terça-feira, 27 de novembro de 2012

Segunda Divisão Paulista 2013 - Inter de Bebedouro


Dando continuidade à introdução para a Segunda Divisão Paulista de 2013, procuraremos abordar o ano de uma das mais tradicionais agremiações do estado de São Paulo, a Internacional de Bebedouro. Depois de 2 anos na A3, o clube volta para a companhia de outros times de rica história, todos buscando reeditar um passado de glórias cada vez mais distantes, ou ao menos dias razoavelmente melhores. Olhando o 2012 da Inter, o que podemos esperar para 2013?





Nome; Associação Atlética Internacional

Fundação; 11/06/1906

Estádio; Sócrates Stamato (capacidade para 15,300 adeptos)

Títulos; Série Pecuária (56) e Taça Cidade de São Paulo (79)

Cidade; Bebedouro (população de 75,300 habitantes)


Desde que voltou do licenciamento, em 2007, a Internacional de Bebedouro procura crescer, o que é algo perfeitamente natural. Com boas participações na Segundona Paulista, o acesso veio em 2010, de maneira inesperada até. Naquela edição, a Inter terminou na 6ª posição na classificação geral, mas foi beneficiada com a desistência do Atlético Araçatuba e o desaparecimento do Votoraty.

Na A3 de 2011, o clube fez uma campanha muito ruim, salvando-se apenas na última rodada. Não sem razão, a diretoria ficou preocupada, e procurou se planejar melhor, para não ser pega de supetão de novo. No 2º semestre, o clube disputou a Copa Paulista, e de maneira inesperada, chegou na 2ª fase, depois de uma 1ª etapa muito boa, levando-se em consideração a estrutura do time; foram 10 vitórias em 16 jogos, com apenas uma derrota, marcando 27 tentos e concedendo 11. Na 2ª fase, houve uma queda no desempenho e a equipe acabou eliminada, depois de 2 vitórias e 3 derrotas em 6 jogos (7 gols marcados e 8 sofridos), mas era consenso que nessa fase o time não mostrou o potencial visto na etapa anterior.

Assim sendo, o clima era de otimismo em Bebedouro, pois cerca de 90% do elenco que disputou a Copa Paulista estaria no clube em 2012, todos comandados pelo treinador Leston Júnior. Com esse ânimo a equipe começou a se preparar para a A3 já em fins de novembro, com treinos e amistosos preparatórios (por que a nosso ver, jogo treino é uma das maiores inutilidades do futebol atual, assim como o escanteio curto). Já se sabia que a AAI não era uma das equipes com o maior orçamento da A3, o que se por um lado aumentava o feito obtido na Copa Paulista, por outro causava certa preocupação. Estava estabelecido que folha de pagamento giraria em torno de R$40 a R$45 mil mensais, uma das menores da competição, claramente uma aposta no “bom e barato”. Todos esperavam que a equipe tivesse um desempenho suficientemente digno para se manter na A3.

Enquanto as coisas pareciam indo bem na montagem do time e na organização fora de campo, logo no começo de 2012 surgiu um problema, comum em vários clubes paulistas esse ano; estádio. O estádio Sócrates Stamato estava sem condições de receber público, e a diretoria teve de correr para liberá-lo, coisa que só foi acontecer pouco antes do início da competição.

Enquanto procuravam superar esse problema, todos já trabalhavam com o olhar na A3. A comissão técnica já previa que a A3 2012 seria mais difícil que a edição anterior, devido à mudança na forma de disputa (se em 2011 os 20 clubes foram divididos em 2 grupos regionalizados, que jogariam em turno e returno, a desse ano não haveria divisão, sendo um todos-contra-todos em turno único).

Apesar do discurso da diretoria estivesse sendo regado com otimismo, na prática todos sabiam que a briga seria primeiro pela permanência, pra depois tentar beliscar uma vaga para a 2ª fase. Mas logo no começo do campeonato, vimos evidências de que as coisas não seriam fáceis, muito pela já mencionada escassez de recursos.Em sua estreia no certame, a equipe deixou todos que acompanham as divisões de acesso perplexos ao atuar com uma camisa em que estava estampado “Abandono”. A medida foi pensada pelo gestor do time, Orlando da Hora, que encarava que a Inter tinha pouco dinheiro por quê a cidade pouco apoiava o time. E assim foi, com "Abandono" na camisa, até o fim da competição.

Ainda assim, em dado momento, o clube chegou a ensaiar uma briga pela 2ª fase, mas esse ensaio não durou muito tempo. Antes mesmo do início do campeonato, o receio pelo descenso era grande, e o que antes era receio, foi tomando proporções cada vez maiores conforme a competição avançava e as vitórias não vinham. O time entrou na Zona de Rebaixamento apenas na 15ª rodada, e àquela altura, o clube estava a apenas 4 pontos da zona de classificação, mas mesmo tão perto nos números, o futebol apresentado pela equipe o colocava bem longe dela. Era difícil não notar o mau desempenho no Sócrates Stamato, onde obteve apenas 2 vitórias (os outros resultados foram 4 empates e 3 derrotas. Os maus resultados em casa podem ser reflexo do pouco público que atraiu para o estádio, uma média de 331 pagantes por partida. Certamente os jogos de quarta feira às 15 horas tiveram seu peso negativo na construção desse número. Houve uma promoção na partida contra o Juventus, penúltimo do time, teve uma promoção curiosa; os ingressos saiam por R$10 por pessoa, mas para casais, só um pagava. É algo louvável procurar o apoio da torcida, mas fazer isso somente quando o time está mal é algo mais do que questionável. Não vimos nada do gênero para as outras partidas, o que não quer dizer que coisa alguma foi feita, mas que é um indicador de que nada foi feito, isso é. De maneira indireta, essa política para com o torcedor também evidencia algo; a tensão na relação entre torcida e diretoria. Em várias oportunidades os primeiros mostraram descontentamento com os mandatários, que por sua vez, respondiam de maneira pouco cordial, se assim podemos dizer. Que as mostras de descontentamento eram justas todos admitiam, mas os diretores achavam que eram mais acintosas do que o necessário.

Relações não muito boas entre torcida e diretoria, somadas à indefinição financeira (já que o quadro visto na primeira rodada pouco mudou) e ao (mau) desempenho do time em campo colocavam o Lobo estava em uma situação delicadíssima. De fato, o clube só dependia de si mesmo para se manter na A3, e na última rodada, bastava um resultado favorável ante a Inter de Limeira, fora de casa. Tarefa ingrata, é verdade, mas o clube vinha embalado por uma vitória contra o Juventus em Bebedouro, vitória que deu uma sobrevida ao time e o colocava na situação já descrita.

Foi no domingo de Páscoa. O Limeirão vivia um clima de decisão, como a muito não se via, e havia a certeza de das duas Internacionais, a de Limeira era a melhor, e que só restaria ao time de Bebedouro atuar com brio e contar com a sorte. Se houve ou não brio do lado bebedourense, não sabemos, mas era visível que o time não tinha condições de aproveitar qualquer oportunidade que aparecesse. O Leão de Limeira contava com uma equipe mais balanceada (tanto que brigava pela classificação para a 2ª fase), e também contava com o atacante Fernando dos Reis, que até o fim da competição, marcou 14 vezes, sendo o artilheiro do time. Podemos dizer certamente que se Fernando conseguiu marcar sua passagem por Limeira, seu nome também será muito lembrado em Bebedouro. A Inter de Bebedouro acabou goleada por 4 x 0, 3 dos tentos foram marcados pelo já mencionado atleta, e em momento algum esboçou alguma resposta, sendo praticamente um fantasma em campo, e permitindo uma série de piadas infames acerca de Páscoa e Chocolates, que nos abstemos de fazer.

Depois da confirmação do rebaixamento, reinava no Sócrates Stamato um clima de indefinição. Não se sabia, por exemplo, se Orlando da Hora, que praticamente bancou o time na A3, continuaria ou não em Bebedouro, e até aquele momento, também não se sabia o que aconteceria caso ele saísse, se o time se licenciaria novamente ou se partiria para a disputa da Bezinha de maneira autônoma.

Seja como for, enquanto a dúvida pairava sob a cabeça de dirigentes e torcida, a Inter ia bem na outra competição que disputava, o sub-20. Para os times tidos como grandes, que possuem um calendário para o ano inteiro, ver jogos das categorias de base é mais como um passatempo. Porém, para aqueles que resolvem abraçar os times das divisões de acesso, essa competição é extremamente importante, sobretudo para os torcedores dos times da B do Paulista, que só vem a 4ª Divisão e o sub-20 no ano, e esse será o caso da Inter em 2013, mas voltemos (mais uma vez) para 2012. Depois dos torcedores arrancarem cabelos com o time principal, a base deu motivos de alegria, ainda mais pela preparação da equipe, que contou alguns percalços, principalmente o começo tardio, em que a equipe só se reuniu 15 dias antes do pontapé inicial. Os meninos seriam comandados pelo técnico Berzinho, já que Leston Jr. e o restante da comissão técnica foram para o Olímpia, disputar o restante da Série B desse ano.

A equipe foi muito bem, chegando nas quartas de finais, onde só esbarrou no Palmeiras pois o time da Turiassú fez uma campanha melhor ao longo do torneio (1 x 0 para a Inter em Bebedouro e  3 x 2 para o Palmeiras em SP). Também vale destacar para as goleadas de 5 x 2 sobre a Catanduvense e de 4 x 0 sobre o Batatais, essa última à 2 dias do aniversário da Inter (106 anos), em que completou 106 anos de vida. Paralelo à disputa do sub-20, confirmou-se a permanência do gestor Orlando da Hora, mas de todo jeito, independente da definição da continuidade ou não do modelo de investimento vigente hoje, é certo que caso a Inter opte (o que é bem provável) por participar da B 2013, o time base será composto pelo atual sub-20.

Caso isso se concretize, veremos um time entrosado, e que possuirá um grau relativamente alto de identificação com a população local, que não compareceu em muito peso esse ano (repetindo, a média foi de 331 pagantes por jogo). Entretanto, alguns pontos ainda permanecem vagos, ou melhor, basicamente um ponto, que é a base para vários outros; vimos fontes que afirmam que a gestão permanecerá até 2014, mas desde que ela veio, rolam notícias de que ela sai, pra depois voltar com plano ambiciosos. No futebol, ainda mais o brasileiro, a regra é o imediatismo, e o que foi dito agora pode tentar ser "desdito" amanhã.

Então podemos concluir que o cenário da Inter é instável, imprevisível? Quase isso. Creio que pode-se concluir que a possibilidade disso ocorrer existe, e é consideravelmente grande, assim como a possibilidade das coisas ficarem estáveis, pelo menos em um curto-médio prazo. Assim como todas as equipes da competição, a longo prazo, a Inter precisa sair da B com condições de continuar subindo, caso queira se manter viva no profissionalismo, e quanto mais rápido isso acontecer, melhor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postar um comentário