos 8,686 habitantes da pacata cidade escocesa de Kirkwall.

Não se sabe ao certo a origem do jogo; alguns dizem que é herança da ocupação romana na Grã-Bretanha, já que os romanos praticavam um jogo com bola chamado Harpastum. Outros dizem que a pratica nasceu de uma sublevação popular, quando um rei tirano foi deposto e fugiu, mas foi caçado, e morto, por um líder popular, que cortou a cabeça do rei e a levou para o centro da cidade, mais especificamente, para a Igreja local. Do alto da Igreja, jogou a cabeça para a população, que enfurecida com o tirano, começou a chutá-la. E de lá pra cá, a tradição é repetida. Como já dissemos antes, não se sabe como isso nasceu, mas a versão atual da comemoração é praticada desde 1850.

Funciona da seguinte maneira; exatamente às 13:00, nas celebrações do Natal e do Ano Novo, um veterano joga a bola da parte mais alta do pátio da igreja, e a partir disso, os dois times, que possuem aproximadamente 200 jogadores, devem marcar os gols, ou melhor, o gol. Apenas um e a partida acaba, mas com tantos jogadores, não se consegue marcar o gol facilmente, e a partida acaba ao anoitecer.



E além da dificuldade inerente ao alto número de jogadores, há também o fato geográfico; as duas metas ficam nas regiões dos dois times. Um time é da Cidade Baixa, chamado de Doon-the-Gates, ou simplesmente Doonies, a região litorânea, dos pescadores, e da Cidade Alta, os Up-the-Gates, ou Uppies, o lado dos fazendeiros. Os dois times devem levar a bola para a meta do adversário a qualquer custo, seja com chutes, seja agarrando a bola. A partir disso, podemos concluir que é um esporte de intenso contato físico, e é, o que acaba tirando a tranquilidade dos membros da Cruz Vermelha local.



Acredita-se que vencer a disputa dá boa sorte; os pescadores pescarão muito e os agricultores colherão muito. Tanto é verdade que algumas cidades norueguesas telefonam para Kirkwall para saberem quem venceu a disputa, e ver quais serão os produtos de maior qualidade. O jogo é muito popular na cidade, tanto que conta com modalidade feminina e sub-16, com locais e horário próprios para a disputa.



A equipe (de um homem só) do Futebol Interiorano desejaria muito comemorar o Ano Novo à maneira dos habitantes de Kirkwall. Quando tivermos fundos pra fazê-lo, o faremos. Bem, esperamos que em 2012 tenhamos possibilidades pra fazer algo parecido, e também esperamos que vocês, que acompanham isso aqui a um tempo, também possam. Feliz ano novo antecipado...

domingo, 25 de dezembro de 2011

Boas Festas

Bem, a equipe (de no momento um homem só) do Futebol Interiorano deseja boas festas pra humanidade como um todo, para os povos que celebram o Natal, para os que não celebram, para os que não conhecem, para os que conhecem e não comemoram, e para qualquer outra categoria que nos esquecemos de citar. Seja como for, esperamos que as pessoas não esperem uma data específica para serem legais umas com as outras, para visitarem parentes e amigos em locais distantes, ou para comprarem uma tralhazinha aleatoriamente, cremos que é possível fazer isso em qualquer dia do ano. Assim sendo, vamos celebrar o espírito de camaradagem, tão presente em qualquer campo de futebol, seja no Brasil ou em Vanuatu.

video

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Algumas perguntas

Ser torcedor é algo único. O torcedor se sente motivado a fazer o que for para apoia sua equipe. E ele sempre sonha em ter algo acima da média, e esse algo, irá para o clube. Devotará o corpo e a alma pelo seu clube, fazendo o inimaginável. Por exemplo; se for milionário, ele não hesitará em investir a maior parte de sua grana no seu time de coração. Mas acima disso tudo, todo torcedor deseja uma coisa; se pudesse, seria jogador. Começaria a carreira de jogador no time, encerraria nele, e começaria a de treinador, dirigente, ou coisa que o valha.

Vemos alguns exemplos, como o de Marcos do Palmeiras, que foi campeão do mundo pela seleção e rebaixado pelo clube no mesmo ano, em 2002, recusando uma oferta do Arsenal para jogar a Série B. Fora do Brasil, vemos Fernando Yeste, do Athletic Bilbao, que decidiu que jogaria de graça pelo clube, ou Verón, do Estudiantes, que tirou do próprio bolso para levar para La Plata alguns dos jogadores que iriam compor a equipe campeã da Libertadores em 2009. Existem alguns casos mais intensos, como o de Castilho, goleiro do Fluminense, que quando fraturou seu dedo mindinho pela quinta vez, tendo que se submeter a um tratamento de dois meses, não hesitou em mandar amputar seu dedo, para que em duas semanas depois, pudesse defender seu clube.

Mas nenhum caso é tão extremo quanto o de Abdón Porte, jogador do Nacional de Montevidéu. Porte era do interior do país, podendo-se dizer que era um verdadeiro "gaúcho", tanto que seu apelido era "El Índio", e foi parar no Nacional em 1911. Lá se destacou por ser um volante de extremo poder de marcação, e com um grande espírito de liderança, o que lhe rendeu a faixa de capitão. Porte amava o Nacional, era a sua vida, sua religião, sua alma. Quando se via ele em campo, mais do que um jogador, via-se um torcedor que amava o seu time de maneira única e incondicional. Ele vivia o sonho de qualquer torcedor; viver todos os momentos do seu clube, os bons e os maus. Vale lembrar que aqueles eram os tempos do amadorismo no futebol uruguaio, logo, ninguém ganhava nada. Mas para Porte, não havia mais nada para ser ganho. E assim foi por um tempo.

Só que o tempo não para, e com ele, se vai o vigor físico. Ainda que Porte estivesse com apenas 26 anos, já não apresentava o mesmo desempenho de antes. Nisso, a diretoria do Nacional decidiu o substituir por outro atleta. Foi um baque para Porte. O privavam de sua razão de viver, e se a vida não podia ser vivida em sua plenitude, do que valia viver então? Então, na noite de 4 março de 1918, depois de um jantar entre os membros do Nacional, em comemoração a uma vitória obtida no mesmo dia, Porte foi para o estádio Gran Parque Central, onde o Nacional mandava seus jogos (e que anos depois seria um dos palcos da primeira Copa do Mundo). Dentro do estádio, se dirigiu para o meio do campo, e lá, disparou um tiro contra seu próprio coração. Deixou alguns bilhetes por perto, e um deles dizia "Nacional, ainda que vire pó, como pó continuei a te amar, não me esquecerei por um instante, o quanto te amei. Adeus para sempre".

Esse caso não só comoveu, como ainda comove, e leva a pergunta; "um clube de futebol merece tanto?". Afinal, o que é um clube? Certamente não é um apanhado de torcedores, jogadores, técnicos e dirigentes, mas há um clube sem esses elementos? Não cremos que essa pergunta pode ser respondida, mas sabemos que caso um clube deixe de existir oficialmente, ele seguirá existindo dentro dos torcedores. Mas é algo pelo qual vale a pena morrer? Nós cremos que não, mas essa é uma pergunta muito subjetiva, vai de cada um. Mas há uma unanimidade; é algo pelo qual vale a pena viver.

domingo, 18 de dezembro de 2011

"Campeões do Mundo"

Hoje, o Barcelona venceu o Santos pelo Mundial de Clubes, sagrando-se campeão do mundo, numa partida muito esperada, mas que se revelou um tanto quanto sem sal. Não que o Barça tenha jogado mal, longe disso. É que basicamente não foi um jogo entre dois times; foi uma espécie de sparring futebolístico, onde o Santos não atacou, procurando apenas se defender, de maneira mal feita, diga-se de passagem. Agora, o Barcelona volta pra Catalunha com o caneco de melhor de mundo. E pensamos; o que passa pela cabeça dos jogadores do L´Hospitalet, clube da 3ª Divisão espanhola, que irá enfrentar o Barcelona pela Copa do Rei, em pleno Camp Nou, isso depois de perder o jogo de ida por um honroso 1 x 0, gol de Xavi, no modesto estádio La Feixa Llarga, com capacidade para exatos 6,740 expectadores?

Bem, mas como futebol é futebol, e se o L´Hospitalet ganha e elimina o Barcelona? Isso diminuirá o Barcelona? Cremos que não? E fará do L´Hospitalet o melhor time do mundo? Bem, será uma oportunidade marketing. Deve haver algum torcedor dos Riberencs imaginando fazer uma camisa com os dizeres "Campeão do Mundo". Dizemos isso pois já aconteceu em ocasiões anteriores.

Tudo começou quando em 1967, quando a seleção da Escócia venceu a Inglaterra, campeã da Copa do Mundo de 66, em Wembley. A proeza dos escoceses os fez ganhar o apelido de "Magos de Wembley", e eles se proclamaram "Campeões Mundias Extra-Oficiais" (ainda que o termo mais próximo seja "não-oficial", "extra-oficial" é bem mais carismático). Num esquema parecido com o que vemos nas disputas de boxe ou UFC, surgiu o UFWC, ou Unofficial Football World Championships. O esquema é simples; o time que vencer o campeão mundial "toma" o título, e a cada partida, o adversário é o "desafiante". Aí vemos quem terá o "cinturão". O legal dessa disputa é que ela permite muita coisa alternativa. Um exemplo? O atual detentor do título é a seleção da Coréia do Norte, por mais incrível que pareça. Isso por quê os norte-coreanos venceram o Japão, que antes derrotaram a Argentina, que por sua vez derrotou a até então campeã Espanha. E o próximo desafiante ao título de "Campeão do Mundo" é a seleção do Tadjiquistão. Obviamente não é reconhecido pela FIFA, mas não precisa ser reconhecido pela entidade máxima do futebol para não ser legal.

A nível de clubes, são vários os exemplos de equipes que carimbam a faixa de campeão do mundo. No Brasil, em 93, o Rio Branco de Americana tirou a invencibilidade do São Paulo campeão do mundo de 92, e pode sentir um gosto que o Barcelona não pôde. Mas o marketing do Tigre deixou a desejar. O que não ocorreu com o St Pauli. em 2001-02, o clube venceu o Bayern de Munique, então campeão do mundo, e caiu em cima, investindo no lema Weltpokalsiegerbesieger (não vamos perguntar se acertaram na primeira tentativa, e de maneira natural e fluída), que simplesmente quer dizer "Derrubadores (sic) de Campeões Mundiais". Resta saber se o Getafe, que anda vencendo o Barcelona ultimamente, usará isso. Mas o que realmente esperamos é que o pessoal de L´Hospitalet possa falar que seu time, ainda que esteja na 3ª Divisão espanhola, é o campeão do mundo...

Uma Segunda Chance

Se há um negócio que é contestado no futebol, é a arbitragem. O árbitro só é perfeito quando não aparece no jogo. Quando ele aparece, é por quê houve algum erro, coisa normal do ser humano. Mas se ele erra, é tido como tendencioso, ladrão, e por aí vai (se bem que em alguns casos, isso realmente acontece). Esse cenário desencoraja postulantes a juiz de futebol.

A Federação Argentina se deu conta de que a reposição de árbitros não estava lá muito rápida. Então decidiu fazer um experimento pioneiro no mundo; dar aulas de arbitragem em presídios. Sim, isso mesmo. No mundo inteiro, há essa discusão de como reintegrar um ex-detento à sociedade e ao mercado de trabalho, para que ele não veja o crime como uma opção para se sustentar (desconsideramos o meliante que comete crimes sem a necessidade de ganhar a vida), e consequentemente, voltar para a prisão.

A penitenciária escolhida foi a de La Plata, que tem tradição a incentivar os presos a praticarem esportes. As aulas são ministradas pelo árbitro Luis Belatti, que integra o quadro de arbitragem da AFA. As aulas são ministradas na prisão mesmo, contando com aulas teóricas e práticas. Eventualmente ocorrem alguns problemas, nada relacionado a disciplina, mas por exemplo, um dia certo aluno não pode fazer o teste teórico, pois no mesmo dia seria seu juízo. Antes de pedir que o teste fosse aplicado em outro dia, ele foi verificar se o julgamento é que pudesse ser adiado. Bellati conta que quando ministra as aulas, ignora o motivo que levou os detentos à prisão, apenas ensina algo que pode ajudá-los quando sairem.

Até o momento, nenhum ex-detento apitou algum jogo de qualquer competição organizada pela AFA, mas esperamos, ou melhor, torcemos, para que esse dia chegue...

O Derby do Medo

Muito se discute sobre a palavra "Derby". É certeza de que a palavra é de origem inglesa, mas muitas são as teorias sobre sua origem. Alguns dizem que é devido a corridas de cavalo na Inglaterra do século XVIII. Muitos também dizem que o termo é uma referência ao futebol medieval praticado na cidade de Derby. A teoria mais recente afirma que o termo se deu devido a um espaço para corrida de cavalos que separava os campos dos eternos rivais Liverpool e Everton.

Quando se fala de um Derby no futebol, a intenção é dizer de que determinada partida é um clássico, que existe uma forte rivalidade entre as duas equipes. Existem uma série de fatores que podem alimentar uma rivalidade. Na maioria dos casos, são jogos envolvendo clubes da mesma cidade ou região, ou justamente o oposto, entre clubes que são de regiões que se antagonizam. Mas existem alguns casos em que as motivações para as rivalidades vão além disso, indo para campos como nacionalismo, religião ou política. E é exatamente nessa esfera, a política, que se encaixa o tema que pretendemos abordar.

O Derby do Medo é um clássico relativamente novo, e tem como palco a Alemanha. Hansa Rostock e St Pauli quase nunca se enfrentavam, se é que se enfrentavam. Os clubes passaram a maior parte do tempo divididos, seja pela política, seja pelas divisões. A Alemanha passou grande parte do século XX dividida; um lado, o Ocidental, de economia capitalista, e o Oriental, com inspiração comunista. Essa divisão se deu após a II Guerra, quando as potências vencedoras dividiram os despojos da guerra, demarcando suas zonas de influência, o que podemos classificar como embrião da Guerra Fria. Seja como for, o St Pauli é de Hamburgo, que fica no lado Ocidental, e o Hansa Rostock leva o nome de sua cidade, Rostock.

Os clubes passaram a maior parte do tempo separados por uma fronteira, representada num muro que separava a capital Berlim em duas partes. Mas os dois clubes sempre ocuparam uma posição periférica em seus países, o que era mais doído para o Hansa, que era tido como um centro de excelência (nos países comunistas, haviam os clubes que serviam de centros de excelência, cuja função era formar atletas que servissem aos quadros nacionais). E assim a vida seguia, até a queda do Muro de Berlim, em 89.

A mudança foi radical para ambas as partes; não se tinha idéia de como seria a integração, mas sabia-se de que não haveria espaço para todos. Assim sendo, de protagonista na Alemanha Oriental, a cidade de Rostock passou a um plano periférico. Isso deu brecha para que lá ocorresse um fenômeno que se alastrou pelo Leste Europeu; movimentos de extrema-direita, assumidamente neo-nazistas. Estes movimentos viam que o comunismo stalinista não melhorou suas vidas, e que o capitalismo democrático os jogava num segundo plano. Se esse clima tomou conta da cidade, consequentemente, o mesmo se deu com a torcida do Hansa, que se tornou uma das mais temidas da Europa. Da parte do St Pauli, seus torcedores são conhecidos por sua postura de esquerda, indo contra o racismo, o sexismo e o capitalismo selvagem e predatório (o que é capitalismo em sua exência, diga-se). Ou seja, um choque seria inevitável.

Mas estava sendo evitado por um longo tempo, pois os times nunca estiveram na mesma divisão, com o Hansa vivendo entre a 2ª e a 1ª Divisão, enquanto o St Pauli sofria na 3ª. Mas em 2011 não deu mais para evitar; os dois clubes se enfrentariam, pela 2ª Divisão. E para agregar tensão, enquanto o St Pauli brigava pelo acesso, o Hansa Rostock lutava contra o rebaixamento, e nessa partida contaria com o apoio de sua torcida. As diretorias dos dois clubes fizeram o possível para manter os ânimos calmos, mas avisaram de que não seriam capazes de controlar os torcedores mais extremados.

O jogo como era de se esperar, foi tenso, com direito a torcedores do Hansa atirarem bananas em campo, contra o time inteiro do St Pauli. Isso sem contar os insultos, que além do esperado numa partida de futebol, descambou pra racismo e derivados. Seja como for, mesmo jogando fora de casa, o St Pauli se impôs e fez 3 x 1. Houveram brigas, contenção policial, e por aí vai. Saldo: 8 feridos, incluindo policiais, o que pela tensão do jogo, foi visto pelas autoridades como "lucro".

E esse foi só o primeiro capítulo; ainda haverá o jogo do 2º turno, em Hamburgo. Até lá, muita coisa pode acontecer na competição, mas esses conflitos políticos não serão solucionados tão em breve. Caso num cenário hipotético, os conflitos políticos sejam resolvidos, torcemos para que não seja uma vitória da direita, seja extrema ou moderada...também admitimos que torcemos pelo St Pauli...

domingo, 11 de dezembro de 2011

O Negro no Futebol Brasileiro



Com toda a certeza, Mário Filho é um dos maiores cronistas esportivos do Brasil. Pode-se dizer que ele é o primeiro, pois provocou uma revolução no jornalismo esportivo, especialmente o voltado para o futebol. Numa época em que o esporte mais popular era o remo, as coberturas das partidas de futebol era muito fria, limitando-se a falar os nomes dos jogadores, os gols, e uma análise rasa, com uma linguagem rebuscada, evidenciando o caráter que o futebol possuía até então.

A ascensão de Mário Filho se dá ao mesmo tempo em que o futebol se populariza. Filho inovou ao fazer grandes reportagens sobre as partidas, usando a língua do torcedor, que deixava de usar as anteriormente obrigatórias palavras inglesas. O jogo se abrasileir


Porém, apesar da popularização do esporte, ainda haviam marcas profundas do seu período elitista, sobretudo em relação a população pobre, e principalmente, aos negros. O pobre era discriminado, mas nem de longe sofria a perseguição que o jogador negro sofria. E Mário Filho, em sua obra “O Negro no Futebol Brasileiro” discute o tema com muita autoridade, de quem além de viver o período, foi um cronista excepcional. Sua influência no futebol brasileiro é tamanha que seu nome foi emprestado a um dos maiores e mais importantes cartões postais do Brasil; o Maracanã.ava, no torcer e no jogar, e o jornalista captou muito bem isso.

É uma leitura extremamente recomendável, ainda que o nome do livro seja pouco
exato, pois o foco do livro é o futebol carioca, mas isso nem de longe apaga o brilho da obra, que o autor fez de questão de acrescentar detalhes de tempos e tempos, pois tinha a ambição de escrever uma obra incontestável. Poucas coisas que o homem faz são incontestáveis, mas podemos garantir que Mário Filho chegou bem perto de seu objetivo.

Um adendo, e que em um futuro merecerá um post próprio no blog; a capa foi feita por Rebolo, jogador que após encerrar a carreira, virou artista, fazendo vários trabalhos expressivos. Nessa imagem, por exemplo, é um auto-retrato, no qual ele, de branco, é driblado por um atleta negro. O quadro foi pintado no auge da discriminação contra os negros no futebol, mas isso já é assunto pra uma outra hora...

The Damned United


The Damned United, Maldito Futebol Clube no Brasil, é um filme inglês baseado num livro homônimo, escrito por David Peace, em 2006, que (com certa liberdade poética, é verdade) retrata os 44 dias que Brian Clough (interpretado pelo ator inglês Michael Sheen). dirigiu o Leeds. Antes de abordarmos o filme em si, algumas explicações. Brian Clough é considerado o maior técnico inglês a nunca ter dirigido a seleção nacional. Alcançou esse status com um trabalho sério, levando equipes sem muita tradição a conquistas antes inimagináveis, como fez com o Nottingham Forest bi-campeão europeu em 79 e 80. Além disso, era uma pessoa um tanto quanto marrenta, falastrona e explosiva, sempre dando um show a parte. Sobre o tempo em que dirigiu o Leeds, 44 dias, ainda que seja comum no Brasil um treinador ser demitido em tão pouco tempo (as vezes em até menos tempo), na Inglaterra, isso não é nem um


Sobre a narrativa do filme, ela é feita de uma maneira diferente do usual; aborda sua turbulenta passagem pelo então poderoso Leeds em 74, e faz alguns flashbacks, mais especificamente em 1968, quando ainda não tinha atingido o estrelato e dirigia o Derby County. No começo do texto, falamos em “liberdade poética”. Pois bem, o livro, e consequente, o filme, causaram algum rebuliço em seu lançamento, pois era uma história baseada em fatos reais, mas nenhum dos autores afirmou que não tinham a ambição de retratar aquilo como “verdade”. Algumas figuras do filme, assim com alguns eventos, não exerceram o papel que foi mostrado nas obras, o que causou certo desconforto para os que se viram retratados. Mas apesar disso, muitos consideraram o filme bom, e no fundo, é o que mais interessa. Poderíamos entrar em mais detalhes, mas se fizéssemos isso, estaríamos entrando no filme, e não é o que queremos. Pelo contrário, esperamos que vocês que estejam lendo isso vejam o filme. pouco comum. Ser demitido desse jeito lá é um atestado de um fracasso gigantesco.

Assim sendo, recomendamos o filme, é uma boa pedida, pois foge do lugar comum em que os filmes de esporte, não só do futebol, se atolaram. Se tiverem oportunidade, vejam.

The Damned United

Diretor: Tom Hopper

Roteirista: Peter Morgan (adaptação), David Peace (livro)

Duração: 98 min

Lançamento: 09/10/2009

Atores:

Michael Sheen – Brian Clough

Timothy Spall – Peter Taylor

Colm Meaney – Don Revie

Jim Broadbent – Sam Longson

Peter McDonald – Jhonny Giles

Stephen Graham – Billy Bremner


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Eduardo Galeano


Eduardo Galeano é um dos mais conhecidos pensadores latino-americanos, e muito disso se deve a obra "As Veias Abertas da América Latina", que aborda a exploração pela qual os povos latinos vêm sofrendo por parte de sua própria elite, que por sua vez é subserviente às elites dos países centrais no capitalismo, que espalham sofrimento e opressão para poderem ganhar mais e mais.

Como a maioria dos latino-americanos, Galeano também gosta de futebol, escrevendo um livro sobre o esporte (o que explica o por quê de escrevermos sobre isso tudo). Futebol ao Sol e à Sombra é um clássico, escrito de uma maneira bem própria; não possui cronologia, nem um tema

definido dentro do campo "futebol". São uma série de crônicas, sobre jogos, jogadores, episódios do futebol, equipes, Copa do Mundo, tudo do jeito Galeano de ser. É uma boa para se gastar um domingo sem futebol, pois o livro não é muito grande, e nesses dias sem futebol, como você com certeza não aguentará jogar o dia inteiro, leia, e o livro é curto e bom, o que fará você não conseguir largá-lo. E como o livro não é muito grande, é barato, o que é o principal, já que com as obras públicas e a expansão dos condomínios privados está difícil encontrar espaços gratuitos para se bater uma bolinha.

Futebol Interiorano incentivando a leitura...se bem que sempre fizemos isso, ainda que involuntariamente, ao escrever nesse blog por mais de 2 anos...bem, então incentivamos a leitura de livros, a leitura desse blog, e a você leitor, escrever também, por quê não? Agora que os jogos de domingo estão restritos aos campeonato estrangeiros, achamos que deve dar tempo de jogar futebol, de ler, de ver aquela partidinha esperta, e escrever.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Luto


Hoje é dia de decisão no futebol brasileiro, e a expectativa é alta. Mas o dia não começou como todos esperavam. Infelizmente Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, o Doutor Sócrates, faleceu na madrugada desse domingo, dia 04/12. O que podemos falar sobre Sócrates? Muito, mas muito mesmo. Grande jogador (não foi um grande atleta, afinal, não queria ser atleta, queria ser jogador), comentarista, colunista, acadêmico, humano, que cometeu vários erros, é verdade, mas de longe, uma figura ímpar no futebol. Qualquer homenagem a ele será justa, assim como essa que nós prestamos, singela, é verdade. É isso.