terça-feira, 15 de julho de 2014

Satisfações

Antes de tudo, peço desculpas. Desde novembro que não há novidades por aqui, ou sequer uma nota informando o por quê disso estar parado. Bem, há uma série de fatores. O primeiro é que esse espaço não é meu ganha pão. Sempre me recusei a colocar qualquer tipo de publicidade aqui, pois quando isso virasse um serviço acho que não daria certo. Admito que possa estar enganado a esse respeito, mas seguirei sem publicidade. Por conta da necessidade de dinheiro, tive de ir trabalhar, e arrumei um emprego que não me dava disponibilidade de tempo, e me impedia de ir em estádios. Não acho que seria possível escrever sobre futebol sem ir ver jogos ao vivo, sobretudo da Segunda Divisão do Paulista. E há também motivos pessoais de outra ordem.

Sei que perdi muitos leitores, a maior parte deles. Pretendo voltar a escrever com mais assiduidade, mas não prometo nada. Das últimas vezes que tentei fazer isso, não consegui cumprir. Além do mais, fui convidado a colaborar no site Doentes por Futebol, o qual eu recomendo. Para os que se interessam por coisas mais mainstream, há bastante conteúdo de qualidade lá. Da minha parte, as temáticas que trabalho lá são semelhantes ao que se acostumaram a ver aqui. Em relação a este espaço, vou focar no futebol do interior de SP. Voltando a frequentar partidas, terei contato com de fato com a realidade do futebol interiorano.

Não escrevi isso aqui querendo algum tipo de apoio, ou pedidos para continuar com isso. Só queria dar uma satisfação para todos os que visitam esse blog. Agradeço a todos pela atenção, e veremos o que será do futuro.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Epílogo (atrasado) da B do Paulista, edição 2013

A Segunda Divisão acabou faz um tempo já, e cá estou, com certo atraso, falando disso. A Matonense reverteu um resultado que parecia irreversível. Quando o Água Santa sapecou o clube de Matão por 5 x 2, muitos (eu inclusive) acreditavam que o título ficaria no "D" do ABC (que oficialmente é conhecido como ABCD, e se formos generosos, aí se incluí o MRR - Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra). Mas havia um fator que não podia ser ignorado, no caso, o técnico da Matonense, o ilustre Luís Carlos Ferreira, exímio conhecedor das divisões de acesso e inventor de mandingas. Seja lá o que Ferreira tenha feito com os jogadores, deu certo; os 4 x 0 aplicados no Água Santa foram surpreendentes. Não lembro de nenhum jogo em que a equipe de Diadema tivesse tomado 3 gols ou mais, ainda mais sofrer com bolas alçadas, que originaram 3 dos gols (Alamir - 30'1T e 18'2T, Guilherme - 14'2T) da SEMA, que só pra contrariar, marcou o último num contra-ataque (com João Gabriel, aos 42'2T), num momento em que o Água Santa atacava desembestadamente.

Também é válido destacar a torcida, ou melhor, "as" torcidas. Durante o campeonato inteiro, Matonense, e sobretudo, Água Santa, estavam no topo no que diz respeito à média de público. Por isso, não dava para esperar algo diferente na final, onde o estádio Hudson Buck Ferreira recebeu exatos 6, 197 mil pagantes, mas acredito que dê para colocar aproximadamente 7 mil, se considerarmos os não pagantes.

Com tudo isso, é possível dizer que tivemos uma boa Bzinha. Melhor dizendo, é raro poder afirmar que tivemos uma Bzinha ruim. Sempre dá pra tirar algo de bom dela. Para o ano que vem, teremos (ou espera-se) a companhia dos rebaixados da A3, São Vicente (que fez um bate volta), Barretos (que ficou 2 anos na A3) e daquele que podemos dizer que é o mais novo integrante daquele grupo de times foram do céu ao inferno em pouquíssimo tempo; o União São João de Araras. Acho que todos nós sentiremos um estranhamento quando virmos o União na Série B do Paulista em 2014, especialmente se lembrarmos que há 20 anos o clube disputava a 1ª Divisão do Brasileiro. O outro rebaixado, o Palmeiras B, foi dissolvido pelo Palmeiras "A" (até - tentei - escrever algo decente sobre o último jogo do Palmeiras B, e pode ser visto aqui). Para a A3 2014, além dos dois finalistas da B 2013, veremos Tupã (que finalmente saiu da B) e Cotia (que surpreendentemente saiu da B).

Há muito ainda que pode ser citado, esmiuçado e analisado, mas fica pra uma próxima. Até lá.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Jaboticabal Atlético - Um possível recomeço?

A Segunda Divisão está em sua reta final, e estamos aguardando a grande final, que envolverá os dois times de melhor campanha na competição; Matonense e Água Santa, que subiram junto de Tupã e Cotia. Ou seja, mais duas semanas de Segundona, e depois, atenções o brioso Sub-20 da categoria, além é claro, para os clubes que participarão (ou não) da próxima edição do certame. Tradicionalmente, a Segunda Divisão começa em meados de abril/maio, mas como ano que vem teremos Copa, não sabemos ao certo o que haverá. Colocando em miúdos, ainda há muito o que se olhar.

Indo nessa direção, fica difícil ignorar o Jaboticabal Atlético. Há um artigo aqui, feito no final do ano passado, que fala da demolição e tombamento do estádio do clube, o Dr. Robert Todd Locke. Resumindo a situação, o estádio foi a leilão, para que o clube arrecadasse verba para que pudesse pagar suas dívidas. Contudo, o processo do leilão não foi dos mais tranquilos, passando por idas e vindas, e até mesmo com um tombamento do estádio. Enquanto a situação permanecia indefinida, o Jaboticabal mandou seus jogos lá em 2012, e especulava-se que a equipe fizesse o mesmo em 2013. Contudo, o estádio foi demolido (especula-se que sob mando de Valdecir Garbim, que adquiriu o imóvel no leilão), o que inviabilizou a participação do Jotão em qualquer competição (já que mandar partidas nas cidades vizinhas fosse algo fora de cogitação para os padrões financeiros do clube). A vara civil da cidade emitiu uma liminar que impede o progresso da demolição do estádio, por julgar que o processo ainda não foi concluído. Enquanto isso, Garbim afirma que pode dispor do terreno como bem quiser, pois o comprou.

A meu ver, esse é o ponto capital; discute-se a demolição, não a posse. Quando o imóvel foi comprado, ele não ainda não tinha sido tombado. Não creio que alguém sem nenhum tipo de envolvimento algum com o clube compraria uma área do tipo  se houvesse um impedimento legal para o usufruto total do bem adquirido, incluindo a possibilidade de reformulação integral do espaço. Da parte do atual proprietário, há de se convir que foi muita imprudência ter demolido o estádio em meio à uma situação jurídica ainda não definida.

E no meio disso tudo, discute-se a possibilidade de reconstrução. Mas em meio a essa discussão, deve-se perguntar; quem vai pagar por isso? Em tese, a responsabilidade, seria do atual proprietário, que ignorou uma disposição legal. Contudo, creio que pode-se alegar que dispositivo que impedia modificações no local (o tombamento) não existia quando o imóvel foi adquirido (não sou advogado, não conheço muita coisa de leis, então, desculpem uma eventual pixotada. Caso algum jurista, ou quem quer que se interesse pelo assunto, queira se pronunciar, sinta-se a vontade). Do outro lado, caso o poder público mantenha sua posição, defendendo a reconstrução e o tombamento do estádio, acredito que deva haver algum tipo de ressarcimento ao lado prejudicado, se assim podemos dizer, e o mais provável é que esse dinheiro virá mesmo do município. Basicamente, a situação longe de ser resolvida.

Ainda assim, uma, uma nova diretoria foi eleita agora em outubro, afirmando que já estão fazendo contatos com possíveis patrocinadores e empresários do ramo, buscando angariar fundos para que o time retorne ao futebol profissional, mas só em 2015 (sobre as categorias de base, não há informações se haverão esforços para que sejam formadas ainda em 2014). Tudo muito legal, mas a pergunta que não quer calar é; onde o time vai jogar? Ninguém tocou nesse assunto ainda. Como já foi dito, o clube não disputou nada esse ano por conta disso, e por não crer ser viável mandar partidas nas cidades vizinhas. Outra opção seria a construção de um outro estádio, mas até o momento, nada foi dito sobre isso. A bem de verdade, isso só é uma especulação de minha parte, e olhando friamente para essa ideia, logo se vê que uma possibilidade remota, mas ainda assim, é uma possibilidade. Mas vai saber...

Nisso tudo, fico com uma sensação estranha ao escrever algo que se limite a um "só nos resta esperar". De fato, vai demorar até que algo conclusivo aconteça nessa história.


sábado, 14 de setembro de 2013

Sobre Estádios

Foram mais de 2 meses sem escrever aqui, tudo por razões pessoais. Hoje, tudo isso foi superado, e poderei voltar à normalidade. Ou quase. Enfim, se as atualizações não forem tão numerosas quanto outrora, não creio que haverão períodos de seca tão grande assim. Dito isso, vamos ao que interessa.

No primeiro semestre desse ano, foi confirmado que o estádio Evandro Brembatti Calvoso receberia reformas, que o deixariam novamente apto à receber jogos, seja oficiais ou amadores. Falando só nome do estádio fica difícil ter uamá noção exata do que ele é. Trata-se do campo onde o Andradina FC mandava suas partidas. Afastado das competições da FPF desde 2000, ainda é comum ouvir falar do Foguete da Noroeste, mesmo com o clube sem ensaiar nenhum retorno. A bem de verdade, a reforma no estádio por si só não diz muita coisa sobre o retorno do futebol profissional na cidade. Essa reforma ocorreu por causa das péssimas condições do estádio, que estava praticamente abandonado, sem condições de uso para qualquer atividade.

A verba para as obras giram em torno de meio milhão de reais, e o projeto é de que o espaço possa ser usado não só para o futebol, mas também para outras atividades esportivas, assim como eventos.

Mas se as coisas estivessem só nisso, provavelmente não me daria ao trabalho de olhar muito pra isso. Não que a reforma por si só não seja boa, afinal de contas, nunca é bom ver um estádio que tem tanta história para contar ser largado ás traças, mas a bem de verdade, o maior impacto dessas medidas seria para os munícipes. O que me permite fazer suposições acerca de algo a mais é que no final do primeiro semestre, representantes da câmara municipal de Andradina estiveram na sede da FPF, para conversarem sobre um possível retorno do AFC.

Nesse primeiro momento, apenas a prefeitura se pronunciou sobre isso. Apoio do poder público é importante, mas não acredito que a prefeitura vá assumir sozinha os custos de uma iniciativa como essa. Ainda que o discurso vá na direção de procurar outros parceiros, não encontrei nada sobre o assunto, mas hei de convir que ainda é muito cedo.

Até 2014, muita coisa pode acontecer, e por mais que seja falado que muitos esforços estão sendo feitos pelo retorno do Andradina, só será possível acreditar efetivamente nisso quando as coisas estiverem mais do que encaminhadas. Preferivelmente com o time entrando em campo em uma competição oficial.


Seja como for, se o projeto for coerente, primando pela transparência e pelo bom senso, não como não torcer pelo seu sucesso, afinal, o Andradina é um dos times mais legais de todo o estado.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Camisas - União de Tambaú

Pois é, fazia tempo que não escrevia. Com tanta coisa acontecendo, fica difícil parar um pouco, algo necessário, diga-se de passagem, para dar uma matutada. Seja como for, estou pensando um artigo, uns balanços e algumas perspectivas sobre a Segunda Divisão, que farei o possível e o impossível para não protelar, como o que se viu naquele sobre a A2.

Dito isso, voltemos à rotina por aqui. Consegui pegar umas camisas faz um tempo, e essa é uma das mais especiais, e enigmáticas, diga-se, e explico isso depois.


Quem está acompanhando as divisões de acesso paulista a pouco tempo, provavelmente não conhece esse clube; trata-se do EC União, de Tambaú. Apesar de ter relativamente poucas participações nos campeonatos organizados pela FPF (13 no total, de maneira ininterrupta entre 77 e 88), é um clube muito tradicional, sendo um dos poucos que são centenários. Aqui, merece um capítulo à parte; em 2010, muito se falava no centenário do Corinthians, além é claro do Noroeste. Contudo, foram poucos os que se lembraram do União (da minha parte, sequer sabia). Quem quisesse fazer piadas clubistas, bastava dizer que tanto o Norusca como o União tinham estádio próprio (não é o caso aqui, pois afinal de contas, o SCCP possuí o Alfredo Schürig, a popular Fazendinha. A capacidade é razoável -18 mil pessoas - o que não faz jus ao tamanho da agremiação. Fundado em 25/09/1910, numa reunião no prédio do jornal "O Tambaú", sempre mandou seus jogos no simpático Alfeu Cerquetani, com capacidade aproximada para 6 mil viventes. Uma curiosidade é que o estádio fica muito, mas muito próximo mesmo (pra ser mais exato, na mesma rua) do estádio do rival EC Operário, o Alfredo Guedes.


Sobre a camisa, eu não sei se ela é um modelo de jogo. Não consegui determinar o período em que a camisa foi feita, e chuto no final dos 80 e começo dos 90. Peço que quem chegou a acompanhar a equipe, diga se o clube chegou a usar esse modelo.

No mais, fico por aqui. Em breve (pelo menos assim o espero) haverá algo novo por aqui. Até lá

terça-feira, 18 de junho de 2013

Sobre Libertadores (competições Sudacas em geral), Altitude e Colonização Espanhola

Entra ano, saí ano, começa/acaba uma Libertadores (ou Sul-Americana), e sempre, em algum momento, teremos essa discussão; a de jogar na altitude. Isso sempre foi discutido, mas desde que o Brasil perdeu para a Bolívia em La Paz, pelas Eliminatórias para a Copa de 94, o assunto ganhou força. De fato, é complicado jogar lá. Aliás, é complicado fazer uma porção de coisas a mais de 2,000 metros de altura. Todos, de jornalistas à especialistas de mesa de bar, discorrem sobre o tema. Mas nunca vi uma indagação sequer à razão original de tudo; por quê cazzo alguém resolveu construir cidades em locais de tão difícil acesso? Isso não vai alterar muita coisa na organização da Conmembol, nem fará com que o Real Potosí desça até Santa Cruz de la Sierra para mandar suas partidas continentais ao nível do mar, mas de todo jeito, julgo ser interessante saber.

Para começo de conversa, quando os espanhóis chegaram aqui, em 1492, o país passava por um momento complicado; os mouros, povo de cultura influenciada pelo islã acabava de ser expulso da Espanha, e os reis católicos teriam que lidar com uma região com uma influência muçulmana. Desafio em tanto. Enquanto isso, Colombo chegava no pedaço de terra que viria a ser conhecido como América (mas que o próprio acreditou ser a Índia). A Coroa Espanhola, procurando expandir seus domínios, além de cumprir sua missão como um reinado cristão, espalhando a fé católica pelo mundo, decide fazer das novas possessões uma extensão do que vivia na Europa.

As autoridades reais não só recomendavam, mas praticamente obrigavam que todas as cidades fossem construídas em lugares de difícil acesso em uma invasão, e cujo o clima fosse o mais parecido possível ao conhecido no Velho Mundo. A América deveria ser uma espécie de Nova Espanha, fortalecendo o nacionalismo, que era muito incipiente à época, especialmente na Espanha, que havia pouco tempo era uma região dividida entre duas forças antagônicas. Isso explica, indiretamente, o planejamento dessas cidades. A Coroa tudo regulava, e mandou diretrizes bem específicas para os colonos, que iam da localização da praça central, passando pelo ângulo que as vias deveriam sair dessa praça, até mesmo à largura das ruas, entre outras coisas. A intenção desses atos, e de muitos outros, é que o poder real se fizesse presente em um local distante, se auto afirmando em um momento que a afirmação do "ser" espanhol era extremamente importante, dado que ainda havia muita influência dos mouros entre os súditos oriundos do sul do país. Para efeito de comparação, no caso da presença portuguesa na América, a influência foi bem diversa. Desde o primeiro momento, Portugal procurava apenas lucrar, e mandou para a América pessoas que teriam chance de trazer um retorno para a Coroa Lusitana. Esses primeiros colonos tinham como objetivo tão somente lucrar, e quando fosse possível, retornar para Europa. Assim sendo, o governo só trabalhou na regulamentação do campo monetário. Cabe salientar que ao contrário da Espanha, Portugal havia consolidado seu território e uma cultura relativamente homogênea pelo menos um século antes da chegada na América, logo, a noção do "português" estava bem mais sedimentada. Na arquitetura, basta comparar alguma das primeiras cidades brasileiras, como Ouro Preto, com o centro antigo de Lima, por exemplo. Na cidade brasileira, não houve nenhuma tentativa de terraplanagem, as ruas são sinuosas, e as casas estão dispostas de qualquer maneira, conforme o gosto dos moradores. No caso espanhol, o fenômeno inverso se aplica; tudo é plano, as casas estão alinhadas e as ruas estão em ângulos retos. Sem querer fazer um juízo de valores, não houve plano melhor e plano pior, por mais que possa parecer que isso tenha sido levantado. Ambas as propostas permitiram que os europeus se fixassem por aqui, e alcançassem seus objetivos imediatos. Para todos os efeitos, a ambição da "Nova Espanha" se esvaiu com o passar do tempo, dado uma série de circunstâncias.

Seja como for, se olharmos para as primeiras cidades construídas, praticamente todas seguem esse roteiro. Abaixo da Linha do Equador, os lugares que tinham o clima mais parecido com o europeu são os que estão à milhares de metros acima do nível do mar. A primeira foi a Cidade do México, que passou formalmente para o domínio espanhol em 1521 (antes disso, era a capital asteca, Tenochtitlan), que está nos 2,241 metros. Outros exemplos dizem respeito a Quito (fundada em 1534, tem lá os seus 2,850 metros), Bogotá (fundada em 1538, fica 2, 625 mais perto das estrelas que as demais cidades do mundo - conforme o próprio motto da cidade) e La Paz (fundada em 1548, a 3,640 metros acima do nível do mar). Isso por quê falamos de capitais. No caso das bolivianas Potosí e Oruro, fundadas em 1545 e 1606, e que ficam a 4, 067 e 3, 706, respectivamente, estas foram centros de mineração, de onde a Coroa Espanhola tirou sabe-se  lá quantas toneladas de minérios, sobretudo de prata. Outras cidades fundadas ainda no século XVI, como Tegucigalpa (capital de Honduras), estão à poucos metros acima do nível do mar, mas no período, eram de difícil acesso, rodeadas por uma mata nativa que até meados do séc. XX permanecia pouco alterada.

A única exceção é Lima, no Peru, que fica no litoral, mas vale dizer que Lima só foi colocada como sede por um fator imprevisto. Os espanhóis tinham escolhido Jauja, que fica a 3, 300 metros acima do nível do mar, como sede. Contudo, os cavalos que trouxeram não conseguiram se adaptar ao local. Vale lembrar que no processo de conquista, o cavalo era uma peça muito importante, pois os nativos acreditavam que cavalo e cavaleiro eram uma única criatura, o que dava uma vantagem psicológica muito grande aos espanhóis. Vantagem tão grande e tão importante que os levaram a mudar os planos, indo para um lugar que contrariava suas diretrizes originais.

Finalizando, é algo interessante de se saber, nada mais. Pretendia fazer algo mais nessa semana, e possivelmente o farei, mas acompanharei, e tentarei participar, das manifestações por aqui. Se tiver chance, vá pra rua. Até lá.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Mais considerações

Faz tempo, eu sei, desde que prometi que teceria mais alguns comentários sobre a A2 e a A3 do Paulista. Faltou tempo, e não minto, faltou saco pra tal empreitada. Passada a tribulação, e recuperado o ânimo para apreciar isso aqui, vamos aos finalmentes, mas começando de um outro jeito.

Faz certo tempo que a A3 acabou, com o título merecido do São Bento, que voltará para a A2 esperando reeditar seu passado de glórias, quando Sorocaba era uma rota praticamente obrigatória no planejamento de viagens para a A1. Sendo derrotado em apenas 4 dos 25 jogos da competição (somando os 19 da 1ª fase com os 6 da 2ª), o clube prezou pela regularidade. Pra ser mais exato, dos 4 que subiram, 3 ocuparam as 4 primeiras posições na 1ª fase; o próprio São Bento, Batatais (3º) e Itapirense (4°). O 2º colocado, no caso, o Flamengo de Guarulhos, perdeu a chance do acesso por apenas 1 ponto, no caso para o Marília, que havia sido o 6º na fase anterior.

Da parte dos outros clubes que subiram, é interessante ver o Batatais,que ficou com o vice e conseguiu o acesso de maneira inesperada até (pelo menos para mim, que não o colocava entre os favoritos à subir). Ainda que tenha desperdiçado a chance de ser campeão (havia a possibilidade de vencer o São Bento em Sorocaba, mas é certo que a chance de ouro estava dentro do Oswaldo Scatena - que foi desperdiçada com um revés por 3 x 1). Não foi brilhante, mas sofrer apenas 28 gols ao longo de toda a competição é algo digno de nota. Menos gols ainda sofreu o Marília...ou melhor, sofreu apenas um gol a menos. Seja como for, a maior parte dos anos desse século não têm sido muito amigáveis ao torcedor do MAC. Depois de ver seu clube sair da A1 e deixar de disputar competições nacionais, esse acesso pode representar algo mais. No mais, também é interessante ver a ascensão da Itapirense, que voltou ao profissionalismo em 2005, e 9 anos após o retorno, já está na A2. Não sou o maior conhecedor do futebol de Itapira, mas acho que nenhuma equipe da cidade chegou tão longe.

Estes ocuparão na A2 as vagas que foram deixadas por Noroeste, São Carlos, Santacruzense e Juventus, cada qual com um quadro próprio (o que é natural, diga-se de passagem). Sobre o Noroeste, bem, gosto de compará-lo com a Portuguesa do ano passado; da Barcelusa à rebaixada no Paulista. Explico melhor; o Norusca venceu a Copa Paulista (erguendo a taça na casa do rival, no caso o Audax - que veja só, subiu), garantiu uma vaga na Copa Paulista, e na A2 garantiu uma vaga na A3. Ironicamente, o Norusca só entrou na zona de descenso na última rodada. Da parte de São Carlos e Santacruzense, os dois beiraram o rebaixamento ano passado, logo, se não houvessem mudanças drásticas, a lógica seria implacável. Evidentemente, a lógica prevaleceu (no caso da Santacruzense, a situação era bem mais periclitante, dado que o clube passava - ou melhor, passa - por sérias dificuldades econômicas). Por fim, o Juventus. O torcedor juventino viveu um desastre, no mínimo. Como todo clube promovido, a principal meta é não cair, mas esperava-se ao menos que o clube brigasse por alguma coisa, uma classificação para a 2ª fase, por exemplo. Mas o que se viu foi um elenco fraco de dar dó, e quando se viu que a molecada da base tinha algum potencial, era tarde demais. A se lamentar também a perca do grande Sérgio Mangiullo, torcedor emblemáticos do Juventus.

Ainda na A2, menção honrosa à permanência do Rio Branco, menção mais honrosa ainda ao Capivariano, que não só foi digno, como brigou pelo acesso até o final, e só não levou no saldo de gols (afinal, não tinha como superar o Comercial depois dos 7 x 0 que este aplicou na Portuguesa). Menção nada honrosa à Ferroviária, que só escapou do rebaixamento no saldo de gols (-5 contra -6 do Noroeste). Que olhem os exemplos de São Carlos e Santacruzense para não caírem no mesmo erro.

Voltando para a A3, no que tange o grupo dos que permanecerão por aqui em 2014, muita coisa aconteceu. Por exemplo, o Flamengo perdeu a chance do acesso, mas viu o despertar de um ícone, o atacante Jackson, que após um jogo em que marcou 5 gols (os 5 x 2 contra a Francana), ganhou o apodo de "Jackson Five". Nessa toada, o atacante converteu outros 15 gols (grande parte deles comemoradas com coreografias isso depois do apelido), e terminou como o artilheiro da A3. Considerando que o Flamengo marcou um total de 49, a importância que Jackson Five para a equipe é óbvia. Achei válida a sacada, mas ao que tudo indica, o pessoal da Rede Vida discorda de mim, dado que preferiam uma alcunha em bom português (o que no frigir dos ovos, revela um certo desconhecimento de cultura pop). Da Rede Vida, e das transmissões em geral, essas quero destacar mais tarde. Também quero destacar a campanha do Joseense, que de candidato ao rebaixamento, acabou fazendo uma campanha mais do que digna, e brigou até o final por uma classificação para a 2ª fase. Aproveitando o gancho, dos clubes que subiram da Segunda Divisão, apenas o São Vicente não conseguiu permanecer na A3. Apesar de terem conseguido ao menos ficar, ainda assim me decepcionei um pouco com Votuporanguense e Novorizontino, mas como já foi dito, o objetivo principal foi obtido.

Dos rebaixados para Segunda Divisão de 2013, São Vicente, Palmeiras B, Barretos e União São João não demonstraram em momento algum que poderiam ter um destino diferente. Destes, o único que não jogará a B ano que vem é o Palmeiras B, que foi dissolvido pela matriz (contei sobre o último jogo da equipe, é só clicar aqui). O Barretos, que subiu de maneira polêmica, volta à Segundona em menos tempo que eu esperava (achava que o time ficaria na A3 um tempo até conseguir galgar o acesso para a A2). Da parte do São Vicente, estes romperam com a parceira (ou foi a parceira quem rompeu com o clube. Pessoalmente, acredito que foi um processo mútuo), que havia montado o elenco que foi vice-campeão da Segunda Divisão de 2012. Já o União São João será membro do grupo daqueles que jogaram todas as divisões do Paulista, mas pela porta dos fundos. Talvez a queda tenha sido mais acentuada pelo fato de que o União já alcançou a 1ª do Brasileiro. É um choque muito grande, de fato, e torço para que se recuperem disso.

Dito tudo isso, fico por aqui. Reconheço que isso aqui saiu muito, mas muito tempo depois dos fatos descritos. Seja como for, há mais por vir. Até lá.