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domingo, 11 de dezembro de 2011

The Damned United


The Damned United, Maldito Futebol Clube no Brasil, é um filme inglês baseado num livro homônimo, escrito por David Peace, em 2006, que (com certa liberdade poética, é verdade) retrata os 44 dias que Brian Clough (interpretado pelo ator inglês Michael Sheen). dirigiu o Leeds. Antes de abordarmos o filme em si, algumas explicações. Brian Clough é considerado o maior técnico inglês a nunca ter dirigido a seleção nacional. Alcançou esse status com um trabalho sério, levando equipes sem muita tradição a conquistas antes inimagináveis, como fez com o Nottingham Forest bi-campeão europeu em 79 e 80. Além disso, era uma pessoa um tanto quanto marrenta, falastrona e explosiva, sempre dando um show a parte. Sobre o tempo em que dirigiu o Leeds, 44 dias, ainda que seja comum no Brasil um treinador ser demitido em tão pouco tempo (as vezes em até menos tempo), na Inglaterra, isso não é nem um


Sobre a narrativa do filme, ela é feita de uma maneira diferente do usual; aborda sua turbulenta passagem pelo então poderoso Leeds em 74, e faz alguns flashbacks, mais especificamente em 1968, quando ainda não tinha atingido o estrelato e dirigia o Derby County. No começo do texto, falamos em “liberdade poética”. Pois bem, o livro, e consequente, o filme, causaram algum rebuliço em seu lançamento, pois era uma história baseada em fatos reais, mas nenhum dos autores afirmou que não tinham a ambição de retratar aquilo como “verdade”. Algumas figuras do filme, assim com alguns eventos, não exerceram o papel que foi mostrado nas obras, o que causou certo desconforto para os que se viram retratados. Mas apesar disso, muitos consideraram o filme bom, e no fundo, é o que mais interessa. Poderíamos entrar em mais detalhes, mas se fizéssemos isso, estaríamos entrando no filme, e não é o que queremos. Pelo contrário, esperamos que vocês que estejam lendo isso vejam o filme. pouco comum. Ser demitido desse jeito lá é um atestado de um fracasso gigantesco.

Assim sendo, recomendamos o filme, é uma boa pedida, pois foge do lugar comum em que os filmes de esporte, não só do futebol, se atolaram. Se tiverem oportunidade, vejam.

The Damned United

Diretor: Tom Hopper

Roteirista: Peter Morgan (adaptação), David Peace (livro)

Duração: 98 min

Lançamento: 09/10/2009

Atores:

Michael Sheen – Brian Clough

Timothy Spall – Peter Taylor

Colm Meaney – Don Revie

Jim Broadbent – Sam Longson

Peter McDonald – Jhonny Giles

Stephen Graham – Billy Bremner


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Tentamos...

...Mas não conseguimos. É sobre o último post, sobre o filme O Outro Chelsea; Uma História de Donetsk. Nós colocamos o link do site, pois não conseguimos encontrar links separados. Não colocamos o link pois imaginamos que ninguém (a não ser nós) seria tonto de esperar 1 hora e pouco pra carregar o link, mais 1:30 pra ver um filme com legendas apenas em inglês. Mas um amigo nosso, que é praticamente um consultor do blog, disse que não havia problema, então lá vai;

http://www.youtube.com/watch?v=ctbmFJ-nE14

Bom proveito amigos

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O Outro Chelsea


Esse é o nome de um documentário alemão de 2010, dirigido por Jakib Preuss, que tem como pano de fundo um clube; o Shakhtar Donetsk. O diretor alemão trabalhou na Ucrânia em 2004, acompanhando as eleições presidenciais. Nisso, ele pôde ver o país de mais perto.

A premissa do documentário é simples; acompanhar dois torcedores do Shakhtar e ver suas opiniões sobre o país, a política, a cultura, e claro, o futebol. Eles são Aleksander "Sacha", um mineiro de 55 anos, torcedor apaixonado, que sempre que pode vai aos jogos fora, e que possui saudades dos tempos da URSS. O outro é Nikolay "Kolya", um jovem político que admite não entender muito de futebol, mas acha que as vitórias do Shakhtar dão uma boa imagem da região e de seu partido, que é o mesmo do presidente do clube, o bilionário Rinat Akhmetov, e do presidente do país, Viktor Yanukovych.

Sobre o nome do filme, retiramos uma declaração que o próprio diretor deu para o site do Globo Esporte (saibam que se tivessemos oportunidade, nós mesmos faríamos as perguntas); o" estádio de futebol transformou-se no espelho de uma sociedade, o lugar onde mineiros, políticos e oligarcas se encontram. A ideia de comparar Shakhtar e Chelsea surgiu logo de cara, por causa de óbvias semelhanças: ambos foram comprados por bilionários da antiga União Soviética e têm grande concentração de torcedores nas classes mais pobres, com sentimentos divididos sobre a mudança de identidade do clube por causa do dinheiro injetado e dos jogadores estrangeiros".

O documentário mostra bem a cidade, além do cotidiano de uma ex-república soviética dividida, com o Shakthar sendo a bandeira dessa região, tanto que em certa parte do filme, um torcedor afirma que "o Shakhtar pode perder o título, mas que eles já fizeram o principal, vencer o Dynamo de Kiev". Além disso, aborda a campanha do time na Copa da UEFA de 2009, quando o clube venceu, ironicamente, o Werder Bremen, time de coração do diretor. Mandaremos o trailer do filme, que contêm legendas em inglês, pois infelizmente não há previsão de um lançamento em português

http://www.theotherchelsea.com

Genêro: Documentário
Duração: 87 min
Direção: Jakob Preuss

domingo, 21 de agosto de 2011

À Procura de Eric


À Procura de Eric é um filme de 2009, dirigido por Ken Loach e com roteiro de Paul Laverty. Gostamos desse filme e o recomendamos por uma série de motivos. Primeiramente, é um filme em que os personangens são extremamente normais, humanos. A figura principal, o carteiro Eric Bishop, tem uma vida caótica, e nada parece conseguiu mudar isso...até que surge, repentina e absurdamente, a outra figura central do filme; Eric Cantona. Cantona é a única figura não humana do filme, é como um entidade, um guia, dando conselhos e ajudando Eric a criar coragem para se levantar e sair do buraco onde tinha se enfiado.

Mas por quê Cantona? Cantona por si só já é uma figura emblemática, e o auge de sua carreira foi no Manchester United. Por sua vez, o carteiro Eric é torcedor fanático dos Red Devils, porém, não vai a um jogo anos, mais especificamente, desde que Cantona parou de jogar, e desde que preço dos ingressos aumentou até fugir da realidade dos trabalhadores, como carteiros.

Não entraremos em maiores detalhes, pois aí estragaríamos muito do filme. E dizemos novamente; recomendamos.

Aí vai o trailer do filme

http://www.youtube.com/watch?v=sIZtCHMApIQ


À Procura de Eric
(Looking for Eric, 2009)
• Direção: Ken Loach
• Roteiro: Paul Laverty
• Gênero: Comédia/Drama/Esporte
• Origem: Bélgica/Espanha/França/Itália/Reino Unido
• Duração: 116 minutos
• Tipo: Longa-metragem


quarta-feira, 20 de julho de 2011

Futebol de Causas

Esse é o nome de um documentário português que retrata um episódio de grande repercussão. Foi em 1969, e envolveu a Universidade de Coimbra, e o clube que a representa, a Académica.

A situação era a seguinte; Portugal vivia uma situação política difícil, com a ditadura Estado Novo Salazarista, e que procurava estender seu controle para as universidades. A polêmica no caso de Coimbra foi a seguinte; o governo impôs que a Universidade de Coimbra fosse administrada por um conselho autonômo, sem dar voz aos estudantes, além de não terem o direito de se organizarem, medida esta que é revogada, mas quanto ao direito de participação dos estudantes nos assuntos da universidade, este continua negado.

Em abril de 1969, numa inauguração de um prédio na Universidade, mais especificamente, o de matemática, inauguração esta que contava com a presença do então presidente do país, Américo Tomás. E em frente do prédio, centenas de estudantes protestavam, com cartazes como "Exigimos Diálogo", "Universidade para Todos", "Estudantes no Governo da Universidade", e por aí vai. Nisso, Alberto Martins, um aluno da universidade, e representante das organizações estudantis, pede a palavra, para falar em nome dos estudantes. O pedido foi negado, e pior, algumas horas depois ele foi preso.

Os estudantes estavam extremamente mobilizados e engajados. É importante lembrar do contexto histórico da situação. O ano anterior, 1968, especialmente o mês de maio, ficou marcado como um ano cheio de levantes contestatórios em todo o mundo, e tamanha radicalização não iria desaparecer em apenas um ano. A partir da prisão de Martins e de outros estudantes, os protestos se intesificaram, e com a intensificação dos protestos, intensificou-se a repressão, e os conflitos se tornam inevitáveis. Naquele mesmo mês, numa assémbleia que contou com mais de 6,000 pessoas, se declara "luto acadêmico", e os alunos decidem não participar dos exames, ocupando a Universidade e ministrando cursos livres. No dia 30 de abril, o ministro da Educação, Hermano Saraiva, num comunicado televisivo, afirmando que os alunos estavam sendo desrespeitosos, que estavam afrontando o Presidente da República, e que a "ordem seria reestabelecida em Coimbra".

Aí entra o time de futebol. A Académica era composta majoritariamente por alunos ou ex-alunos que militavam politicamente na Universidade, e na década de 60, marcada pelo radicalismo, estudantil e operário, por todo o mundo, também foi a década em que atingiu o seu melhor desempenho. O dia 22/06 teve uma peculiaridade no futebol português; foi a primeira e única final da Taça de Portugal que não foi televisionada, mesmo o adversário dos acadêmicos ser o Benfica. Nesse dia, pode-se de dizer que o jogo esteve em segundo plano, pois os 37,000 lugares do Estádio Nacional de Lisboa e o seu entorno se tornaram um palco de manifestações contra o regime, naquele que até hoje é reconhecido como o "maior comício de sempre contra o regime".

Sobre o documentário em si, só conseguimos o trailer, que colocaremos aqui, mas quem conseguir obtê-lo, seja baixando, comprando, ou coisa que o valha, nos informe. Até mais.

http://www.youtube.com/watch?v=qcO2RUeTiWE

Documentário - 70 min - 2009

Escrito e Realizado por : Ricardo Antunes Martins
Produzido por : António Ferreira e Tathiani Sacilotto

Direcção de Fotografia : Lee Fuzeta
Música Original : Luís Pedro Madeira

Produção Executiva : António Ferreira
Chefe de produção : Inês Prazeres

Montagem : Lee Fuzeta
Supervisor de Pós-Produção : Rodrigo Lacerda

Director de Som : Simão Lopes
Misturas Audio : Toni Lourenço / Gil Figueiredo

Pós-Produção Audio : LoudStudio
Pós-Produção vídeo : Sofa Filmes

Em co-produção com : RTP – Rádio e Televisão Portuguesa
Com o apoio financeiro do : FICA – Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual

uma produção PERSONA NON GRATA PICTURES - Portugal 2009

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Un Santo para Telmo



Hoje, enquanto estávamos vendo Lo Llevo en la Sangre, vimos comentários sobre outro curta-metragem, o que dá nome a esse post. Não é algo tão incomum quanto o primeiro. Resumindo em poucas linhas, o San Telmo, clube da região das docas (Dock Sud) de Buenos Aires, está ameaçado de rebaixamento. Nisso, um diretor do clube contrata um jogador brasileiro, um "Santo" que livrará o time Camabondero do descenso. O curta mostra bem o caráter semi-profissional-quase-amador do futebol, o que ocorre na maioria dos lugares do planeta. Afinal, o dinheiro tem sua importância, mas não é o fundamental; o desejo de jogar é maior, e quando é isso que acontece, simplesmente vemos futebol.

Aí vão alguns links:

http://vimeo.com/1547399?pg=embed&sec=1547399

http://webcopante.com.ar/webcopante/2011/05/23/un-santo-para-telmo-2007/

Curta Metragem

Cinema e futebol, tema relativamente bem explorado, que nos proporciona tanto pérolas quanto filmes bobinhos...pensando bem, é uma situação que acontece com qualquer tema no cinema. Seja como for, hoje abordaremos o curta argentino Lo Llevo en la Sangre, que aborda de maneira bem humorada, meio absurda até, uma das rivalidades menos conhecidas dos brasileiras, mas tão intensa e folclórica quanto Boca x River ou Indepiendente x Racing; trata-se de Atlanta x Chacarita Jrs. É a história de um jovem jogador que fará sua estréia nos profissionais pelo Chacarita, e numa partida contra o Atlanta, coisa que é comemorada efusivamente pela família, toda torcedora do Chacarita, mas ocorre um fato estranho, improvável, dentro de sua família, o que dará um toque especial ao clássico

Como já dissemos, é um curta metragem, e se você puder, dê uma olhada, e está dividido em 4 partes no youtube, e os links serão disponibilizados aqui. Vejam aí;


http://www.youtube.com/watch?v=PRbXgUPJYEc&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=rcaEqie6VEA&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=nISKBJ-qduA&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=-H4UZFUcSa4&feature=related

terça-feira, 24 de maio de 2011

A Outra Final




A KesselsKramer é companhia holandesa que produz documentários, além de algumas campanhas de publicidade. Johan Kramer e Matthijs de Jong, frustados com a não classificação da Holanda para a Copa de 2002, decidem incentivar a idéia de uma partida entre as duas últimas seleções ro ranking da FIFA, Butão 202 e Montserrat 203, gravando um documentário sobre esse encontro. As Associações dos 2 países gostaram da idéia, mas demorou um tempo até levarem a idéia a sério e acreditarem nas intenções dos holandses. O jogo foi marcado no dia 30/06/02, mesmo dia que seria a final da Copa de 2002, que viria a ser disputada pelas seleções de Brasil e Alemanha.






Depois disso, as duas seleções começaram a se preparar. As populações dos doís países estavam extremamente anciosas para esse evento, pois encontrariam uma outra cultura que ignoravam completamente. Não é preciso dizer que os doís países são completamente diferentes. Montserrat é uma ilha caribenha, colonizada pelos ingleses. Na década de 90, ganhou fama, mas não por um bom motivo. Um vulcão entrou em atividade, e causou um enorme desastre. Para se ter idéia, apenas 1/3 da ilha é habitável atualmente, e muitos cidadãos partiram, deixando o país com cerca de 4,000 habitantes. No âmbito futebolístico, àquela altura, o país possuia um campeonato amador, com apenas 5 times, e cerca de 150 jogadores amadores. Um estádio estava sendo construído, pois o antigo, na capital Plymouth, havia sido destruído na erupção. Sobre o Butão, este é um pequeno país asiátivo, cravado nos Himalaias, e que se abriu pro mundo recentemente. Nós admitimos, pouco sabemos sobre esse país, sabemos apenas que é uma monarquia parlamentarista, a única do mundo que procura medir a felicidade de seus habitantes, tendo um ministério para isso. Sua seleção nacional, apesar de ter sido criada nos anos 70, só foi se filiar a FIFA em 2000, e logo em sua primeira partida levou uma sarrafada de 20 x 0 pra seleção do Kuwait. Nenhum dos doís países tem o futebol como principal esporte; Montserrat, como muitas colônias britânicas, não resiste ao cricket, e no caso do Butão, disputas de arco e flecha são a paixão nacional.




Uma semana antes da partida, o time de Montserrat chegou ao Butão, depois de uma longuíssima viagem. Depois de descansarem, foram dar um passeio pela cidade, sendo o centro das atenções. Um pouco depois, foram convidados para visitar uma escola primária. Lá, passaram pela inédita situação de darem autógrafos. Mas nem tudo foi as mil maravilhas. Montsserat fica no nível do mar, afinal de contas é uma ilha, e muito jogadores passaram mal com a altitude, cerca de 2,250 metros, sem falar que 7 atletas tiveram uma incoveniente intoxicação alimentar.



No dia da partida, o estádio Changlimithang estava lotado, com cerca de 25,000 pessoas (levando-se em consideração que a cidade possui 45,000 habitantes). Além disso, a entrada era franca, ao contrário dos US$800 do ingresso da "Outra Final", que seria disputada no Japão. E enquanto a partida no Japão estaria cheia de publicidade, o máximo que foi visto no Butão foram rezas budistas. A partida começou as 11:00, horário local, e apesar da chuva torrencial que caiu no dia anterior, o gramado estava numa condição relativamente boa (ou seja, dava pra jogar, não mais que isso) no horário do jogo.



Sobre o jogo, não falaremos nada, pois estaríamos adiantando o ponto crucial do documentário, mas podemos adiantar que o espetáculo foi tão bonito que Steven Bennet, o juíz, que estava acostumado a apitar jogos da Premier League inglesa, afirmou que a Premier League teria que fazer muita coisa para superar aquilo.



Quanto ao documentário em si, o nome é The Other Final, e ganhou prêmio como do festival de Avignon, em 2003. Não sabemos se existe uma versão com legendas em português. No site oficial do filme, http://www.theotherfinal.com/, pode-se conseguir outras informações, além de fotos e tudo o mais. Mas caso saiba inglês, é possível de se encontrar o filme no youtube. Um comentário que ilustra bem o que é o documentário vem de Roberto Baggio; "em um período em que tudo é mercantilismo, este foi um projeto quase ingênuo que coloca o amor pelo jogo em primeiro plano. Foi capaz de nos mostrar que o futebol é uma linguagem que todos podem falar".




Como já foi dito, o documentário é de 2002, então se passaram longos 9 anos. O futebol nesses doís países está evoluindo, lentamente, mas evoluindo. Alguns jogadores de Montserrat conseguiram se tornar profissionais, sobretudo nas divisões inferiores do futebol inglês. No Butão, o campeonato nacional é um sucesso, e o último campeão (de maneira invicta, diga-se de passagem) é o Yeedzin, de Timphu.


O presidente da Associação de Futebol do Butão anunciar ferido escolar em honra desse acontecimento, e é desejo das duas partes realizar uma partida no novo estádio de Montserrat, e esperamos que quando isso ocorrer, tenhamos recursos para ver essa partida.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

1966...

...Nesse ano, foi vista aquela que pode ser tida como a maior supresa da história de todas as Copas do Mundo; a vitória da seleção da Coréia do Norte sobre a Seleção Italiana, 1 x 0, gol de Pak Do-Ik. Mas poucos se importam com os acontecimentos anteriores a esse jogo.


Pra começar, o selecionado norte-oreano teve de disputar apenas 2 partidas para estar na Copa, isso porquê a Confederação Africana e várias federações asiáticas desistiram de disputar as eliminatórias em protesto à política da FIFA, de conceder apenas 1 vaga para cada continente. Nisso, os norte-coreanos tiveram de jogar contra a Seleção da Austrália. As duas partidas foram disputadas no Laos, e os norte-coreanos levaram a melhor, no que classificaram como uma vitória do grupo sobre o talento individual dos australianos.


Não é preciso falar que os jogadores foram recebidos com festa em Pyongyang, a capital do país. Vale lembrar que o país estava em processo de reconstrução, devido a Guerra da Coréia, a qual devastou o país e que marcou de vez a divisão entre as duas Coréias. Na Copa, a Coréia caiu no grupo da URSS, Chile e Itália, com sede em Middlesbrough. Por algum motivo, os habitantes da cidade se tornaram torcedores dos norte-coreanos, apoiando o time contra os outros adversários, seleções com bem mais tradição. Eles viram o esperado 3 x 0 da URSS, o nem tão esperado 1 x 1 com o Chile e o totalmente inesperado 1 x 0 contra a Itália.


Assim sendo, os norte-coreanos passaram de fase, e enfretariam Portugal. Toda a Middlesbrough apoiava o time, até os monges da cidade se voluntariam para ceder o mosteiro para a delegação norte-coreana, para que economissassem dinheiro, o que foi prontamente aceitado. Só que a delegação ficou assustada com o clima do mosteiro pela noite, e não conseguiram dormir direito. O jogo contra Portugal iria ser em Liverpool, e foi aí que acontceeu algo único na Copa até o presente; 3,000 habitantes de Middlesbrough viajaram 175 Km para Liverpool torcer pelos norte-coreanos. Eles não se decepcionaram com os 3 x 0 que aplicados contra Portugal. Mas viram uma das mais incríveis viradas da Copa; liderados por Eusébio, os portugueses conseguiram reverter o placar, indo para 5 x 3.


Na despedida da Seleção da Coréia do Norte, alguns dizem que haviam mais pessoas lá do que na despedida da Seleção Brasileira de Pelé e Garrincha. E algo incrível é que nenhuma das duas partes esqueceram esse contato. A BBC inglesa conseguiu permissão para entrar na Coréia do Norte e entrevistar o grupo que foi pra Copa de 66, além disso, conseguiram encontrar vários dos torcedores ingleses que os recepcionaram. O nome do documentário é "The Game of Their Lives". Está lá no youtube, mas infelizmente nenhuma alma caridosa colocou legendas em português, então se souberem um pouco de inglês, ou precisarem praticar, olhem lá. O final do documentário é algo único, o Futebol Interiorano recomenda...