quinta-feira, 2 de julho de 2015

Observações sobre Partidas Aleatórias - Army United x Port FC - Campeonato Tailandês

Acordar sozinho em um domingo de manhã é sinônimo de que se permanecerá só à manhã inteira. Poucos viventes levantam cedo nesse dia, e se levantam, é pra ficar a sós consigo mesmo. No meu caso, e no de tantos outros, há o futebol das divisões de acesso, que aqui em SP, ocorre nesse horário. Também há os campeonatos de várzea, e aqui no ABC esse horário é tradicional desde tempos imemoriais. Mas, no meu caso, eu trabalharia à tarde (todas as pessoas que trabalham aos domingos merecem uma homenagem por isso), e a preguiça falou mais alto. Ficar em casa seria o programa da vez, mas manhã de domingo sem futebol é estranha, mas só as divisões de acesso tem jogos à esse horário (ps: vi depois que haveriam jogos do Brasileirão nessa faixa), e os campeonatos estrangeiros que são televisionados pra cá estão em intertemporada. Situação difícil...mas há outros países no mundo, e é inconcebível que todos parem ao mesmo tempo. Então lá fui eu procurar uma transmissão por streaming e eis que encontro uma partida do Campeonato Tailandês: Army United x Port FC, no Thai Army Sports Stadium. Nunca vi nenhum jogo de nenhum time do sudeste asiático, e como não tinha o que fazer, dediquei quase 2 horas da minha vida à isso, e a fazer observações sobre tudo lá (pelo menos tudo à que me propus prestar atenção) e eis aí o resultado dessas observações:


- O estádio está bem ocupado, mas não cheio. É difícil tentar adivinhar a quantidade de público, pois é impossível ver os torcedores no mesmo lance de arquibancadas da equipe de transmissão.

- O que se vê, no entanto, é animador: número razoável de torcedores, fazendo muito barulho, e muitos até mesmo fantasiados...pelo menos acho que sejam fantasias...

- A presença feminina é relativamente alta, maior até que em alguns jogos que vi aqui no país. Haviam até torcedores do Army United fantasiadas de alunas de colégio militar.

- técnicos de bermuda...pode parecer pouco, mas nunca havia visto isso. Talvez seja por conta do calor senegalense que deve estar fazendo lá, e isso à noite.

- Tem gente usando cachecol na arquibancada...geralmente esticam, mostrando o nome do time, ou colocam sob o pescoço, sem amarrar ou enrolar...agora me pergunto: por quê fazer um cachecol na Tailândia?

- Há noção de tática aqui: o jogador que passa procura se projetar à frente. Pode parecer (na verdade é) algo básico, e até mesmo óbvio, mas em muitos campeonatos isso não acontece.

- Passados 15 min, deu pra perceber algumas coisas do jogo: o nível técnico não é ruim, equivale a uma boa partida entre times médios do paulista, ou até mesmo da Série B do Brasileiro. O Army tem um jogo de passes longos, por terra ou por ar, e correria, enquanto o Port prefere colocar a bola no chão. A princípio, os visitantes estão bem melhor, o que causa estranhamento, ao se ver a classificação do campeonato; o Army tem 20 pontos, enquanto o Port está com apenas 8, 1 posição acima da zona de rebaixamento.
- Fim de primeiro tempo: 0 x 0, sendo que os visitantes criaram mais chances

- Passados 15 min do 2º tempo, o jogo ficou mais aberto, e o Army United melhorou muito, procurando manter a posse de bole, mas sem deixar de apostar nos passes longos. Bem, melhorou, mas não a ponto de justicar a diferença vista na tabela, enquanto o Port teve uma queda sensível.

- O time da casa saiu na frente com um golaço de falta do número 13 (não conheço o alfabeto local, e como não há relatos ou súmulas em inglês, ele é o numero 13 e ponto).

- Depois do gol o jogo seguiu em banho maria: o Army, aparentemente, jogou menos que podia, e o Port não conseguiu fazer uma boa jogada sequer, justificando sua colocação na tabela.

- No frigir dos ovos, foi um bom jogo, e tentarei ver mais partidas do Tailandesão...

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Obrigado, Diego Costa (ou uma viagem para Capão Bonito)


Buenas. Para esse ano de Segunda Divisão Paulista, eu me prometi tentar ver mais partidas em locais distantes, nem que para isso eu tivesse de ir em menos partidas no ABC e Grande São Paulo, e foi nesse espírito que fui parar em Capão Bonito. Tenho de admitir: a iniciativa não partiu de mim, mas do casal Furlan e Tainá, e também tive a companhia dos camaradas Chicão e Gabriela. A bem de verdade, o programa envolvia tão somente um rolê pela região, com passagens por cidades como Pilar, Piedade, São Miguel Arcanjo e Ibiúna. O fato é que como estaríamos por aqueles lados, nada custava ver uma partida dessa competição sensacional, e o jogo em questão era Elosport e Barcelona de Capela, dois times que eu nunca havia visto ao vivo; o Elosport por geralmente cair em grupos longe da região metropolitana (explica-se: a Segunda Divisão do Paulista é a competição do estado com maior número de participantes, 35 ao todo. Por conta disso, há uma divisão em grupos seguindo um critério regional), e em relação ao Barcelona, este possuí inúmeras dificuldades só para entrar em campo, e toda chance de vê-lo pode ser a última. A maior dessas dificuldades, como era de se esperar, é a falta de dinheiro, mas eis que uma cria barcelonista entra em cena: Diego Costa. Na negociação envolvendo o Atlético de Madrid e o Chelsea, rendeu uma grana para o clube formador. Por conta disso, agradeço o atacante, que por seus gols, me permitiram ver o Barcelona ao vivo pela primeira vez em minha vida.

Sobre Capão Bonito, é uma cidade típica do interior, em que pude perceber que pelo que estávamos ter uma placa de fora da cidade e adjacências, eramos tidos como atração turística por quem quer que parássemos pra pedir informações, especialmente a de um senhor que deu um tapa no carro, assim como se faria com um cavalo, após nos orientar. O estádio Dr. José Sidney da Cunha fica na Av. Adhemar de Barros, que não segue um trajeto lá muito reto, o que acaba confundindo, e tal confusão fez com que chegássemos ao estádio com certo atraso. Só conseguimos entrar quando o jogo já estava na casa dos 10 min. O estádio é dos mais simpáticos que já vi na vida, com direito à um mural com uma caveira tipo àquela que o Seu Madruga desenhou na lousa (PE-LI-GRO). Haviam arquibancadas atrás dos dois gols e na lateral direita (onde fica o setor coberto, que também abriga o bar), e os degraus são tão inclinados quanto na Vila Belmiro. Do outro lado, estão as cabines de imprensa, escritório da diretoria, banco de reservas, vestiário, base do policiamento do estádio, e talvez mais alguma coisa. Finalmente sentamos, afinal, eram pouco mais de 100 viventes presentes, logo, o que não faltava era espaço, e depois de acomodados, observamos a paisagem, que é repleta do verde típico do interior paulista: plantações de milho, eucalipto e mais alguns produtos essenciais ao agronegócio. Ao observar tudo isso, os presentes logo perceberam que não éramos da cidade, e por alguns instantes também fomos atração lá, mas como a partida já estava rolando e o time da casa estava bem, as atenções logo se voltaram para o jogo.


O Elosport estava melhor, atacando sobretudo pela direita, com o lateral Juninho, que apoiava bem e defendia na base da porrada, mas eram porradinhas discretas, tanto que só foi ganhar cartão amarelo aos 16 min da segunda etapa, e por cera! Da parte do Barcelona, o time tocava bem a bola, numa tentativa de tiki-taka mais humilde, sem conseguir o objetivo desse estilo de jogo - a posse de bola - e sofrendo do mesmo mal dele - a falta de finalizações. O goleiro do time da casa pouco fez durante toda a partida, e a bem de verdade, o visitante também não, o ponto é que o Elo foi extremamente eficaz. Foi em uma jogada pela direita que o time verde conseguiu uma falta: bola alçada na área e o Diego, zagueiro, subiu mais que todo mundo, pra aos 24 min colocar o Galo do Sul em vantagem. Cabe dizer que, a dupla de zaga do Elosport, Diego e Celso, era composta de zagueiros-zagueiros da mais fina estirpe. Celso, por exemplo, usava e abusava dos bicões pra frente, e é carinhosamente chamado pela torcida  de Alemão, por ser loiro oxigenado.

Após o gol, o Barcelona conseguiu fazer algumas finalizações, ainda que sem muita qualidade, sem exigir muito da defesa dos mandantes, que por sua vez, diminuíram o ritmo, e assim a partida ficou até o final da primeira etapa. No intervalo fiz a avaliação da gastronomia do estádio, com espetinhos, pipoca (fornecida por um pipoqueiro em seu carrinho, que também tinha algodão doce) e cerveja, com álcool (temos isso nas ~~Arenas~~?). Fui na cerveja - da marca consagrada pelo Aloísio Chulapa -, em que o sujeito do bar faz questão de mostrar a latinha, colocando toda ela no copo:1 por R$ 3, 50, 3 por R$ 10, preço honestíssimo para um estádio. Aprovei a cerveja, o espetinho foi aprovado pelo camarada Chicão, e ninguém estava a fim de doce, mas no geral, a gastronomia do Dr. José Sidney da Cunha foi aprovada.

Início de 2º tempo, e o jogo continuou na mesma toada, tanto que em mais um lance pela direita, a bola foi alçada à meia altura, incrivelmente passou por todo mundo, exceto por Thiago, que deu uma espécie de peixinho sem pulo para fazer Eloporst 2 x 0 Barcelona. A partir disso, os visitantes tentaram pressionar como costumam fazer fora de casa, pois todas as vitórias conquistadas pelo Barça Paulistano ocorreram fora de seus domínios, mas ao contrário das outras ocasiões, esse abafa não foi lá muito bem sucedido, pelo menos não o bastante para conseguir ao menos o empate, mas o suficiente para alcançar um gol aos 44 min do 2º tempo, em que Wedson aproveitou rebote do goleiro, assim como Suarez no dia anterior em Berlim, e deu números finais à partida, afinal, dois Barcelonas não poderiam ganhar no mesmo final de semana...Fim de jogo, e a certeza de uma longa viagem de volta.



sábado, 16 de maio de 2015

Grêmio Mauaense x USAC (ou "Nos Tempos de Santilhana. ")


Sábado à tarde, data em que grande parte das pelejas das divisões de acesso ocorrem por todo o país. Devem ter ocorrido várias, mas optei por aquela que era mais acessível, ou menos inacessível, dependendo do ponto de vista: Grêmio Mauaense x União Suzano (aqui vai uma observação; por caprichos do destino, Suzano tem dois times chamados União Suzano, o USAC, que é o que vi hoje, e o ECUS. Geralmente, o primeiro é referido pelo nome em extenso, enquanto o segundo é pela sigla mesmo). A questão da acessibilidade ao estádio Pedro Benedetti se dá por conta de que eu moro ao lado da Mauá, mas não há uma linha inter-municipal, então tenho de ir ao centro da minha cidade, e de lá pegar um trem para Mauá City. Sempre me pareceu absurdo pegar duas conduções para um lugar tão próximo, sendo que eu uso isso pra ir pra São Bernardo, por exemplo. Seja como for, passei por cima dos meu conceitos de absurdo e fui para o estádio, que fica perto da estação, coisa de 10 ou 15 min de caminhada.

A partida teve início pontualmente às 15h, mas me atrasei um pouco, coisa de 15 min, pois tive o azar de perder um trem. Outro fator que colaborou com o atraso foi a nova entrada do estádio: antes, o acesso se dava pelos portões em frente à av. Papa João XXIII, agora, é necessário dar a volta pelo estádio, subindo uma longa ladeira, para aí sim poder ver o campo. Chegando nas bilheterias, houve um outro problema: não havia troco. Tive de comprar uma cerveja na barraquinha em frente para conseguir ter uma nota de 5 Dilmas, valor da meia entrada. Ao contrário do que ocorre em grande parte do estádio, não haviam policiais fazendo a revista, e o tiozinho que estava nas catracas liberou minha entrada de boa.

Finalmente dentro do estádio, logo encontrei o amigo Folego, junto de outros dois amigos, ambos torcedores do Grêmio, mas que ficarei devendo o nome, pois não fomos devidamente apresentados. A partida ainda estava 0 x 0, e os mandantes jogavam bem melhor, como foi em quase todos os jogos da competição. Se leram o relato que fiz sobre o jogo contra o São Bernardo, viram que durante o 1ª tempo o time de Mauá foi bem melhor, tomando o empate no 2º, quando simplesmente parou de jogar. Segundo Folego, o maior exemplo foi na derrota contra o Guarulhos, em que o time saiu na frente, mas depois que tomou o empate, tomou 3 gols em pouquíssimo tempo.

Devidamente acomodado nas dependências do estádio (que estava com muito espaço disponível) , pude ver o bom começo do Mauaense, que pressionava muito os visitantes, que por algum motivo desconhecido estavam jogando de coletes azuis. Ninguém entendeu muito bem, pois a camisa do USAC é vermelha, e o Grêmio estava de branco, então não havia motivo para isso. Mistérios da vida. Enquanto divagava, vi um pênalti claro não marcado para o time da casa. O atacante recebeu dentro da área, na direita, acompanhado somente do goleiro de um zagueiro: o atacante (que não consegui identificar quem era) deu um corte seco no defensor, que claramente o derrubou, mas o juiz achou que não foi nada. A cara de alívio da defesa do União o lance era mostra de culpa no cartório. O prejuízo pro Grêmio foi ainda maior, quando no contra-ataque originário desse lance o USAC consegui uma falta na sua esquerda - lembrando que a direita de um time corresponde à esquerda do adversário -. Bola alçada na área, saída esdrúxula do arqueiro e o defensor Renan escorou para marcar União Suzano 1 x 0, aos 43 min. A partir daí, foi possível perceber duas coisas: o emocional do Grêmio Mauaense é muito frágil, e que o União Suzano não estava de coletes, aquela era a sua camisa mesmo: vermelho nos lados e azul no meio, com os números em uma cor que era mistura de preto e vermelho, desbotado ainda por cima.
Área das árvores, onde segundo a lenda o Fantasma da Blusa Vermelha assistia os jogos.


Os minutos finais do primeiro tempo foram mornos, muito mornos, mas por sorte foram poucos minutos, e nesse espírito logo o intervalo chegou, e nele pude ouvir muita coisa boa, sobretudo a história de Santilhana. Na história, Santilhana foi um grande atacante, grande em técnica e velocidade, pois em tamanho era pequeno, o que segundo o próprio lhe dava vantagem, pois a distância do cérebro pros pés era pequena. Também segundo o próprio, era um galã sem igual no futebol de seu período, em que o futebol profissional não era tão restrito, e não raro jogadores do amador conseguiam um lugar nos profissionais. Por não ser dos atletas mais regrados do mundo, e sabendo que teria de se adequar à uma rotina, Santilhana preferiu ficar no amador, onde poderia gozar à vontade tudo quanto era esbórnia. Os tempos de jogador acabaram, mas ainda havia o desejo de viver o futebol, mas não como treinador, técnico, dirigente, nada que envolvesse a administração do jogo. Santilhana foi para a arquibancada, viver com os torcedores de diversos clubes, vendendo petiscos e aperitivos, e desde então, passou a ser conhecido como Galinha do Amendoim, figura onipresente nos estádios da Grande São Paulo. A história pode parecer absurda, mas é muito absurda para ser mentira, além do mais, tudo que tenha o "Selo Galinha de Qualidade" é bom e verdadeiro. No mais, ganhei do amigo Folego um Guia da Segunda Divisão Paulista, editado pela própria FPF. É uma pena que a Federação não comercialize esse livro, nem que fosse por reserva...

Seja como for, depois de tudo isso ainda houve uma introdução à história do Fantasma da Blusa Vermelha, que nos anos 90 e início dos 2000 sempre estava vendo os jogos na zona das árvores, a mais inacessível de todo o estádio, sempre com uma blusa vermelha de capuz, fizesse chuva ou sol. Quando ia perguntar mais detalhes, começou a segunda etapa, em um ritmo frenético, novamente com o Grêmio melhor, e logo aos 15 min., Chocolate, que havia entrado depois do intervalo, recebeu um cruzamento no bico da área. Matou a bola no peito, tirando o zagueiro, e bateu com curva no canto esquerdo do goleiro, que nada pôde fazer, e o jogo estava empatado. Chocolate entrou em catarse, tirando a camisa, vibrando e correndo feito um alucinado. A partir daí os mandantes pressionaram feito loucos, e nessa tomaram um contra-ataque, em que Paraíba recebeu lançamento, venceu o zagueiro na velocidade, cortou o goleiro e finalizou: União Suzano 2 x 1. Ainda haviam pouco mais de 20 min, para o fim da partida, e o que se viu foi um Grêmio indo com tudo, mas de maneira desorganizada, e um União que não conseguia fazer nada além de se defender. O que mais chamou a atenção foi o lateral esquerdo do Mauaense, que na verdade era um zagueiro improvisado, e que vendo a situação do time, jogou praticamente como um ponta. Via-se o esforço do rapaz, e que tão somente esse esforço gerava boas jogadas, mas que não eram o bastante, seja pela falta de técnica pro negócio (técnica que pode ser aprendida), seja pelo abatimento de seus companheiros. Nessa toada o jogo acabou com vitória dos de Suzano, que somam 5 pontos em 4 jogos. Do outro lado, o Grêmio, com apenas 1 ponto conquistado, divide a lanterna com o ECUS, com mais 14 jogos para serem disputados, ou seja, muita coisa ainda pode acontecer.

Já eram 17h, e decidi fazer algo que nunca tinha feito: ir do estádio para minha casa à pé. Basicamente era só seguir a Papa João XXIII e virar a esquerda na última bifurcação. Achei que demoraria uns 40 min, mas foi aproximadamente 1 h e 10 min. Valeu a pena, ainda que andar pelo Sertãozinho (trecho que liga Santo André e Mauá) no final da tarde não seja muito recomendável, pela ausência de calçadas e iluminação ruim. Assim sendo, é uma boa alternativa para ir pra o estádio em um horário de claridade.

Agora é ver qual será a próxima partida a ser vista in loco. Até lá.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Início da Segundona 2015 (ou o Retorno do Futebol Interiorano)



Buenas. Cá estou, escrevendo na primeira pessoa, depois de quase 1 ano sem postar absolutamente nada. Houveram vários motivos para isso: faltou tempo, e passei por um período deprimente na minha vida. Seja como for, estou de volta, com ânimo renovado, para viajar e escrever, e o primeiro episódio dessa nova etapa foi o início da GENIAL Segunda Divisão Paulista. Aqui cabe um adendo: apesar do nome, o campeonato equivale à 4ª Divisão (Séries A1, A2, A3 e B, ou Segunda Divisão). A explicação pode ser óbvia para aqueles que acompanham o futebol alternativo, mas depois de tanto tempo sem escrever, vai demorar até recuperar esse público, então creio ser válido esse tipo de esclarecimento.

A partida em questão foi entre EC São Bernardo e Grêmio Mauaense, nesse derby do ABC. Pra começo de conversa, fiquei contente em saber que o Bernô - que é o ÚNICO time de São Bernardo que pode usar esse apelido - competiria, isso porquê a direção da agremiação tratava como certa a não participação no certame desse ano, dada a falta de condições financeiras para tal. Mas no final tudo se acertou, graças a uma parceira firmada entre o clube e uma empresa, o que é uma prática comum nessa divisão. A parceria é tão estreita à ponto do time treinar na cidade sede da empresa, no caso, Atibaia, muito por conta das dificuldades em se achar locais de treino adequados no ABC. Ainda que isso possa dar indícios de uma futura mudança de cidade, a diretoria garante que não tem planos de sair da região. Da parte do Mauaense, novamente há aposta no futebol amador da cidade, um dos mais fortes do ABC. Isso se dá graças à atual direção, cujo presidente ocupou por alguns anos esse mesmo cargo na Liga Mauaense de Futebol, e para esse ano ainda tem a parceria com o São Caetano, que cederá parte do time que competiu na Copinha São Paulo. Ah, isso dá espaço para outro comentário: a Segunda Divisão Paulista possuí um "modelo olímpico" de disputa, em que cada time pode ter apenas 3 atletas acima de 23 anos entre os 11 em campo. Isso dá muita velocidade às partidas, pelo menos nas que são disputadas em horários com temperaturas amenas, isso porquê é simplesmente impossível correr loucamente às 10h da manhã em algum rincão desse estado. O horário da partida em questão foi às 20h de uma sexta feira, um pré-rolê sensacional (ainda que no meu caso não seria muito útil, pois trabalharia no dia seguinte).

Saí de casa às 18h30, por pura vadiagem, e pela ideia de que não havia muito o que fazer em São Bernardo antes do jogo, e também não queria gastar muito dinheiro. Há um parque legal perto do estádio, o Cittá di Maróstica, bom pra dar uma espairecida, e com uma área bem interessante pra quem pratica atividades físicas, inclusive com pistas de skate, aparentemente boas, na opinião do leigo aqui que se limita a observar tudo, mas nesse dia estava de folga, então já tinha espairecido muito (e dias de folga são cultos ao ócio, logo, sem atividades físicas). No mais, havia me esquecido que há um Sebo bem legal perto do estádio, fato que julgo ser único aqui no estado. Nesse Sebo, do seu Matias, podem ser encontrados uma série de objetos legais, além do fato do dono ser um sujeito muito simpático. Seu sócio, se assim podemos dizer, e que por puro lapso me esqueci o nome, cuida do restante do acervo do Sebo, os livros no caso. O fato é que ambos são dois dos maiores fãs de Raul Seixas que conheço.

Bem, cheguei no Baetão às 19h55, achando que daria tempo de ver os times possando e fingir demência durante a cerimônia cívica do hino nacional, no entanto, a partida começou antes do horário marcado, fato nem um pouco usual. Iniciada a peleja, fui identificando as coisas: a princípio, os amigos (o que gerou uma foto sensacional no final da partida), depois a torcida, e por fim, a partida em si, em um processo que se durou 4 minutos, foi muito. Apesar de ser referido no aumentativo, o Baetão é uma cancha com um jeito extremamente familiar, e a atmosfera da partida colaborava para isso: foram 90 os pagantes, sendo que a maior parte eram familiares dos atletas dos dois times, que dividiram a arquibancada coberta sem nenhum problema. Do outro lado, na descoberta, estavam as torcidas dos dois clubes, que tinham 10 indivíduos somadas as duas, sendo que todos se conheciam, e juntos desses, os elementos neutros, que também se conheciam e conheciam os torcedores. Foi no mínimo engraçado ver um jogo em estádio nessas circunstâncias, assim como ver as faixas das duas torcidas no mesmo setor da arquibancada. No mais, identifiquei os times em campo, o mandante jogando de camisas e calções azuis com meiões brancos e os visitantes jogando de camisas e calções brancos com meias azuis, e assim os 4 minutos de assimilação das informações foram resumidos em um parágrafo.

Cobertas do Baetão, onde ficaram misturadas as famílias dos atletas dos dois times. À esquerda, a arquibancada em que torcedores e admiradores do futebol alternativo ficaram.

Feitas essas observações perspicazes, estava satisfeito com minhas capacidades cognitivas, quando fui comunicado que errei as cores dos times em campo, um erro dos mais burros em se tratando de futebol. Depois de algum tempo, cheguei a conclusão de que não sou tão burro (ou que os que estavam à minha volta eram tão burros quanto) pois esse engano foi geral. Isso se deu pelo fato do São Bernardo estar de meiões azuis. Ainda que a camisa do time tradicionalmente seja alvi-negra,  o Bernô jogou de azul ano passado, fato que terá explicação depois. A confusão ocorreu devido à solicitação do Sr. Juiz solicitar a troca dos meiões, pois os do Mauaense, com seu tom escuro, poderiam causar confusão com os shorts e meias negras do homem do apito. Sobre o São Bernardo jogar de azul, explica-se: em 2014 o time lançou um uniforme dessa cor, e foi senso comum que a intenção foi relembrar os anos 80, quando se fundiu com o Aliança, potência do futebol amador do período, e ficou com seu uniforme idêntico com o do Grêmio, mas cabe dizer que a lembrança foi involuntária, já que em 2014 o Bernô só jogou assim por causa de um dirigente gremista. Foi um raro caso em que uma homenagem diz respeito a dois episódios, mas só em um ela é voluntária.

Todas essas reflexões se passavam enquanto o jogo rolava, com o São Bernardo com mais posse de bola, mas sofrendo com os ataques do Grêmio, que meteu uma bola no travessão depois de uma bola alçada, por volta dos 15 min., na única jogada pela esquerda realmente efetiva do Grêmio no 1º tempo. Os mauaenses não eram pensos pra um só lado do ataque, mas a medida que a esquerda não funcionava, o time caía mais pra direita, mas vez ou outra invertia a jogada pra ver no que dava. Enquanto isso, os mandantes procuravam saber o que fazer com a bola, tentando se infiltrar na área visitante de tudo quanto é jeito, sobretudo com balões não muito efetivos. Da parte dos visitantes, houve uma leve queda no ímpeto, que gerou uma brusca queda na incisão das ações, e o primeiro tempo terminou de um jeito bem morno.

O intervalo passou rápido, graças a ótima resenha com os amigos de arquibancada, regada a futebol, alternativo e não alternativo. O segundo tempo começou em alto ritmo, com as duas equipes mais ligadas que na 1ª etapa, sobretudo o São Bernardo, que começava a finalizar com certo perigo, mas foi justamente nesse momento da partida que um pênalti foi anotado para os visitantes (a meu ver, de maneira bem mandrake), e Cauê, que por sinal sofreu a falta, converteu o penal e colocou os visitantes na frente, nesse que foi o primeiro e último ataque consistente do Mauaense no 2º tempo. A partir do gol, o São Bernardo melhorou muito, encurralando o escrete de Mauá em seu campo defensivo. Essa pressão acabou culminando na expulsão do volante Cláudio, que conforme observação da torcida, colecionou sua segunda expulsão em seus dois jogos disputados pelo clube. Um recorde. Como era de se esperar, a expulsão deu mais espaços para o Bernô, que chegou ao empate com um gol de Bill, que recebeu a bola depois de bela jogada pela direita, em um momento em que o Grêmio estava com apenas 9 em campo, já que um jogador estava recebendo atendimento na lateral.

E assim terminou uma das partidas inaugurais da Segundona 2015 - a outra foi Fernandópolis 1 x  2 Grêmio Prudente, com gol de Muller, aquele mesmo -, e se o nível se mantiver, tenho certeza de que será um campeonato sensacional. Pra encerrar, fica um registro feito pelo Fernando do Jogos Perdidos, com um quorum mais do que respeitável. Saludos.

De pé: Samuel, Leandro Oliveira, Mario Gonçalves, Colucci, Espina, Rafael Lima, Renato Rocha, Folego e Fernando Martinez;
agachados: Pedro Faian, Raul Burgo, Rodrigo Leite, Pucci, Bruno Lopes, Milton e eu.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Satisfações

Antes de tudo, peço desculpas. Desde novembro que não há novidades por aqui, ou sequer uma nota informando o por quê disso estar parado. Bem, há uma série de fatores. O primeiro é que esse espaço não é meu ganha pão. Sempre me recusei a colocar qualquer tipo de publicidade aqui, pois quando isso virasse um serviço acho que não daria certo. Admito que possa estar enganado a esse respeito, mas seguirei sem publicidade. Por conta da necessidade de dinheiro, tive de ir trabalhar, e arrumei um emprego que não me dava disponibilidade de tempo, e me impedia de ir em estádios. Não acho que seria possível escrever sobre futebol sem ir ver jogos ao vivo, sobretudo da Segunda Divisão do Paulista. E há também motivos pessoais de outra ordem.

Sei que perdi muitos leitores, a maior parte deles. Pretendo voltar a escrever com mais assiduidade, mas não prometo nada. Das últimas vezes que tentei fazer isso, não consegui cumprir. Além do mais, fui convidado a colaborar no site Doentes por Futebol, o qual eu recomendo. Para os que se interessam por coisas mais mainstream, há bastante conteúdo de qualidade lá. Da minha parte, as temáticas que trabalho lá são semelhantes ao que se acostumaram a ver aqui. Em relação a este espaço, vou focar no futebol do interior de SP. Voltando a frequentar partidas, terei contato com de fato com a realidade do futebol interiorano.

Não escrevi isso aqui querendo algum tipo de apoio, ou pedidos para continuar com isso. Só queria dar uma satisfação para todos os que visitam esse blog. Agradeço a todos pela atenção, e veremos o que será do futuro.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Epílogo (atrasado) da B do Paulista, edição 2013

A Segunda Divisão acabou faz um tempo já, e cá estou, com certo atraso, falando disso. A Matonense reverteu um resultado que parecia irreversível. Quando o Água Santa sapecou o clube de Matão por 5 x 2, muitos (eu inclusive) acreditavam que o título ficaria no "D" do ABC (que oficialmente é conhecido como ABCD, e se formos generosos, aí se incluí o MRR - Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra). Mas havia um fator que não podia ser ignorado, no caso, o técnico da Matonense, o ilustre Luís Carlos Ferreira, exímio conhecedor das divisões de acesso e inventor de mandingas. Seja lá o que Ferreira tenha feito com os jogadores, deu certo; os 4 x 0 aplicados no Água Santa foram surpreendentes. Não lembro de nenhum jogo em que a equipe de Diadema tivesse tomado 3 gols ou mais, ainda mais sofrer com bolas alçadas, que originaram 3 dos gols (Alamir - 30'1T e 18'2T, Guilherme - 14'2T) da SEMA, que só pra contrariar, marcou o último num contra-ataque (com João Gabriel, aos 42'2T), num momento em que o Água Santa atacava desembestadamente.

Também é válido destacar a torcida, ou melhor, "as" torcidas. Durante o campeonato inteiro, Matonense, e sobretudo, Água Santa, estavam no topo no que diz respeito à média de público. Por isso, não dava para esperar algo diferente na final, onde o estádio Hudson Buck Ferreira recebeu exatos 6, 197 mil pagantes, mas acredito que dê para colocar aproximadamente 7 mil, se considerarmos os não pagantes.

Com tudo isso, é possível dizer que tivemos uma boa Bzinha. Melhor dizendo, é raro poder afirmar que tivemos uma Bzinha ruim. Sempre dá pra tirar algo de bom dela. Para o ano que vem, teremos (ou espera-se) a companhia dos rebaixados da A3, São Vicente (que fez um bate volta), Barretos (que ficou 2 anos na A3) e daquele que podemos dizer que é o mais novo integrante daquele grupo de times foram do céu ao inferno em pouquíssimo tempo; o União São João de Araras. Acho que todos nós sentiremos um estranhamento quando virmos o União na Série B do Paulista em 2014, especialmente se lembrarmos que há 20 anos o clube disputava a 1ª Divisão do Brasileiro. O outro rebaixado, o Palmeiras B, foi dissolvido pelo Palmeiras "A" (até - tentei - escrever algo decente sobre o último jogo do Palmeiras B, e pode ser visto aqui). Para a A3 2014, além dos dois finalistas da B 2013, veremos Tupã (que finalmente saiu da B) e Cotia (que surpreendentemente saiu da B).

Há muito ainda que pode ser citado, esmiuçado e analisado, mas fica pra uma próxima. Até lá.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Jaboticabal Atlético - Um possível recomeço?

A Segunda Divisão está em sua reta final, e estamos aguardando a grande final, que envolverá os dois times de melhor campanha na competição; Matonense e Água Santa, que subiram junto de Tupã e Cotia. Ou seja, mais duas semanas de Segundona, e depois, atenções o brioso Sub-20 da categoria, além é claro, para os clubes que participarão (ou não) da próxima edição do certame. Tradicionalmente, a Segunda Divisão começa em meados de abril/maio, mas como ano que vem teremos Copa, não sabemos ao certo o que haverá. Colocando em miúdos, ainda há muito o que se olhar.

Indo nessa direção, fica difícil ignorar o Jaboticabal Atlético. Há um artigo aqui, feito no final do ano passado, que fala da demolição e tombamento do estádio do clube, o Dr. Robert Todd Locke. Resumindo a situação, o estádio foi a leilão, para que o clube arrecadasse verba para que pudesse pagar suas dívidas. Contudo, o processo do leilão não foi dos mais tranquilos, passando por idas e vindas, e até mesmo com um tombamento do estádio. Enquanto a situação permanecia indefinida, o Jaboticabal mandou seus jogos lá em 2012, e especulava-se que a equipe fizesse o mesmo em 2013. Contudo, o estádio foi demolido (especula-se que sob mando de Valdecir Garbim, que adquiriu o imóvel no leilão), o que inviabilizou a participação do Jotão em qualquer competição (já que mandar partidas nas cidades vizinhas fosse algo fora de cogitação para os padrões financeiros do clube). A vara civil da cidade emitiu uma liminar que impede o progresso da demolição do estádio, por julgar que o processo ainda não foi concluído. Enquanto isso, Garbim afirma que pode dispor do terreno como bem quiser, pois o comprou.

A meu ver, esse é o ponto capital; discute-se a demolição, não a posse. Quando o imóvel foi comprado, ele não ainda não tinha sido tombado. Não creio que alguém sem nenhum tipo de envolvimento algum com o clube compraria uma área do tipo  se houvesse um impedimento legal para o usufruto total do bem adquirido, incluindo a possibilidade de reformulação integral do espaço. Da parte do atual proprietário, há de se convir que foi muita imprudência ter demolido o estádio em meio à uma situação jurídica ainda não definida.

E no meio disso tudo, discute-se a possibilidade de reconstrução. Mas em meio a essa discussão, deve-se perguntar; quem vai pagar por isso? Em tese, a responsabilidade, seria do atual proprietário, que ignorou uma disposição legal. Contudo, creio que pode-se alegar que dispositivo que impedia modificações no local (o tombamento) não existia quando o imóvel foi adquirido (não sou advogado, não conheço muita coisa de leis, então, desculpem uma eventual pixotada. Caso algum jurista, ou quem quer que se interesse pelo assunto, queira se pronunciar, sinta-se a vontade). Do outro lado, caso o poder público mantenha sua posição, defendendo a reconstrução e o tombamento do estádio, acredito que deva haver algum tipo de ressarcimento ao lado prejudicado, se assim podemos dizer, e o mais provável é que esse dinheiro virá mesmo do município. Basicamente, a situação longe de ser resolvida.

Ainda assim, uma, uma nova diretoria foi eleita agora em outubro, afirmando que já estão fazendo contatos com possíveis patrocinadores e empresários do ramo, buscando angariar fundos para que o time retorne ao futebol profissional, mas só em 2015 (sobre as categorias de base, não há informações se haverão esforços para que sejam formadas ainda em 2014). Tudo muito legal, mas a pergunta que não quer calar é; onde o time vai jogar? Ninguém tocou nesse assunto ainda. Como já foi dito, o clube não disputou nada esse ano por conta disso, e por não crer ser viável mandar partidas nas cidades vizinhas. Outra opção seria a construção de um outro estádio, mas até o momento, nada foi dito sobre isso. A bem de verdade, isso só é uma especulação de minha parte, e olhando friamente para essa ideia, logo se vê que uma possibilidade remota, mas ainda assim, é uma possibilidade. Mas vai saber...

Nisso tudo, fico com uma sensação estranha ao escrever algo que se limite a um "só nos resta esperar". De fato, vai demorar até que algo conclusivo aconteça nessa história.


sábado, 14 de setembro de 2013

Sobre Estádios

Foram mais de 2 meses sem escrever aqui, tudo por razões pessoais. Hoje, tudo isso foi superado, e poderei voltar à normalidade. Ou quase. Enfim, se as atualizações não forem tão numerosas quanto outrora, não creio que haverão períodos de seca tão grande assim. Dito isso, vamos ao que interessa.

No primeiro semestre desse ano, foi confirmado que o estádio Evandro Brembatti Calvoso receberia reformas, que o deixariam novamente apto à receber jogos, seja oficiais ou amadores. Falando só nome do estádio fica difícil ter uamá noção exata do que ele é. Trata-se do campo onde o Andradina FC mandava suas partidas. Afastado das competições da FPF desde 2000, ainda é comum ouvir falar do Foguete da Noroeste, mesmo com o clube sem ensaiar nenhum retorno. A bem de verdade, a reforma no estádio por si só não diz muita coisa sobre o retorno do futebol profissional na cidade. Essa reforma ocorreu por causa das péssimas condições do estádio, que estava praticamente abandonado, sem condições de uso para qualquer atividade.

A verba para as obras giram em torno de meio milhão de reais, e o projeto é de que o espaço possa ser usado não só para o futebol, mas também para outras atividades esportivas, assim como eventos.

Mas se as coisas estivessem só nisso, provavelmente não me daria ao trabalho de olhar muito pra isso. Não que a reforma por si só não seja boa, afinal de contas, nunca é bom ver um estádio que tem tanta história para contar ser largado ás traças, mas a bem de verdade, o maior impacto dessas medidas seria para os munícipes. O que me permite fazer suposições acerca de algo a mais é que no final do primeiro semestre, representantes da câmara municipal de Andradina estiveram na sede da FPF, para conversarem sobre um possível retorno do AFC.

Nesse primeiro momento, apenas a prefeitura se pronunciou sobre isso. Apoio do poder público é importante, mas não acredito que a prefeitura vá assumir sozinha os custos de uma iniciativa como essa. Ainda que o discurso vá na direção de procurar outros parceiros, não encontrei nada sobre o assunto, mas hei de convir que ainda é muito cedo.

Até 2014, muita coisa pode acontecer, e por mais que seja falado que muitos esforços estão sendo feitos pelo retorno do Andradina, só será possível acreditar efetivamente nisso quando as coisas estiverem mais do que encaminhadas. Preferivelmente com o time entrando em campo em uma competição oficial.


Seja como for, se o projeto for coerente, primando pela transparência e pelo bom senso, não como não torcer pelo seu sucesso, afinal, o Andradina é um dos times mais legais de todo o estado.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Camisas - União de Tambaú

Pois é, fazia tempo que não escrevia. Com tanta coisa acontecendo, fica difícil parar um pouco, algo necessário, diga-se de passagem, para dar uma matutada. Seja como for, estou pensando um artigo, uns balanços e algumas perspectivas sobre a Segunda Divisão, que farei o possível e o impossível para não protelar, como o que se viu naquele sobre a A2.

Dito isso, voltemos à rotina por aqui. Consegui pegar umas camisas faz um tempo, e essa é uma das mais especiais, e enigmáticas, diga-se, e explico isso depois.


Quem está acompanhando as divisões de acesso paulista a pouco tempo, provavelmente não conhece esse clube; trata-se do EC União, de Tambaú. Apesar de ter relativamente poucas participações nos campeonatos organizados pela FPF (13 no total, de maneira ininterrupta entre 77 e 88), é um clube muito tradicional, sendo um dos poucos que são centenários. Aqui, merece um capítulo à parte; em 2010, muito se falava no centenário do Corinthians, além é claro do Noroeste. Contudo, foram poucos os que se lembraram do União (da minha parte, sequer sabia). Quem quisesse fazer piadas clubistas, bastava dizer que tanto o Norusca como o União tinham estádio próprio (não é o caso aqui, pois afinal de contas, o SCCP possuí o Alfredo Schürig, a popular Fazendinha. A capacidade é razoável -18 mil pessoas - o que não faz jus ao tamanho da agremiação. Fundado em 25/09/1910, numa reunião no prédio do jornal "O Tambaú", sempre mandou seus jogos no simpático Alfeu Cerquetani, com capacidade aproximada para 6 mil viventes. Uma curiosidade é que o estádio fica muito, mas muito próximo mesmo (pra ser mais exato, na mesma rua) do estádio do rival EC Operário, o Alfredo Guedes.


Sobre a camisa, eu não sei se ela é um modelo de jogo. Não consegui determinar o período em que a camisa foi feita, e chuto no final dos 80 e começo dos 90. Peço que quem chegou a acompanhar a equipe, diga se o clube chegou a usar esse modelo.

No mais, fico por aqui. Em breve (pelo menos assim o espero) haverá algo novo por aqui. Até lá

terça-feira, 18 de junho de 2013

Sobre Libertadores (competições Sudacas em geral), Altitude e Colonização Espanhola

Entra ano, saí ano, começa/acaba uma Libertadores (ou Sul-Americana), e sempre, em algum momento, teremos essa discussão; a de jogar na altitude. Isso sempre foi discutido, mas desde que o Brasil perdeu para a Bolívia em La Paz, pelas Eliminatórias para a Copa de 94, o assunto ganhou força. De fato, é complicado jogar lá. Aliás, é complicado fazer uma porção de coisas a mais de 2,000 metros de altura. Todos, de jornalistas à especialistas de mesa de bar, discorrem sobre o tema. Mas nunca vi uma indagação sequer à razão original de tudo; por quê cazzo alguém resolveu construir cidades em locais de tão difícil acesso? Isso não vai alterar muita coisa na organização da Conmembol, nem fará com que o Real Potosí desça até Santa Cruz de la Sierra para mandar suas partidas continentais ao nível do mar, mas de todo jeito, julgo ser interessante saber.

Para começo de conversa, quando os espanhóis chegaram aqui, em 1492, o país passava por um momento complicado; os mouros, povo de cultura influenciada pelo islã acabava de ser expulso da Espanha, e os reis católicos teriam que lidar com uma região com uma influência muçulmana. Desafio em tanto. Enquanto isso, Colombo chegava no pedaço de terra que viria a ser conhecido como América (mas que o próprio acreditou ser a Índia). A Coroa Espanhola, procurando expandir seus domínios, além de cumprir sua missão como um reinado cristão, espalhando a fé católica pelo mundo, decide fazer das novas possessões uma extensão do que vivia na Europa.

As autoridades reais não só recomendavam, mas praticamente obrigavam que todas as cidades fossem construídas em lugares de difícil acesso em uma invasão, e cujo o clima fosse o mais parecido possível ao conhecido no Velho Mundo. A América deveria ser uma espécie de Nova Espanha, fortalecendo o nacionalismo, que era muito incipiente à época, especialmente na Espanha, que havia pouco tempo era uma região dividida entre duas forças antagônicas. Isso explica, indiretamente, o planejamento dessas cidades. A Coroa tudo regulava, e mandou diretrizes bem específicas para os colonos, que iam da localização da praça central, passando pelo ângulo que as vias deveriam sair dessa praça, até mesmo à largura das ruas, entre outras coisas. A intenção desses atos, e de muitos outros, é que o poder real se fizesse presente em um local distante, se auto afirmando em um momento que a afirmação do "ser" espanhol era extremamente importante, dado que ainda havia muita influência dos mouros entre os súditos oriundos do sul do país. Para efeito de comparação, no caso da presença portuguesa na América, a influência foi bem diversa. Desde o primeiro momento, Portugal procurava apenas lucrar, e mandou para a América pessoas que teriam chance de trazer um retorno para a Coroa Lusitana. Esses primeiros colonos tinham como objetivo tão somente lucrar, e quando fosse possível, retornar para Europa. Assim sendo, o governo só trabalhou na regulamentação do campo monetário. Cabe salientar que ao contrário da Espanha, Portugal havia consolidado seu território e uma cultura relativamente homogênea pelo menos um século antes da chegada na América, logo, a noção do "português" estava bem mais sedimentada. Na arquitetura, basta comparar alguma das primeiras cidades brasileiras, como Ouro Preto, com o centro antigo de Lima, por exemplo. Na cidade brasileira, não houve nenhuma tentativa de terraplanagem, as ruas são sinuosas, e as casas estão dispostas de qualquer maneira, conforme o gosto dos moradores. No caso espanhol, o fenômeno inverso se aplica; tudo é plano, as casas estão alinhadas e as ruas estão em ângulos retos. Sem querer fazer um juízo de valores, não houve plano melhor e plano pior, por mais que possa parecer que isso tenha sido levantado. Ambas as propostas permitiram que os europeus se fixassem por aqui, e alcançassem seus objetivos imediatos. Para todos os efeitos, a ambição da "Nova Espanha" se esvaiu com o passar do tempo, dado uma série de circunstâncias.

Seja como for, se olharmos para as primeiras cidades construídas, praticamente todas seguem esse roteiro. Abaixo da Linha do Equador, os lugares que tinham o clima mais parecido com o europeu são os que estão à milhares de metros acima do nível do mar. A primeira foi a Cidade do México, que passou formalmente para o domínio espanhol em 1521 (antes disso, era a capital asteca, Tenochtitlan), que está nos 2,241 metros. Outros exemplos dizem respeito a Quito (fundada em 1534, tem lá os seus 2,850 metros), Bogotá (fundada em 1538, fica 2, 625 mais perto das estrelas que as demais cidades do mundo - conforme o próprio motto da cidade) e La Paz (fundada em 1548, a 3,640 metros acima do nível do mar). Isso por quê falamos de capitais. No caso das bolivianas Potosí e Oruro, fundadas em 1545 e 1606, e que ficam a 4, 067 e 3, 706, respectivamente, estas foram centros de mineração, de onde a Coroa Espanhola tirou sabe-se  lá quantas toneladas de minérios, sobretudo de prata. Outras cidades fundadas ainda no século XVI, como Tegucigalpa (capital de Honduras), estão à poucos metros acima do nível do mar, mas no período, eram de difícil acesso, rodeadas por uma mata nativa que até meados do séc. XX permanecia pouco alterada.

A única exceção é Lima, no Peru, que fica no litoral, mas vale dizer que Lima só foi colocada como sede por um fator imprevisto. Os espanhóis tinham escolhido Jauja, que fica a 3, 300 metros acima do nível do mar, como sede. Contudo, os cavalos que trouxeram não conseguiram se adaptar ao local. Vale lembrar que no processo de conquista, o cavalo era uma peça muito importante, pois os nativos acreditavam que cavalo e cavaleiro eram uma única criatura, o que dava uma vantagem psicológica muito grande aos espanhóis. Vantagem tão grande e tão importante que os levaram a mudar os planos, indo para um lugar que contrariava suas diretrizes originais.

Finalizando, é algo interessante de se saber, nada mais. Pretendia fazer algo mais nessa semana, e possivelmente o farei, mas acompanharei, e tentarei participar, das manifestações por aqui. Se tiver chance, vá pra rua. Até lá.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Mais considerações

Faz tempo, eu sei, desde que prometi que teceria mais alguns comentários sobre a A2 e a A3 do Paulista. Faltou tempo, e não minto, faltou saco pra tal empreitada. Passada a tribulação, e recuperado o ânimo para apreciar isso aqui, vamos aos finalmentes, mas começando de um outro jeito.

Faz certo tempo que a A3 acabou, com o título merecido do São Bento, que voltará para a A2 esperando reeditar seu passado de glórias, quando Sorocaba era uma rota praticamente obrigatória no planejamento de viagens para a A1. Sendo derrotado em apenas 4 dos 25 jogos da competição (somando os 19 da 1ª fase com os 6 da 2ª), o clube prezou pela regularidade. Pra ser mais exato, dos 4 que subiram, 3 ocuparam as 4 primeiras posições na 1ª fase; o próprio São Bento, Batatais (3º) e Itapirense (4°). O 2º colocado, no caso, o Flamengo de Guarulhos, perdeu a chance do acesso por apenas 1 ponto, no caso para o Marília, que havia sido o 6º na fase anterior.

Da parte dos outros clubes que subiram, é interessante ver o Batatais,que ficou com o vice e conseguiu o acesso de maneira inesperada até (pelo menos para mim, que não o colocava entre os favoritos à subir). Ainda que tenha desperdiçado a chance de ser campeão (havia a possibilidade de vencer o São Bento em Sorocaba, mas é certo que a chance de ouro estava dentro do Oswaldo Scatena - que foi desperdiçada com um revés por 3 x 1). Não foi brilhante, mas sofrer apenas 28 gols ao longo de toda a competição é algo digno de nota. Menos gols ainda sofreu o Marília...ou melhor, sofreu apenas um gol a menos. Seja como for, a maior parte dos anos desse século não têm sido muito amigáveis ao torcedor do MAC. Depois de ver seu clube sair da A1 e deixar de disputar competições nacionais, esse acesso pode representar algo mais. No mais, também é interessante ver a ascensão da Itapirense, que voltou ao profissionalismo em 2005, e 9 anos após o retorno, já está na A2. Não sou o maior conhecedor do futebol de Itapira, mas acho que nenhuma equipe da cidade chegou tão longe.

Estes ocuparão na A2 as vagas que foram deixadas por Noroeste, São Carlos, Santacruzense e Juventus, cada qual com um quadro próprio (o que é natural, diga-se de passagem). Sobre o Noroeste, bem, gosto de compará-lo com a Portuguesa do ano passado; da Barcelusa à rebaixada no Paulista. Explico melhor; o Norusca venceu a Copa Paulista (erguendo a taça na casa do rival, no caso o Audax - que veja só, subiu), garantiu uma vaga na Copa Paulista, e na A2 garantiu uma vaga na A3. Ironicamente, o Norusca só entrou na zona de descenso na última rodada. Da parte de São Carlos e Santacruzense, os dois beiraram o rebaixamento ano passado, logo, se não houvessem mudanças drásticas, a lógica seria implacável. Evidentemente, a lógica prevaleceu (no caso da Santacruzense, a situação era bem mais periclitante, dado que o clube passava - ou melhor, passa - por sérias dificuldades econômicas). Por fim, o Juventus. O torcedor juventino viveu um desastre, no mínimo. Como todo clube promovido, a principal meta é não cair, mas esperava-se ao menos que o clube brigasse por alguma coisa, uma classificação para a 2ª fase, por exemplo. Mas o que se viu foi um elenco fraco de dar dó, e quando se viu que a molecada da base tinha algum potencial, era tarde demais. A se lamentar também a perca do grande Sérgio Mangiullo, torcedor emblemáticos do Juventus.

Ainda na A2, menção honrosa à permanência do Rio Branco, menção mais honrosa ainda ao Capivariano, que não só foi digno, como brigou pelo acesso até o final, e só não levou no saldo de gols (afinal, não tinha como superar o Comercial depois dos 7 x 0 que este aplicou na Portuguesa). Menção nada honrosa à Ferroviária, que só escapou do rebaixamento no saldo de gols (-5 contra -6 do Noroeste). Que olhem os exemplos de São Carlos e Santacruzense para não caírem no mesmo erro.

Voltando para a A3, no que tange o grupo dos que permanecerão por aqui em 2014, muita coisa aconteceu. Por exemplo, o Flamengo perdeu a chance do acesso, mas viu o despertar de um ícone, o atacante Jackson, que após um jogo em que marcou 5 gols (os 5 x 2 contra a Francana), ganhou o apodo de "Jackson Five". Nessa toada, o atacante converteu outros 15 gols (grande parte deles comemoradas com coreografias isso depois do apelido), e terminou como o artilheiro da A3. Considerando que o Flamengo marcou um total de 49, a importância que Jackson Five para a equipe é óbvia. Achei válida a sacada, mas ao que tudo indica, o pessoal da Rede Vida discorda de mim, dado que preferiam uma alcunha em bom português (o que no frigir dos ovos, revela um certo desconhecimento de cultura pop). Da Rede Vida, e das transmissões em geral, essas quero destacar mais tarde. Também quero destacar a campanha do Joseense, que de candidato ao rebaixamento, acabou fazendo uma campanha mais do que digna, e brigou até o final por uma classificação para a 2ª fase. Aproveitando o gancho, dos clubes que subiram da Segunda Divisão, apenas o São Vicente não conseguiu permanecer na A3. Apesar de terem conseguido ao menos ficar, ainda assim me decepcionei um pouco com Votuporanguense e Novorizontino, mas como já foi dito, o objetivo principal foi obtido.

Dos rebaixados para Segunda Divisão de 2013, São Vicente, Palmeiras B, Barretos e União São João não demonstraram em momento algum que poderiam ter um destino diferente. Destes, o único que não jogará a B ano que vem é o Palmeiras B, que foi dissolvido pela matriz (contei sobre o último jogo da equipe, é só clicar aqui). O Barretos, que subiu de maneira polêmica, volta à Segundona em menos tempo que eu esperava (achava que o time ficaria na A3 um tempo até conseguir galgar o acesso para a A2). Da parte do São Vicente, estes romperam com a parceira (ou foi a parceira quem rompeu com o clube. Pessoalmente, acredito que foi um processo mútuo), que havia montado o elenco que foi vice-campeão da Segunda Divisão de 2012. Já o União São João será membro do grupo daqueles que jogaram todas as divisões do Paulista, mas pela porta dos fundos. Talvez a queda tenha sido mais acentuada pelo fato de que o União já alcançou a 1ª do Brasileiro. É um choque muito grande, de fato, e torço para que se recuperem disso.

Dito tudo isso, fico por aqui. Reconheço que isso aqui saiu muito, mas muito tempo depois dos fatos descritos. Seja como for, há mais por vir. Até lá.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

RNK Split

Como puderam perceber, o blog ficou meio esvaziado ultimamente. Bem, peço desculpas, e tentarei passar aqui com a regularidade devida. Seja como for, andei pesquisando, de maneira aleatória, diga-se. Fiquei dando uma olhada naquele site de distintivos, que postei aqui um tempo atrás. Lá havia um clube que não conhecia, mais especificamente o NK Lucko. O desconhecimento era tal que eu ignorava a nacionalidade do mesmo. Como dizem, a curiosidade (e o acaso) é (são) a(s) mãe(s) de todas as descobertas. Pesquisando, vi que era um time croata. Legal, poucas coisas croatas são conhecidas no mundo, especialmente seu futebol.

Mesmo com os feitos da seleção nacional na Copa de 98, pouca gente conhece mais do que os croatas que atuam nas grandes ligas, e a nível local, o Dínamo de Zagreb e o Hajduk Split. Falando em Split, acabei vendo que lá havia um outro clube,  RNK Split, e posso dizer que o clube possuí uma história, digamos, singular.

Fundado em 1912, o que o torna um dos mais antigos não só da Croácia como da Europa Continental. Mas creio que foi o primeiro que se chamava "Anarch" e usava um uniforme todo preto. Ao que tudo indica (as fontes em inglês ou outros idiomas menos inteligíveis que o croata são escassas. E usar o Google Tradutor para uma pesquisa minimamente série é um tiro no pé) foi fundado na parte da cidade que contava com a maior concentração de operários, e consequentemente, de movimentos trabalhistas; os portos da cidade (cabe salientar que Split é uma cidade banhada pelo Mar Adriático, e seus portos são pontos movimentados desde a Antiguidade).

Na década de 30, adotou o nome atual, Radnicki Nogometni Klub (usando de licença poética, algo Operário Futebol Clube), assim como a cor, que passou do preto para o vermelho. Algumas fontes apontam que o fortalecimento da juventude comunista na região incentivou essa mudança, e aparentemente, o pessoal do clube trocou Bakunin por Marx. Para um clube que não conseguia grandes feitos esportivos, sua popularidade era considerável, ainda se consideramos se o outro clube da cidade, o Hajduk, conquistava feitos bem mais notáveis. Seja como for, os membros do RNK não procuravam atuar apenas no campo teórico, tanto que tentaram enviar membros da associação para a Espanha, para ingressar nas forças anti-Franco na Guerra Civil Espanhola. Contudo, por alguns fatores que não consegui encontrar mais informações, não obtiveram êxito nessa empreitada, mas se eles não conseguiram ir para a guerra, a guerra iria até lá. Naquela época, a Europa não andava muito pacífica, e naquele período estourou a II Guerra Mundial, e os Bálcãs eram uma região estrategicamente importante, dado que permitia um fácil acesso ao Mediterrâneo. Nisso, a população como um todo organizou a resistência ante o invasor, lutando em um sistema de guerrilha que ficou conhecido como partisan. Quando se fala em "população", é que praticamente todos os setores ingressaram direta ou indiretamente na resistência, inclusive os esportistas, o que inclui o RNK e o outro time da cidade, o Hajduk. No final do confronto, a Croácia estava livre dos nazistas, mas não sem sofrer pesadas percas.

Passada a guerra, a vida voltava no limite do possível, já que a Croácia agora estava integrada à Iugoslávia, e assim como no pré-guerra, o RNK continuava nas divisões inferiores, mas alcançaria mais sucesso aqui, com suas 3 participações na 1ª Divisão e e uma semi-final da Copa da Iugoslávia, na década de 60. As coisas não melhoraram com o estabelecimento da Liga Croata, na década de 90. Só em 2011 o clube conseguiu voltar à elite, onde anda realizando boas campanhas, tanto que nessa temporada, ficou em 5º (entre 12 times), e só não foi pra Liga Europa pelo saldo de gols, 2 tentos menor que o do 4º colocado, ironicamente, seu rival citadino.

Ainda que não tenha o mesmo apelo que um St. Pauli ou um Livorno, é um clube legal, e qualquer um que vá fazer alguma coisa qualquer na Croácia um dia desses, se possível tire umas fotos do estádio (o simpático Park Mladezi, ou Parque da Juventude - Parque da Juventude Comunista na época da Iugoslávia - em bom português, com capacidade para pouco mais de 4 mil pessoas), se possível em um dia de jogo e envie para cá, se não for pedir muito.

domingo, 2 de junho de 2013

Real Oviedo

A saga do Real Oviedo foi no mínimo comovente. Não consigo imaginar a sensação que deve vir quando se pensa que o seu time pode desaparecer, tudo por causa de más gestões. Voltando um pouco; o time das Astúrias estava com uma dívida mastodônica, e sem perspectivas de pagá-la. Como na Europa os clubes são empresas, a falência era iminente. Tendo isso em vista, a diretoria do clube decidiu expandir as opções de entrada de capital no clube. Explica-se; o valor das ações diminuiu, logo, não era necessário contar com um grande capital para ser um acionista do clube, e o principal alvo dessa ação eram os torcedores.

Nesse cenário, a torcida começou a se mobilizar, criando fanzines, filmes e tudo quanto é tipo de material, com uma mensagem; nos ajudem a salvar o Real Oviedo, e podemos dizer que deu resultado. A cidade de Oviedo entrou no espírito da coisa toda e passou a apoiar a iniciativa incondicionalmente. De maneira inesperada, pessoas de outros países também ajudaram. Asturianos ilustres, como o piloto da Ferrari, Fernando Alonso, e jogadores que passaram pelo time, como Michu, Cazorla e Mata, todos atuando na Premier League inglesa, também ajudaram.

Tudo isso documentado em um curta metragem, que pode ser visto aqui. Eu não sei como inserir legendas nesse treco, então, terão de se virar com seu inglês e espanhol. Mas a mensagem do filme é clara, e pode ser compreendida de qualquer maneira, independente do idioma falado, assim como a linguagem do futebol.

Para não terminar o texto de maneira brega, simplesmente faço isso; recomendo que você use de pouco mais de 15 minutos de seu dia para ver isso, pois vale a pena.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

América (s)

Estava dando umas zapeadas aleatórias no youtube, procurando matar o tempo, e por quê não, ter uma epifania do que escrever pro blog. Ainda tem as outras considerações sobre a a A2, é verdade, mas ainda estava ordenando os fatos na minha cabeça (nota: esses texto estava sendo escrito à um tempo, logo, o que devia estar ordenado já está em ordem, agora é só escrever, mas não agora). Seja como for, acabei caindo naquele vídeo do torcedor do América, puto com o time. Esse é um clássico, que não acredito que alguém tenha deixado de ver. Se não viu, veja, não só pela excentricidade do rapaz, mas pelo valor cancheiro do vídeo.

Nisso, em mais zapeadas, acabei achando umas coisas interessantes, mais especificamente, documentários, todos sobre o América. Os primeiros são os dois "Unido Vencerás", que retratam os torcedores do Mecão em dois momentos bem distintos; o primeiro foi produzido quando o América foi rebaixado no Torneio Rio-São Paulo de 2002, enquanto o segundo mostra a final da Taça Guanabara de 2006, a qual o clube chegou na final.

O outro também é sobre um América, mas o de Pernambuco. É um trabalho de faculdade (muito bem feito, diga-se), e tem um caráter mais institucional, se assim podemos dizer, pois entrevista apenas figuras ligadas administrativamente ao clube, as quais falam da história, calvário, ressurgimento e perspectivas para o futuro do Campeão do Centenário.

São dois clubes da capital, que tiveram uma fase áurea, que encararam uma fase extremamente difícil, e que agora procuram se reencontrar (às duras penas é verdade), além do fato de dividirem o mesmo nome. Seja como for, fica a torcida desse escriba para esses dois clubes ... e aguardo ansiosamente um "Unido Vencerás - Parte 3", e algo feito pela torcida e para a torcida do América - PE.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Considerações sobre a A2

Faz tempo que não falo da A2...deixei de fazer isso por quê atualmente, encontrar informações da A2 não é algo que demande lá muito tempo, logo, minhas considerações não iriam colaborar para muita coisa. Mas me deu vontade de abordar o assunto, sendo serviço de utilidade pública ou não.

Pra começar, a final, mais especificamente, a finalíssima. Vi poucos jogos da A2 in loco esse ano, ou pelo menos em menor quantidade do que gostaria, e tinha a oportunidade de ver o último jogo da competição, o Portuguesa x Rio Claro que iria definir o título. Incubi um amigo de ir arranjar os ingressos no sábado imediatamente anterior à final, contudo, ele não conseguiu obtê-los. Nisso, só me restava ir no estádio no domingo, e achei arriscado sair de um lugar distante para me deparar com uma bilheteria vazia. Temi isso devido à minha última experiência com jogos festivos da Portuguesa, pois estava no jogo do acesso para a Série A, contra a Ponte Preta, e o Dr. Oswaldo Teixeira Duarte estava abarrotado àquela altura, com direito à uma banda de fado passando no meio do pessoal. Seja como for, para quem quer que tenha visto o jogo, quer fosse no Canindé, quer fosse pela TV (o que merece um capítulo à parte), viu que o estádio não estava cheio. Fui um completo juvenil e ignorei todo um contexto que rondava a partida, aliás, não só a partida, como a estadia da Lusa no segundo escalão do futebol paulista. Poderia ter ido no setor visitante, mas sei por experiência própria que esse local não é dos maiores, ainda que possua um tamanho considerável. Ainda assim, eu esperava que a torcida do Rio Claro lotasse o local (o que não quer dizer que pouca gente saiu da cidade que dá nome ao clube). Ainda mais, 30 mangos em um ingresso é um tanto quanto pesado para quem quer que não esteja envolvido diretamente no negócio. Seja como for, o que passou, passou.

Dito isso, a finalíssima foi bem, digamos, estranha. Havia a gana dos jogadores de ambas as equipes em procurarem vencer e conquistar o título, mas algo pairava no ar, e era perceptível até para quem não estava lá, que era meu caso. O prélio teve o nível de tensão aceitável para uma final, não ultrapassando isso em momento algum, talvez exceto no gol do Rio Claro. Mas creio ter sido algo breve. Essa final não chegou a ser modorrenta, mas certamente existem outras mais memoráveis. A partida terminou em 1 x 0 para os visitantes, mas que foi insuficiente para que a taça fosse levada para o interior; por ter feito uma campanha melhor ao longo da competição, e por ter vencido a ida por 2 x 1, esse placar ainda permitiu que a Portuguesa fosse campeã. Aí ocorre um fato pouco, ou melhor, nem um pouco, usual; a torcida começa a vaiar. A torcida apoiou a partida inteira, e começou a vaiar logo após o apito final.

Isso até pôde causar estranhamento nos mais incautos, mas era bem explicável; os adeptos não vaiavam o time (ainda que merecessem alguma manifestação do tipo, dado algumas pixotadas), mas a diretoria, com atenção especial ao presidente, Manuel da Lupa. Nessa gestão, que começou em 2005, a Lusa alcançou a Série A do Brasileiro, é verdade, mas sofreu 2 rebaixamentos no Paulista. Também é verdade que desde o começo dos anos 2000 o clube passava por uma situação claudicante, mas isso não quer dizer que dá para isentar de responsabilidade os atuais mandatários.

Nessa A2, tudo o que foi dito no parágrafo anterior, somado ao fato da confirmação da presença da Lusa ter se dado logo após a  apoteose do acesso para a 1ª Divisão do Brasileiro, ajude a explicar o que muitos classificaram como "brochante" quando da cerimônia de premiação.

Até mesmo aqui a Portuguesa foi aquela que recebeu mais atenção, marginalizando os outros. Afinal, é um time de primeira do Brasileiro, inserida na segunda estadual. Acho que é algo inconsciente, ou qualquer coisa do tipo.

Em relação ao Rio Claro, para mim, foi uma grata surpresa. Antes do início do certame, não o colocava como favorito ao acesso, sequer como postulante à classificação à 2ª fase. Acreditava piamente que ficaria na zona do agrião, esperando a Copa Paulista e a próxima A2. Se fosse para algum time da cidade conseguir algo, via o Velo como favorito. Mas eis que queimo a língua. Mesmo com o vice, o clube conseguirá uns bons trocados, tão necessários para todos, e irá partir para a competição do 2º semestre com ânimo renovado. Esperemos 2013 então, para que vejamos se a agremiação conseguirá se manter na A1.

Da parte dos outros dois promovidos, o Comercial fez um bate-e-volta, e ano que vem veremos um sempre esperado Come-Fogo. Acho que todo mundo deve concordar que o Bafo selou o acesso nos surpreendentes 7 x 0 contra a Portuguesa em Palma Travassos. Com o saldo de gols construídos lá, só uma hecatombe tiraria a vaga da A1 do lado alvi-negro de Ribeirão Preto. Do outro lado, o Audax, que até bem pouco tempo atrás, era o Pão de Açúcar EC. Será a primeira vez que veremos um clube-empresa, mas empresa mesmo, disputar o Paulistão. Creio que será uma passagem atípica, pois essa passagem será pouco memorável, dado que o clube não tem torcida ou qualquer identificação com alguma coisa. É inegável que em algumas partidas, os atletas e a comissão técnica encarem o adversário como uma formalidade. No caso do Audax, até mesmo os torcedores encararão assim. Pode ser que sejam jogos bons tecnicamente, mas faltará algo no fora das quatro-linhas. Do outro lado, é inegável que o sucesso do clube é resultado de um planejamento sério, feito à longo prazo, com uma competência raramente vista. Administrativamente falando, não lembro de ter ouvido algo como atrasos de salários, assim como outras coisas tidas como comuns. Estruturalmente, as coisas andam no mesmo ritmo. É consenso que qualquer um gostaria de ver um clube mais tradicional, ou até mesmo que a anos esteja pelejando nas divisões inferiores, no lugar do Audax, mas na imensa maioria dos casos, tais clubes não se estruturam, por uma série de motivos que não cabe elencar aqui. Além do mais, o Audax não colabora em nada para o definhamento das equipes tradicionais. Que será chato vê-lo no lugar de uma centena de outros time, isso vai, mas não vai ser a desgraça que muitos imaginam.

Olhando para o texto, ficou maior do que o esperado, e ainda tenho mais considerações. O jeito então será dividir, logo, esperem outra parte. Caso tenha dito algum disparate, ou tenha me esquecido de algo, ou ache qualquer coisa sobre um fato qualquer relacionado direta ou indiretamente com o tema, sinta-se à vontade para comentar. Por hora, me despeço.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Camisas - Associação Atlética Santa Ritense - Santa Rita do Passa Quatro SP

A Série A2 acabou, de maneira estranha, a bem de verdade. É estranho ver um time ser campeão sob vaias, mas há toda uma explicação para isso. Tentei ir para o jogo, mas não consegui o ingresso, então, tive de ver pela TV mesmo. Mais considerações sobre a A2, a A3 e a própria Série B ficarão para mais tarde.

Venho cá com uma peça que consegui, mas que tenho poucas informações sobre. Trata-se de uma camisa da Associação Atlética Santa Ritense, de SP.


Fundada em 25/01/27, a agremiação começou a disputar as divisões de acesso a partir dos anos 60, e ficou nessa toada por muitos anos. Ao todo, foram 20 participações, a maior parte delas na 3ª Divisão, com algumas passagens esporádicas na 4ª e 5ª.


A última vez que vimos a Santa Ritense no futebol profissional foi em 2004. Desde então, o clube passou apenas a administrar seu patrimônio social, que pelo que dizem, é consideravelmente grande. Mas quem quer que queira ver a Vermelhinha em ação, a equipe disputa o campeonato amador da cidade, mandando suas partidas no estádio José Pereira da Silva (que abriga até 5,500 torcedores), estádio que sempre foi a casa da AASR.


Seria bom ver a Santa Ritense voltar ao profissionalismo, mas apesar de possuir um grande patrimônio, seria muito arriscado voltar às competições oficiais da FPF. Sobre os torneios amadores de Santa Rita do Passa Quatro, poucas são as informações disponíveis (ou seja, quem quer que saiba algo à respeito, por favor compartilhe). Sobre a camisa em si, aparentemente ela é dos anos 90, pois divide o mesmo layout que o da Matonense, por exemplo, o que é justificável pelo fato de ambas terem sido confeccionadas pela Elite (que por sinal voltou à Matonense). Mas não consigo especificar o ano, algo a partir de 99, ano de sua última volta ao profissionalismo.

Quem tiver qualquer informação, história ou causo sobre a Santa Ritense, por favor compartilhe conosco. Há mais por vir na quinta feira, pelo menos assim espero. Até lá.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Distintivos

É certo que uma das características mais marcantes de um clube é o seu distintivo, que geralmente é resultado de um processo histórico regado à tradição, inovação, dificuldades, ou qualquer outro fator. Com o passar do tempo, vários foram os distintivos que sofreram alterações, e perfeitamente crível que na ocasião em que essas mudanças ocorreram, nem todos as aceitaram. Sempre acreditamos que na época em que vivemos, não haverá alteração alguma, mas até aqui mesmo no Brasil, elas ocorrem, de maneira discreta, é verdade, mas ocorrem. Basta analisar o brasão da Portuguesa, Olímpia e Primavera, todos com alterações sensíveis (ainda que a da equipe de Indaiatuba tenha sido a mais drástica), cada qual motivadas por fatores próprios.

Nessa linha, perambulando por alguns sites, me deparo com o Love Football, Hate Football, que possuí a premissa de sugerir alterações nos escudos de algumas equipes, seja seguindo a tradição, incorporando vários elementos da História do clube em um novo distintivo, ou por uma questão meramente estética, mas não gratuita. É uma proposta ao menos interessante, o que faz o site valer uma olhada....

domingo, 5 de maio de 2013

Regularização

Andei percebendo uma coisa: a maior parte dos blogs, sites e derivados que abordam futebol possuem alguma padronização. Pensando nisso, tentarei algo do tipo. Assim sendo, digo; todas as terças, quintas e domingos haverá material novo no blog. Se não houver, haverá compensação somente nessas datas. Isso deve facilitar na agenda, além de facilitar aos leitores, que creio eu, não tem tempo de ficar verificando um material que é publicado em uma frequência aleatória.

Aviso dado, cumprirei com esse passo, para melhorar mais isso aqui. Dito isso, saludos.

Guia da Segunda Divisão Paulista 2013 - Ilha Solteira

A Segunda Divisão Paulista é uma das competições mais democráticas do Brasil, quiçá, do planeta. Nela, vemos clubes de várias regiões do estado de São Paulo, que possuí uma diversidade futebolística invejável. Ano passado mesmo, a quilometragem entre as cidades sede de São Vicente e Votuporanguense foi a maior de todos os tempos em uma final (590 Km). Esse ano, teremos a volta de um time de uma cidade ainda mais longe que Votuporanga; trata-se do Ilha Solteira.




Nome: Associação Esportiva Ilha Solteira

Fundação: 01/12/93

Estádio: Frei Arnaldo Castilho (capacidade para  5, 540 torcedores)

Cidade: Ilha Solteira ( população de 25, 071 habitantes - IBGE 2010)


De certa forma, o retorno do Ilha Solteira foi surpreendente. Afastado das competições profissionais desde 2010, poucos apostavam que o time retornaria, e o apostavam não só pelo tempo afastado. O retrospecto do AEIS em competições paulistas não é nada bom. A equipe nunca conquistou grandes coisas no futebol, e sempre teve de lidar com uma série de dificuldades, financeiras e estruturais, só para ficar em duas. Por isso, além de surpreendente, a intenção dos dirigentes de voltar com o futebol profissional é ao menos briosa.

Mas é certo que eles não pretendiam retornar para tomar pau, e anunciaram que as coisas seriam diferentes, já que contariam com o apoio de uma série de parceiros regionais, entre eles uma Usina local (à qual não encontrei o nome - ou seja, se alguém souber, compartilhe), além da prefeitura ter prometido reformar o estádio Frei Arnaldo. Com isso, passou-se a ter o acesso como um sonho distante, o que em comparação com os anos passados, é um baita de um progresso.

Contudo, a estreia do time foi difícil. O primeiro jogo ocorreu em casa, mas o estádio estava interditado (ao que tudo indica, as obras prometidas ainda não começaram)

. Para completar, por problemas de documentação, o técnico Solito Alves (que estava à frente do time em 2010) pôde contar com apenas 9 jogadores em campo (não haviam sequer reservas, o quê em um jogo às 10:00 é de matar). Nessas condições, os 4 x 1 aplicados pelo AEA eram até esperados.

A partir disso, muitos pensaram que a equipe repetiria as cenas dos últimos anos, em que perdia mais pontos nos gabinetes do que em campo, isso quando não desistia da competição. Mas com o empate (1 x 1) fora de casa ante o Bandeirante, os prognósticos de fracasso da AEIS se arrefeceram, pelo menos por enquanto. Novos jogadores já foram contratados e inscritos, e de agora em diante, pelo menos o Ilha Solteira entrará com 11 em campo.

Ainda que a competição ainda esteja no início, o que dificulta uma análise sobre o potencial da equipe (além do mais, a menos que algum jogo seja televisionado, dificilmente verei o AEIS). Mas tendo em vista todos os problemas estruturais que o clube apresenta, creio que brigar pela qualificação já será um lucro. 

domingo, 28 de abril de 2013

Guia da Segunda Divisão Paulista 2013 - União Mogi



O ano do centenário tende a ser um ano especial, não sem razão. Esse será o caso do União em 2013, que usará a motivação dessa efeméride para buscar dias melhores. Contudo, a motivação por si só e insuficiente, mas o União mostra mais do que isso.



Nome: União Futebol Clube

Fundação: 07/09/2013

Cidade: Mogi das Cruzes (387,779 habitantes - IBGE 2010)

Estádio: Municipal Francisco Ribeiro Nogueira, popularmente conhecido como Nogueirão (capacidade para 10 mil pessoas)

Títulos: Segunda Divisão (2006)


Ao contrário de 2012, quando a equipe partia para a disputa da Segundona em uma situação um tanto quanto periclitante, o otimismo é a tônica de 2013, tanto é verdade que não se esconde de ninguém que a meta é subir para A3. Essa linha de pensamento faz parte do programa "União na Mais Alta Divisão", que visa colocar a Serpente do Tietê na A1 do Paulista, para a partir daí, poder alcançar competições de âmbito nacional. De fato é um plano bem ambicioso, como a muito não se via, especialmente nessa divisão. A pedra fundamental desse programa é o planejamento a longo prazo, e os parceiros do União (que vão de empresas privadas até o poder público - que cabe salientar que não investirá dinheiro público no time, mas ajudar na captação de recursos) estão cientes disso, assim como estão cientes de que a torcida tem papel importante nesse processo. Foi lançado um programa de sócio-torcedor (medida que já não é tão rara entre os clubes dessa divisão), que virá com ações de marketing, provavelmente em cima do centenário.

Como era de se esperar, todo esse investimento está gerando expectativas, e como já dissemos, o objetivo é o acesso, logo, será necessário montar um time à altura de tais expectativas. A bem de verdade, os nomes que o União dispõe não são dos mais conhecidos, mas de todo jeito, esse é o cenário geral da competição, então, não é algo propriamente ruim. Nesse ínterim, destaco o atacante Jefferson Chumbinho, vindo do Comercial - MS, que no entender do técnico Paulo Mulle, será a referência no ataque do time, isso no alto de seus 27 anos (vale lembrar que essa é uma competição sub-23, que permite que 3 atletas acima dessa idade estejam em campo). Sobre o treinador, Mulle (que é conhecido na região, pois treinou o ECUS em 2011) trabalha com o time desde janeiro desse ano, e pôde realizar uma série de amistosos contra equipes que compõem essa divisão, e até que se prove o contrário, saiu invicto (explica-se; o time empatou em 0 x 0 com o Atibaia e venceu o Guarulhos por 1 x 0. Outros dois amistosos foram disputados, contra o São Bernardo e o Grêmio Mauaense, mas não pude encontrar os resultados dessas duas partidas).

O primeiro passo já foi dado; empate fora de casa contra um desestabilizado Jacareí. A próxima partida será o dérbi da cidade, contra o Atlético Mogi, e a partir daí poderemos ter uma ideia precisa do que o União pode fazer.