terça-feira, 21 de abril de 2015

Início da Segundona 2015 (ou o Retorno do Futebol Interiorano)



Buenas. Cá estou, escrevendo na primeira pessoa, depois de quase 1 ano sem postar absolutamente nada. Houveram vários motivos para isso: faltou tempo, e passei por um período deprimente na minha vida. Seja como for, estou de volta, com ânimo renovado, para viajar e escrever, e o primeiro episódio dessa nova etapa foi o início da GENIAL Segunda Divisão Paulista. Aqui cabe um adendo: apesar do nome, o campeonato equivale à 4ª Divisão (Séries A1, A2, A3 e B, ou Segunda Divisão). A explicação pode ser óbvia para aqueles que acompanham o futebol alternativo, mas depois de tanto tempo sem escrever, vai demorar até recuperar esse público, então creio ser válido esse tipo de esclarecimento.

A partida em questão foi entre EC São Bernardo e Grêmio Mauaense, nesse derby do ABC. Pra começo de conversa, fiquei contente em saber que o Bernô - que é o ÚNICO time de São Bernardo que pode usar esse apelido - competiria, isso porquê a direção da agremiação tratava como certa a não participação no certame desse ano, dada a falta de condições financeiras para tal. Mas no final tudo se acertou, graças a uma parceira firmada entre o clube e uma empresa, o que é uma prática comum nessa divisão. A parceria é tão estreita à ponto do time treinar na cidade sede da empresa, no caso, Atibaia, muito por conta das dificuldades em se achar locais de treino adequados no ABC. Ainda que isso possa dar indícios de uma futura mudança de cidade, a diretoria garante que não tem planos de sair da região. Da parte do Mauaense, novamente há aposta no futebol amador da cidade, um dos mais fortes do ABC. Isso se dá graças à atual direção, cujo presidente ocupou por alguns anos esse mesmo cargo na Liga Mauaense de Futebol, e para esse ano ainda tem a parceria com o São Caetano, que cederá parte do time que competiu na Copinha São Paulo. Ah, isso dá espaço para outro comentário: a Segunda Divisão Paulista possuí um "modelo olímpico" de disputa, em que cada time pode ter apenas 3 atletas acima de 23 anos entre os 11 em campo. Isso dá muita velocidade às partidas, pelo menos nas que são disputadas em horários com temperaturas amenas, isso porquê é simplesmente impossível correr loucamente às 10h da manhã em algum rincão desse estado. O horário da partida em questão foi às 20h de uma sexta feira, um pré-rolê sensacional (ainda que no meu caso não seria muito útil, pois trabalharia no dia seguinte).

Saí de casa às 18h30, por pura vadiagem, e pela ideia de que não havia muito o que fazer em São Bernardo antes do jogo, e também não queria gastar muito dinheiro. Há um parque legal perto do estádio, o Cittá di Maróstica, bom pra dar uma espairecida, e com uma área bem interessante pra quem pratica atividades físicas, inclusive com pistas de skate, aparentemente boas, na opinião do leigo aqui que se limita a observar tudo, mas nesse dia estava de folga, então já tinha espairecido muito (e dias de folga são cultos ao ócio, logo, sem atividades físicas). No mais, havia me esquecido que há um Sebo bem legal perto do estádio, fato que julgo ser único aqui no estado. Nesse Sebo, do seu Matias, podem ser encontrados uma série de objetos legais, além do fato do dono ser um sujeito muito simpático. Seu sócio, se assim podemos dizer, e que por puro lapso me esqueci o nome, cuida do restante do acervo do Sebo, os livros no caso. O fato é que ambos são dois dos maiores fãs de Raul Seixas que conheço.

Bem, cheguei no Baetão às 19h55, achando que daria tempo de ver os times possando e fingir demência durante a cerimônia cívica do hino nacional, no entanto, a partida começou antes do horário marcado, fato nem um pouco usual. Iniciada a peleja, fui identificando as coisas: a princípio, os amigos (o que gerou uma foto sensacional no final da partida), depois a torcida, e por fim, a partida em si, em um processo que se durou 4 minutos, foi muito. Apesar de ser referido no aumentativo, o Baetão é uma cancha com um jeito extremamente familiar, e a atmosfera da partida colaborava para isso: foram 90 os pagantes, sendo que a maior parte eram familiares dos atletas dos dois times, que dividiram a arquibancada coberta sem nenhum problema. Do outro lado, na descoberta, estavam as torcidas dos dois clubes, que tinham 10 indivíduos somadas as duas, sendo que todos se conheciam, e juntos desses, os elementos neutros, que também se conheciam e conheciam os torcedores. Foi no mínimo engraçado ver um jogo em estádio nessas circunstâncias, assim como ver as faixas das duas torcidas no mesmo setor da arquibancada. No mais, identifiquei os times em campo, o mandante jogando de camisas e calções azuis com meiões brancos e os visitantes jogando de camisas e calções brancos com meias azuis, e assim os 4 minutos de assimilação das informações foram resumidos em um parágrafo.

Cobertas do Baetão, onde ficaram misturadas as famílias dos atletas dos dois times. À esquerda, a arquibancada em que torcedores e admiradores do futebol alternativo ficaram.

Feitas essas observações perspicazes, estava satisfeito com minhas capacidades cognitivas, quando fui comunicado que errei as cores dos times em campo, um erro dos mais burros em se tratando de futebol. Depois de algum tempo, cheguei a conclusão de que não sou tão burro (ou que os que estavam à minha volta eram tão burros quanto) pois esse engano foi geral. Isso se deu pelo fato do São Bernardo estar de meiões azuis. Ainda que a camisa do time tradicionalmente seja alvi-negra,  o Bernô jogou de azul ano passado, fato que terá explicação depois. A confusão ocorreu devido à solicitação do Sr. Juiz solicitar a troca dos meiões, pois os do Mauaense, com seu tom escuro, poderiam causar confusão com os shorts e meias negras do homem do apito. Sobre o São Bernardo jogar de azul, explica-se: em 2014 o time lançou um uniforme dessa cor, e foi senso comum que a intenção foi relembrar os anos 80, quando se fundiu com o Aliança, potência do futebol amador do período, e ficou com seu uniforme idêntico com o do Grêmio, mas cabe dizer que a lembrança foi involuntária, já que em 2014 o Bernô só jogou assim por causa de um dirigente gremista. Foi um raro caso em que uma homenagem diz respeito a dois episódios, mas só em um ela é voluntária.

Todas essas reflexões se passavam enquanto o jogo rolava, com o São Bernardo com mais posse de bola, mas sofrendo com os ataques do Grêmio, que meteu uma bola no travessão depois de uma bola alçada, por volta dos 15 min., na única jogada pela esquerda realmente efetiva do Grêmio no 1º tempo. Os mauaenses não eram pensos pra um só lado do ataque, mas a medida que a esquerda não funcionava, o time caía mais pra direita, mas vez ou outra invertia a jogada pra ver no que dava. Enquanto isso, os mandantes procuravam saber o que fazer com a bola, tentando se infiltrar na área visitante de tudo quanto é jeito, sobretudo com balões não muito efetivos. Da parte dos visitantes, houve uma leve queda no ímpeto, que gerou uma brusca queda na incisão das ações, e o primeiro tempo terminou de um jeito bem morno.

O intervalo passou rápido, graças a ótima resenha com os amigos de arquibancada, regada a futebol, alternativo e não alternativo. O segundo tempo começou em alto ritmo, com as duas equipes mais ligadas que na 1ª etapa, sobretudo o São Bernardo, que começava a finalizar com certo perigo, mas foi justamente nesse momento da partida que um pênalti foi anotado para os visitantes (a meu ver, de maneira bem mandrake), e Cauê, que por sinal sofreu a falta, converteu o penal e colocou os visitantes na frente, nesse que foi o primeiro e último ataque consistente do Mauaense no 2º tempo. A partir do gol, o São Bernardo melhorou muito, encurralando o escrete de Mauá em seu campo defensivo. Essa pressão acabou culminando na expulsão do volante Cláudio, que conforme observação da torcida, colecionou sua segunda expulsão em seus dois jogos disputados pelo clube. Um recorde. Como era de se esperar, a expulsão deu mais espaços para o Bernô, que chegou ao empate com um gol de Bill, que recebeu a bola depois de bela jogada pela direita, em um momento em que o Grêmio estava com apenas 9 em campo, já que um jogador estava recebendo atendimento na lateral.

E assim terminou uma das partidas inaugurais da Segundona 2015 - a outra foi Fernandópolis 1 x  2 Grêmio Prudente, com gol de Muller, aquele mesmo -, e se o nível se mantiver, tenho certeza de que será um campeonato sensacional. Pra encerrar, fica um registro feito pelo Fernando do Jogos Perdidos, com um quorum mais do que respeitável. Saludos.

De pé: Samuel, Leandro Oliveira, Mario Gonçalves, Colucci, Espina, Rafael Lima, Renato Rocha, Folego e Fernando Martinez;
agachados: Pedro Faian, Raul Burgo, Rodrigo Leite, Pucci, Bruno Lopes, Milton e eu.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Satisfações

Antes de tudo, peço desculpas. Desde novembro que não há novidades por aqui, ou sequer uma nota informando o por quê disso estar parado. Bem, há uma série de fatores. O primeiro é que esse espaço não é meu ganha pão. Sempre me recusei a colocar qualquer tipo de publicidade aqui, pois quando isso virasse um serviço acho que não daria certo. Admito que possa estar enganado a esse respeito, mas seguirei sem publicidade. Por conta da necessidade de dinheiro, tive de ir trabalhar, e arrumei um emprego que não me dava disponibilidade de tempo, e me impedia de ir em estádios. Não acho que seria possível escrever sobre futebol sem ir ver jogos ao vivo, sobretudo da Segunda Divisão do Paulista. E há também motivos pessoais de outra ordem.

Sei que perdi muitos leitores, a maior parte deles. Pretendo voltar a escrever com mais assiduidade, mas não prometo nada. Das últimas vezes que tentei fazer isso, não consegui cumprir. Além do mais, fui convidado a colaborar no site Doentes por Futebol, o qual eu recomendo. Para os que se interessam por coisas mais mainstream, há bastante conteúdo de qualidade lá. Da minha parte, as temáticas que trabalho lá são semelhantes ao que se acostumaram a ver aqui. Em relação a este espaço, vou focar no futebol do interior de SP. Voltando a frequentar partidas, terei contato com de fato com a realidade do futebol interiorano.

Não escrevi isso aqui querendo algum tipo de apoio, ou pedidos para continuar com isso. Só queria dar uma satisfação para todos os que visitam esse blog. Agradeço a todos pela atenção, e veremos o que será do futuro.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Epílogo (atrasado) da B do Paulista, edição 2013

A Segunda Divisão acabou faz um tempo já, e cá estou, com certo atraso, falando disso. A Matonense reverteu um resultado que parecia irreversível. Quando o Água Santa sapecou o clube de Matão por 5 x 2, muitos (eu inclusive) acreditavam que o título ficaria no "D" do ABC (que oficialmente é conhecido como ABCD, e se formos generosos, aí se incluí o MRR - Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra). Mas havia um fator que não podia ser ignorado, no caso, o técnico da Matonense, o ilustre Luís Carlos Ferreira, exímio conhecedor das divisões de acesso e inventor de mandingas. Seja lá o que Ferreira tenha feito com os jogadores, deu certo; os 4 x 0 aplicados no Água Santa foram surpreendentes. Não lembro de nenhum jogo em que a equipe de Diadema tivesse tomado 3 gols ou mais, ainda mais sofrer com bolas alçadas, que originaram 3 dos gols (Alamir - 30'1T e 18'2T, Guilherme - 14'2T) da SEMA, que só pra contrariar, marcou o último num contra-ataque (com João Gabriel, aos 42'2T), num momento em que o Água Santa atacava desembestadamente.

Também é válido destacar a torcida, ou melhor, "as" torcidas. Durante o campeonato inteiro, Matonense, e sobretudo, Água Santa, estavam no topo no que diz respeito à média de público. Por isso, não dava para esperar algo diferente na final, onde o estádio Hudson Buck Ferreira recebeu exatos 6, 197 mil pagantes, mas acredito que dê para colocar aproximadamente 7 mil, se considerarmos os não pagantes.

Com tudo isso, é possível dizer que tivemos uma boa Bzinha. Melhor dizendo, é raro poder afirmar que tivemos uma Bzinha ruim. Sempre dá pra tirar algo de bom dela. Para o ano que vem, teremos (ou espera-se) a companhia dos rebaixados da A3, São Vicente (que fez um bate volta), Barretos (que ficou 2 anos na A3) e daquele que podemos dizer que é o mais novo integrante daquele grupo de times foram do céu ao inferno em pouquíssimo tempo; o União São João de Araras. Acho que todos nós sentiremos um estranhamento quando virmos o União na Série B do Paulista em 2014, especialmente se lembrarmos que há 20 anos o clube disputava a 1ª Divisão do Brasileiro. O outro rebaixado, o Palmeiras B, foi dissolvido pelo Palmeiras "A" (até - tentei - escrever algo decente sobre o último jogo do Palmeiras B, e pode ser visto aqui). Para a A3 2014, além dos dois finalistas da B 2013, veremos Tupã (que finalmente saiu da B) e Cotia (que surpreendentemente saiu da B).

Há muito ainda que pode ser citado, esmiuçado e analisado, mas fica pra uma próxima. Até lá.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Jaboticabal Atlético - Um possível recomeço?

A Segunda Divisão está em sua reta final, e estamos aguardando a grande final, que envolverá os dois times de melhor campanha na competição; Matonense e Água Santa, que subiram junto de Tupã e Cotia. Ou seja, mais duas semanas de Segundona, e depois, atenções o brioso Sub-20 da categoria, além é claro, para os clubes que participarão (ou não) da próxima edição do certame. Tradicionalmente, a Segunda Divisão começa em meados de abril/maio, mas como ano que vem teremos Copa, não sabemos ao certo o que haverá. Colocando em miúdos, ainda há muito o que se olhar.

Indo nessa direção, fica difícil ignorar o Jaboticabal Atlético. Há um artigo aqui, feito no final do ano passado, que fala da demolição e tombamento do estádio do clube, o Dr. Robert Todd Locke. Resumindo a situação, o estádio foi a leilão, para que o clube arrecadasse verba para que pudesse pagar suas dívidas. Contudo, o processo do leilão não foi dos mais tranquilos, passando por idas e vindas, e até mesmo com um tombamento do estádio. Enquanto a situação permanecia indefinida, o Jaboticabal mandou seus jogos lá em 2012, e especulava-se que a equipe fizesse o mesmo em 2013. Contudo, o estádio foi demolido (especula-se que sob mando de Valdecir Garbim, que adquiriu o imóvel no leilão), o que inviabilizou a participação do Jotão em qualquer competição (já que mandar partidas nas cidades vizinhas fosse algo fora de cogitação para os padrões financeiros do clube). A vara civil da cidade emitiu uma liminar que impede o progresso da demolição do estádio, por julgar que o processo ainda não foi concluído. Enquanto isso, Garbim afirma que pode dispor do terreno como bem quiser, pois o comprou.

A meu ver, esse é o ponto capital; discute-se a demolição, não a posse. Quando o imóvel foi comprado, ele não ainda não tinha sido tombado. Não creio que alguém sem nenhum tipo de envolvimento algum com o clube compraria uma área do tipo  se houvesse um impedimento legal para o usufruto total do bem adquirido, incluindo a possibilidade de reformulação integral do espaço. Da parte do atual proprietário, há de se convir que foi muita imprudência ter demolido o estádio em meio à uma situação jurídica ainda não definida.

E no meio disso tudo, discute-se a possibilidade de reconstrução. Mas em meio a essa discussão, deve-se perguntar; quem vai pagar por isso? Em tese, a responsabilidade, seria do atual proprietário, que ignorou uma disposição legal. Contudo, creio que pode-se alegar que dispositivo que impedia modificações no local (o tombamento) não existia quando o imóvel foi adquirido (não sou advogado, não conheço muita coisa de leis, então, desculpem uma eventual pixotada. Caso algum jurista, ou quem quer que se interesse pelo assunto, queira se pronunciar, sinta-se a vontade). Do outro lado, caso o poder público mantenha sua posição, defendendo a reconstrução e o tombamento do estádio, acredito que deva haver algum tipo de ressarcimento ao lado prejudicado, se assim podemos dizer, e o mais provável é que esse dinheiro virá mesmo do município. Basicamente, a situação longe de ser resolvida.

Ainda assim, uma, uma nova diretoria foi eleita agora em outubro, afirmando que já estão fazendo contatos com possíveis patrocinadores e empresários do ramo, buscando angariar fundos para que o time retorne ao futebol profissional, mas só em 2015 (sobre as categorias de base, não há informações se haverão esforços para que sejam formadas ainda em 2014). Tudo muito legal, mas a pergunta que não quer calar é; onde o time vai jogar? Ninguém tocou nesse assunto ainda. Como já foi dito, o clube não disputou nada esse ano por conta disso, e por não crer ser viável mandar partidas nas cidades vizinhas. Outra opção seria a construção de um outro estádio, mas até o momento, nada foi dito sobre isso. A bem de verdade, isso só é uma especulação de minha parte, e olhando friamente para essa ideia, logo se vê que uma possibilidade remota, mas ainda assim, é uma possibilidade. Mas vai saber...

Nisso tudo, fico com uma sensação estranha ao escrever algo que se limite a um "só nos resta esperar". De fato, vai demorar até que algo conclusivo aconteça nessa história.


sábado, 14 de setembro de 2013

Sobre Estádios

Foram mais de 2 meses sem escrever aqui, tudo por razões pessoais. Hoje, tudo isso foi superado, e poderei voltar à normalidade. Ou quase. Enfim, se as atualizações não forem tão numerosas quanto outrora, não creio que haverão períodos de seca tão grande assim. Dito isso, vamos ao que interessa.

No primeiro semestre desse ano, foi confirmado que o estádio Evandro Brembatti Calvoso receberia reformas, que o deixariam novamente apto à receber jogos, seja oficiais ou amadores. Falando só nome do estádio fica difícil ter uamá noção exata do que ele é. Trata-se do campo onde o Andradina FC mandava suas partidas. Afastado das competições da FPF desde 2000, ainda é comum ouvir falar do Foguete da Noroeste, mesmo com o clube sem ensaiar nenhum retorno. A bem de verdade, a reforma no estádio por si só não diz muita coisa sobre o retorno do futebol profissional na cidade. Essa reforma ocorreu por causa das péssimas condições do estádio, que estava praticamente abandonado, sem condições de uso para qualquer atividade.

A verba para as obras giram em torno de meio milhão de reais, e o projeto é de que o espaço possa ser usado não só para o futebol, mas também para outras atividades esportivas, assim como eventos.

Mas se as coisas estivessem só nisso, provavelmente não me daria ao trabalho de olhar muito pra isso. Não que a reforma por si só não seja boa, afinal de contas, nunca é bom ver um estádio que tem tanta história para contar ser largado ás traças, mas a bem de verdade, o maior impacto dessas medidas seria para os munícipes. O que me permite fazer suposições acerca de algo a mais é que no final do primeiro semestre, representantes da câmara municipal de Andradina estiveram na sede da FPF, para conversarem sobre um possível retorno do AFC.

Nesse primeiro momento, apenas a prefeitura se pronunciou sobre isso. Apoio do poder público é importante, mas não acredito que a prefeitura vá assumir sozinha os custos de uma iniciativa como essa. Ainda que o discurso vá na direção de procurar outros parceiros, não encontrei nada sobre o assunto, mas hei de convir que ainda é muito cedo.

Até 2014, muita coisa pode acontecer, e por mais que seja falado que muitos esforços estão sendo feitos pelo retorno do Andradina, só será possível acreditar efetivamente nisso quando as coisas estiverem mais do que encaminhadas. Preferivelmente com o time entrando em campo em uma competição oficial.


Seja como for, se o projeto for coerente, primando pela transparência e pelo bom senso, não como não torcer pelo seu sucesso, afinal, o Andradina é um dos times mais legais de todo o estado.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Camisas - União de Tambaú

Pois é, fazia tempo que não escrevia. Com tanta coisa acontecendo, fica difícil parar um pouco, algo necessário, diga-se de passagem, para dar uma matutada. Seja como for, estou pensando um artigo, uns balanços e algumas perspectivas sobre a Segunda Divisão, que farei o possível e o impossível para não protelar, como o que se viu naquele sobre a A2.

Dito isso, voltemos à rotina por aqui. Consegui pegar umas camisas faz um tempo, e essa é uma das mais especiais, e enigmáticas, diga-se, e explico isso depois.


Quem está acompanhando as divisões de acesso paulista a pouco tempo, provavelmente não conhece esse clube; trata-se do EC União, de Tambaú. Apesar de ter relativamente poucas participações nos campeonatos organizados pela FPF (13 no total, de maneira ininterrupta entre 77 e 88), é um clube muito tradicional, sendo um dos poucos que são centenários. Aqui, merece um capítulo à parte; em 2010, muito se falava no centenário do Corinthians, além é claro do Noroeste. Contudo, foram poucos os que se lembraram do União (da minha parte, sequer sabia). Quem quisesse fazer piadas clubistas, bastava dizer que tanto o Norusca como o União tinham estádio próprio (não é o caso aqui, pois afinal de contas, o SCCP possuí o Alfredo Schürig, a popular Fazendinha. A capacidade é razoável -18 mil pessoas - o que não faz jus ao tamanho da agremiação. Fundado em 25/09/1910, numa reunião no prédio do jornal "O Tambaú", sempre mandou seus jogos no simpático Alfeu Cerquetani, com capacidade aproximada para 6 mil viventes. Uma curiosidade é que o estádio fica muito, mas muito próximo mesmo (pra ser mais exato, na mesma rua) do estádio do rival EC Operário, o Alfredo Guedes.


Sobre a camisa, eu não sei se ela é um modelo de jogo. Não consegui determinar o período em que a camisa foi feita, e chuto no final dos 80 e começo dos 90. Peço que quem chegou a acompanhar a equipe, diga se o clube chegou a usar esse modelo.

No mais, fico por aqui. Em breve (pelo menos assim o espero) haverá algo novo por aqui. Até lá

terça-feira, 18 de junho de 2013

Sobre Libertadores (competições Sudacas em geral), Altitude e Colonização Espanhola

Entra ano, saí ano, começa/acaba uma Libertadores (ou Sul-Americana), e sempre, em algum momento, teremos essa discussão; a de jogar na altitude. Isso sempre foi discutido, mas desde que o Brasil perdeu para a Bolívia em La Paz, pelas Eliminatórias para a Copa de 94, o assunto ganhou força. De fato, é complicado jogar lá. Aliás, é complicado fazer uma porção de coisas a mais de 2,000 metros de altura. Todos, de jornalistas à especialistas de mesa de bar, discorrem sobre o tema. Mas nunca vi uma indagação sequer à razão original de tudo; por quê cazzo alguém resolveu construir cidades em locais de tão difícil acesso? Isso não vai alterar muita coisa na organização da Conmembol, nem fará com que o Real Potosí desça até Santa Cruz de la Sierra para mandar suas partidas continentais ao nível do mar, mas de todo jeito, julgo ser interessante saber.

Para começo de conversa, quando os espanhóis chegaram aqui, em 1492, o país passava por um momento complicado; os mouros, povo de cultura influenciada pelo islã acabava de ser expulso da Espanha, e os reis católicos teriam que lidar com uma região com uma influência muçulmana. Desafio em tanto. Enquanto isso, Colombo chegava no pedaço de terra que viria a ser conhecido como América (mas que o próprio acreditou ser a Índia). A Coroa Espanhola, procurando expandir seus domínios, além de cumprir sua missão como um reinado cristão, espalhando a fé católica pelo mundo, decide fazer das novas possessões uma extensão do que vivia na Europa.

As autoridades reais não só recomendavam, mas praticamente obrigavam que todas as cidades fossem construídas em lugares de difícil acesso em uma invasão, e cujo o clima fosse o mais parecido possível ao conhecido no Velho Mundo. A América deveria ser uma espécie de Nova Espanha, fortalecendo o nacionalismo, que era muito incipiente à época, especialmente na Espanha, que havia pouco tempo era uma região dividida entre duas forças antagônicas. Isso explica, indiretamente, o planejamento dessas cidades. A Coroa tudo regulava, e mandou diretrizes bem específicas para os colonos, que iam da localização da praça central, passando pelo ângulo que as vias deveriam sair dessa praça, até mesmo à largura das ruas, entre outras coisas. A intenção desses atos, e de muitos outros, é que o poder real se fizesse presente em um local distante, se auto afirmando em um momento que a afirmação do "ser" espanhol era extremamente importante, dado que ainda havia muita influência dos mouros entre os súditos oriundos do sul do país. Para efeito de comparação, no caso da presença portuguesa na América, a influência foi bem diversa. Desde o primeiro momento, Portugal procurava apenas lucrar, e mandou para a América pessoas que teriam chance de trazer um retorno para a Coroa Lusitana. Esses primeiros colonos tinham como objetivo tão somente lucrar, e quando fosse possível, retornar para Europa. Assim sendo, o governo só trabalhou na regulamentação do campo monetário. Cabe salientar que ao contrário da Espanha, Portugal havia consolidado seu território e uma cultura relativamente homogênea pelo menos um século antes da chegada na América, logo, a noção do "português" estava bem mais sedimentada. Na arquitetura, basta comparar alguma das primeiras cidades brasileiras, como Ouro Preto, com o centro antigo de Lima, por exemplo. Na cidade brasileira, não houve nenhuma tentativa de terraplanagem, as ruas são sinuosas, e as casas estão dispostas de qualquer maneira, conforme o gosto dos moradores. No caso espanhol, o fenômeno inverso se aplica; tudo é plano, as casas estão alinhadas e as ruas estão em ângulos retos. Sem querer fazer um juízo de valores, não houve plano melhor e plano pior, por mais que possa parecer que isso tenha sido levantado. Ambas as propostas permitiram que os europeus se fixassem por aqui, e alcançassem seus objetivos imediatos. Para todos os efeitos, a ambição da "Nova Espanha" se esvaiu com o passar do tempo, dado uma série de circunstâncias.

Seja como for, se olharmos para as primeiras cidades construídas, praticamente todas seguem esse roteiro. Abaixo da Linha do Equador, os lugares que tinham o clima mais parecido com o europeu são os que estão à milhares de metros acima do nível do mar. A primeira foi a Cidade do México, que passou formalmente para o domínio espanhol em 1521 (antes disso, era a capital asteca, Tenochtitlan), que está nos 2,241 metros. Outros exemplos dizem respeito a Quito (fundada em 1534, tem lá os seus 2,850 metros), Bogotá (fundada em 1538, fica 2, 625 mais perto das estrelas que as demais cidades do mundo - conforme o próprio motto da cidade) e La Paz (fundada em 1548, a 3,640 metros acima do nível do mar). Isso por quê falamos de capitais. No caso das bolivianas Potosí e Oruro, fundadas em 1545 e 1606, e que ficam a 4, 067 e 3, 706, respectivamente, estas foram centros de mineração, de onde a Coroa Espanhola tirou sabe-se  lá quantas toneladas de minérios, sobretudo de prata. Outras cidades fundadas ainda no século XVI, como Tegucigalpa (capital de Honduras), estão à poucos metros acima do nível do mar, mas no período, eram de difícil acesso, rodeadas por uma mata nativa que até meados do séc. XX permanecia pouco alterada.

A única exceção é Lima, no Peru, que fica no litoral, mas vale dizer que Lima só foi colocada como sede por um fator imprevisto. Os espanhóis tinham escolhido Jauja, que fica a 3, 300 metros acima do nível do mar, como sede. Contudo, os cavalos que trouxeram não conseguiram se adaptar ao local. Vale lembrar que no processo de conquista, o cavalo era uma peça muito importante, pois os nativos acreditavam que cavalo e cavaleiro eram uma única criatura, o que dava uma vantagem psicológica muito grande aos espanhóis. Vantagem tão grande e tão importante que os levaram a mudar os planos, indo para um lugar que contrariava suas diretrizes originais.

Finalizando, é algo interessante de se saber, nada mais. Pretendia fazer algo mais nessa semana, e possivelmente o farei, mas acompanharei, e tentarei participar, das manifestações por aqui. Se tiver chance, vá pra rua. Até lá.