terça-feira, 7 de setembro de 2010

O Time dos Motoristas


O título do texto pode indicar uma nova fanforrinice do blog, mas não é não, muito pelo contrário, é uma singela homenagem a um dos times mais tradicionais do Nordeste. Há exatos 74 anos, no "dia que D. Pedro I proclamou a independência do Brasil" (quem lê essa bagaça sabe do que estamos falando), taxitas de João Pessoa, Paraíba, taxistas das praças da cidade, ansiando por jogar futebol, fundaram um time profissional, o Auto Esporte Clube!!!

O Clube do Povo é um dos maiores vencedores do Campeonato Paraibano, com 6 conquistas, e continuou sendo o Clube do Povo depois de uma seca de 29 anos (58-87), sendo que a última foi em 92. Bem, o clube está passando por outra seca, mas nesse intervalo fez uma excursão pela Europa. Entretanto, uma forte crise baixou no Almeidão, que culminou no rebaixamento em 04. Todavia, o clube subiu em 06, e com título!


Torcedores da Velha Guarda comemorando o título na praia, com muito sol e cerveja


Tudo parecia que se encaminharia, mas...esse ano, o clube abriu mão de disputar a Copa da Paraíba, com o argumento de estar se planejando para 2011. Mas festividade é festividade, e o presidente Clécius Gomes prometeu uma festa daquelas, que começou com uma amistoso às 9:00 e que deve estar durando até esse exato momento ( 20:33 ). Todos esperam o ano que vem, que não está tão longe assim, com esperança de que dias melhores para o Macaco virão.

domingo, 5 de setembro de 2010

Extremismo

Desde a queda do bloco soviético, no no final dos anos 80 começo dos 90, muita coisa mudou. A região passou por um período em que foi governada por regimes "comunistas" degenerados. Degenarados porque não se inspiravam no pensamento de Marx, Engels e tantos outros que contribuiram para a Revolução. Tais regimes foram denominados "estalinistas" (numa grafia aportuguesada), nome vindo do líder soviético Josef Stalin, que entre outras coisas, defendeu a tese do "Socialismo num só país", e perseguiu ferozmente qualquer um que se opussese a isso,

O que é considerado como Leste Europeu

e para conseguir reprimir com eficifência, aumentou a Máquina Estatal, sendo que a teoria marxista defende a criação de um Estado Operário, que dividirá os meios de produção entre os trabalhadores, e com o passar do tempo, tal Estado será dissolvido, já que o Estado em si é entendido como uma ferramente de opressão e defesa de interesse, só que nessa etapa defenderá os interesses da maioria, ao contrário dos atuais Estados. E sobre o "socialismo num país só", um Estado Operário é incapaz de sobreviver sozinho, pois não produz para obter lucro, mas para atender as necessidades das pessoas, e um Estado desse tipo cercado de outros que possuem uma lógica totalmente oposta é incapaz de se manter. Para uma Revolução contra o capitalismo prosperar, ela deve ser global. Não que a Revolução num país só deva ser descartada, mas ela deve desencadear um processo revolucionário mais amplo.
Além disso, o comunismo defende a extinção de um grupo que tenha primazia sobre o resto da população, que numa palavra só, são as "elites", mas os Estados Estalinistas fizeram justamente o contrário, introduzindo uma elite, que se não eram os patrões, comerciantes, burgueses de todo o tipo, eram os altos funcionários do governo. Resumindo a ópera, esses regimes não podem ser chamados de "comunistas" na acepção verdadeira da palavra, pois não fizeram quase nada do que de fato é "comunismo".
"Quase", pois embora tivessem todos esses defeitos, conseguiram vários progressos, principalmente em relação aos serviços públicos. A União Soviética foi o primeiro país do mundo a acabar com o desemprego, e todos esses países tinham alguns dos melhores sitemas de saúde, educação, transportes, entre outros, vistos no mundo. Tanto que numa pesquisa recente entre habitantes da antiga Alemanha Oriental, pessoas estas que conseguiram ascender para a classe média, afirmaram prefirir o antigo regime, pois mesmo nesse comunismo degenerado, não se via miséria, e não se pagava para ter um serviço decente. Tais serviços começaram a decair quando esses países estavam trocando de modelo político-econômico.

Torcedor do Zenit, da Rússia

Esses Estados acabaram com tal caráter por uma série de motivos, que não cabem aqui ser enumerados, mas que deixaram marcas. Depois disso tudo, o que imperou foi o capitalismo selvagem e a desilusão com o ideário de esquerda, pois esta é vista como sinônimo dos regimes anti-democráticos que vigoravam antes. A pobreza e a desiguldade social aumentaram. Isso tudo dá brecha para um outro ideário entrar nessas sociedades. Trata-se da ideologia de extrema direita nazi-fascita. Alguns setores das classes médias adotaram esse ideário e tudo o que traz com ele, xenofobismo (discriminação contra um outro grupo, seja étnico, cultural, religosos, por exemplo), racismo, intolerância, termos que são quase sinônimos, como meio de resposta a nova realidade de desigualdade presente. "Se existe desemprego, é culpa de imigrantes que vem para cá roubarem os empregos existentes, porque seu país é incompetente para dar isso para eles, tudo isso graças a globalização. Mas comunismo não é a resposta, pois um governo de operários não pode dar certo". Essa é uma pequena e simples mostra do ideário nazi-fascita. Ele faz sentido? Não, não faz nenhum sentido, mas quem se importa? É um discurso simples que atende à necessidades imediatas de determinado grupo social.


Parte da torcida do CSKA da Bulgária


O nazismo clássico defendia a superiodade racial dos alemães em relação ao outros, sobretudo judeus, negros, latinos e eslavos, sendo que entre os eslavos é que vigoravam a maioria dos regimes comunistas. A situação descrita no parágrafo anterior está ocorrendo na maioria dos países eslavos que passaram por regimes do tipo. Mas aqui vai outra situação hipotética; se um nazi-fascita alemão se encontrasse com um eslavo (ou até mesmo um latino, e por quê não um brasileiro?), o primeiro consideraria o segundo como seu igual? Bem, a resposta é não, mas novamente, quem se importa?
Vemos demonstrações de racismo inspirada pelo ideário nazi-fascita na maioria dos países da região, e como era de se esperar, elas acabam indo para os estádios de futebol, que por serem usados por pessoas de todo o tipo de determinada sociedade, acabam por refletir o que está se passando nela. Manifestações racistas já estão virando norma nos estádios do Leste Europeu. Um exemplo é o Zenit, de São Petersburgo, da Rússia, cidade que foi sede de um importante soviete (organização política de luta dos trabalhadores), no qual um importante líder da Revolução Russa de 1917, Leon Trotsky, trabalhou. O time, que conquistou a Copa da UEFA, atual Liga Europa, e a Recopa Européia em 2008, é o principal expoente de manifestações de extrema direita na Rússia. Outro exemplo fica na Bulgária. O CSKA de Sofia era o clube do exército búlgaro, e recentemente parte de seus torcedores se assumiu como nazista.


Campanha do governo eslovaco contra o racismo, na qual o jogado brasileiro Adauto é símbolo


Um jogador brasileiro, Adauto (com passagem pelo Atlético Paranaense) sofreu ofensas racistas na República Tcheca e na Eslováquia. Numa partida, a torcida do Kosice, adversário do time de Adauto, o Zilina, jogava cascas de banana quando o jogador tocava na bola. Nessa partida, o primeiro ministro da Eslováquia estava nas tribunas, e depois dela, Adauto foi o símbolo da campanha anti-racismo do governo, em que apareceu em propangadas de diversos meios de comunicação e teve seu rosto estampado em selos.
Embora bem intencionados, os esforços do governo eslovaco são insuficientes.
Que nem diria Malcom X, "não há capitalismo sem racismo", e provavelmente o bom governo eslovaco não irá querer acabar com o capitalismo...
Mas também há o outro lado da moeda, mas que fica para outra ocasião, então, inté mais.

Cadê?

O futebol nordestino têm crescido muito ultimamente. Das últimas campanhas do Sport, última final da Copa do Brasil, na qual o Vitória acabou como vice, até nas divisões inferiores do Xampeonato Brasileiro, os clubees da região chama a atenção com seu desempenho no mínimo razoável e com uma boa média de público. Mas essa situação não é vivida por todos os estados da região.
O caso aqui é o Sergipe. Lá está tendo uma baita discussão em torno de uma pendenga envolvendo dinheiro (pra variar...). O governo sergipano entende que futebol é publicidade e tenta apoiar os times do estado, o que não é um equívoco, basta ver quantas cidades ficaram conhecidas nacionalmente nesse negócio, de Pirambu no Sergipe à Críciuma em Santa Catarina. Mas a polêmica é no tipo de apoio escolhido.
As autoridades sergipanas investem dinheiro público no futebol estadual. Dinheiro público é para outras áreas, e só deve ir para o futebol quando pode vir a beneficiar a comunidade com um todo. Não se vê o dinheiro em projetos socias envolvendo os clubes, ou em qualquer coisa do gênero. E há ainda o negócio de que a maioria das verbas vão para os clubes da capital Aracaju, enquanto os do interior ficam com as migalhas, isso quando ficam.
Mas mesmo com esses recursos, o futebol sergipano é um dos mais fracos da região. Se esse dinheiro ao menos fosse para os clubes, haveria alguma chance de melhora. Não, não entramos em contradição. O dinheiro é destinado para os clubes, mas quem enriquece são os dirigentes. Basta ver o pedido de explicação do Ministério Público do estado, que não sabe o destino de R$ 4 milhões que foram repasados para os clubes.
O presidente da Federação Sergipana de Futebol, Carivaldo Souza, aparenta querer se igualar, e quem sabe num futuro próximo, superar Ricardo Teixeira da CBF. O sergipano está no comando da FSF desde 90, e teve seu mandato prorrogado até 2012. Há toda uma rede de interesses, e embora o futebol do estado esteja caindo a cada ano, tem gente nos clubes, e provavelmente, na máquina adminstrativa sergipana, que está ganhando com isso.
Enquanto isso o torcedor sofre, e é impedido de se manifestar, pois a cada momento surgem leis que impedem o torcedor de se expressar com liberdade nos esádios. Onde já se viu não poder xingar o juiz ou o presidente do clube que só faz presepada? Mas sempre há um caminho para a luta...

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Paraolímpiadas

Em meados de 2006, em mais uma preparação para a Segunda Divisão do Campeonato Paulista, o Grêmio Mauense, em um amistoso, conseguiu aplicar 7 x 1. O resultado foi elogiado, e o até então técnico João Ricardo aprovou a movimentação da equipe. Até aí, algo nem tão normal, pois um time da 2ª Divisão golear um time semi-profissional assim é fato raro.
Mas o fato é o seguinte, o outro time também estava se preparando. Para o Mundial Paraolímpico. Sim, o Grêmio Mauaense venceu a Seleção Brasileira Paraolímpica. O técnico da Seleção afirmou que seu time começou bem a partida, mas ficou perdido depois.
Não dá pra classificar a insensibilidade da declaração e da postura do treinador do Mauaense, que usou de um jogo festivo, que até o prefeito de Mauá, Leonel Damo do PV, presenciou, como preparação para uma competição. Não sabemos se os jogadores concordaram com essa postura, pois nessa categoria, são o elo mais fraco da corrente.
Muitos creditam a esse tipo de coisa (além da presença do presidente Jakim) a atual situação do time.

Segunda Divisão 3ª fase

Bem, estes posts sobre as equipes da Série B, Segundona, 4ª Divisão Paulista, ou o melhor nome para a ocasião, estão mais com cara de guia histórico do que futebolístico. Pedimos desculpas, mas se tivessemos a capacidade de dormir 1 hora por dia, a situação seria diferente, pois cobrir a história e o desempenho de 46 equipes é difícil, mas seguimos tentando.
A 2ª fase já acabou, logo, a 3ª irá começar, e aqui vão as equipes que conseguiram chegar nessa etapa. Conseguimos prever algumas coisas, como as classificações de Velo Clube e Inter de Limeira, e como já era de se esperar, demos alguns tiros nos pés, como em relação à Inter de Bebedouro, que achávamos que teria um desepenho rázoavel, mas não brigaria pelo acesso, e poucos na cabeça, entenda-se, a eliminação vexaminosa da forte Votuporanguense, creditada aqui como uma das favoritas ao título. Não fomos tão ruins assim no final das contas. Seja como for, este é o chaveamento da 3ª fase;

Grupo 13

Guaçuano
Inter de Limeira
Paulínia
Santacruzense

Grupo 14

Inter de Bebedouro
Primavera
São Vicente
Velo Clube

Grupo 15

Elosport
Nacional
Olé Brasil
Taboão da Serra

Nessa fase, os prognósticos são muito difíceis. Se classificam os 2 primeiros de cada grupo, mais os 2 melhores 3º's colocados. Algumas equipes podem ter surpreendido, mas se chegaram até aqui, não foi por acaso, e certamente veremos grandes partidas.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Cem Anos Não é pra Qualquer Um




Hoje, dia 1º de setembro, é aniversário do Esporte Clube Noroeste de Bauru, que completa 100 anos de existência. E nesses 100 anos, o clube sempre teve o mesmo nome, embora tenha sido fundado como Sport Clube Noroeste, antecipou a reforma ortográfica e colocando um "E" no primeiro nome.
Sempre mandou seus jogos no Alfredo de Castilho, com capacidade para 18, 840 torcedores. Campeão do Interior em 43, o Norusca, dez anos depois, venceria a Série A2 e passaria a integrar a 1ª Divisão do Campeonato Paulista. Infelizmente, numa partida contra o São Paulo em 58, parte do estádio pegou fogo, mas ninguém ficou gravemente ferido. Só em 60 pôde voltar para seu estádio, renomeado para Ubaldo de Medeiros, que logo depois, em 64 teve de ser re-renomeado para Alfredo de Castilho. Explica-se, Medeiros era partidário do presidente João Goulart, e com o Golpe Militar de 64... bem, para todos os efeitos alegou-se que era proibido colocar o nome de pessoas vivas em monumentos e coisas do tipo. Nesse mesmo ano, faria uma excursão pela Bolívia, em que terminaria invicto, com direito a uma chapuletada de 4 x 0 no Aurora, campeão boliviano daquele ano.

Caindo em 66, só voltaria em 74. Em 78 ganharia uma vaga na elite do Brasileirão, quando os estaduais serviam como torneios qualificatórios para o nacional. Em tempos de ditadura, os militares queriam dar a idéia de unidade nacional, daí o investimento no futebol. O Brasileirão deveria congregar toda a nação,de norte a sul, o que explica o surreal número de 74 equipes no campeonato. Mas seja como for, o Norusca ficou na 28ª colocação final. Os anos 80 e 90 seriam cheios de altos e baixos, promoções e rebaixamentos, da Série A1 para a A3.
No começo do século XXI, o clube perigava deixar de existir, mas um empresário, responsável pelo grupo Kalunga assumiu o clube e as divídas trabalhistas, e o Norusca, em alguns momentos ficou conhecido como Trem Bala. Queremos ter contato com torcedores do Noroeste para saber como é a relação com a diretoria do clube, que a grande mídia vende como pacífica na maioria dos casos. Ficam os parabéns para o Noroeste.

E a Moto Quebrou...


O futebol do Maranhão está de luto. Na semana passada, o Moto Club de São Luís, 24 vezes campeão maranhense, sendo o último título em 2008, o único que foi campeão sete vezes seguidas (44, 45, 46, 47, 48, 49 e 50), campeão do Nordeste em 47 e canpeão dos Campeões do Norte no ano seguinte, e três vezes campeão da Taça Cidade de São Luís (a Copa Estadual que dá vaga para a Copa do Brasil). Um dos clubes mais tradicionais do Nordeste encerrou suas atividades, alegando recursos insuficientes para continuar com o time, além de falta de apoio da Federação Maranhense de Futebol.

O clube que na década de 90 revelou o artilheiro Kléber Pereira, desde que ganhou o último título vinha passando por dificuldades. Foi rebaixado para a 2ª Divisão do Maranhense no ano seguinte e esse ano esteve envolvido num escandâlo de proporções extradimensionais. O Papão haviaontado um time para subir, o que de fato estava acontecendo. Na última rodada, o time vencia o Santa Quitéria por 2 x 0. Nisso, o rival pelo acesso, o Viana, vencia o Chapadina por 2 x 0. O resultado era insuficiente para o Chapadinha, que embora estivesse igualado com o Moto no saldo de gols, perdia no número de gols marcados. MAS, em 9 minutos, o Viana construiu um placar de 11 x 0!!! O Moto tentou

torcedor deseperado com o rebaixamento

responder, tanto que logo depois dessa notícia chegar, quatro penâltis mais do que carraspanas foram marcados em favor do Moto, mas não foram suficientes (o Moto ainda errou um, mas mesmo se convertesse, não seria suficiente). Além, disso, o Santa Quitéria contou com a presença de Manin Leal, prefeito, presidente de honra e jogador do time, mesmo com 52 anos, e por mais esdrúxulo que possa parecer, o jogo estava 0 x 0 enquanto o prefeito artilheiro estava em campo.

Além do Moto, o JV Lideral encerrou as atividades pelas mesmas razões. O Lideral é um clube empresa, e embora estivesse tendo sucesso no futebol regional, não tinha a tradição e a torcida do Moto, torcida esta que está num desespero só, pois em 72 anos, o time nunca havia passado por uma situação parecida. Sabemos como é difícil ver o time de coração numa situação difícil, mas não temos da idéia do sofrimento de ver que tal time deixou de existir, por isso fica o apoio aos torcedores do Moto, e para torcida do Lideral, mandamos nosso apoio.