segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Ba Game


Esse é um nome estranho, sim. Bem, mas para ser abordado aqui, pode-se concluir que está relacionado com futebol. Sim, é futebol, mas não é o futebol como o conhecemos, pra falar a verdade, é um "fóssil vivo", se assim podemos dizer. Trata-se de futebol medieval, que deu origem ao que conhecemos hoje. O futebol medieval é praticado em datas comemorativas, e e é praticado em algumas cidades, fundamentalmente no Reino Unido. Conseguimos informações sobre o Ba Game que é praticado por grande parte dos 8,686 habitantes da pacata cidade escocesa de Kirkwall.

Não se sabe ao certo a origem do jogo; alguns dizem que é herança da ocupação romana na Grã-Bretanha, já que os romanos praticavam um jogo com bola chamado Harpastum. Outros dizem que a pratica nasceu de uma sublevação popular, quando um rei tirano foi deposto e fugiu, mas foi caçado, e morto, por um líder popular, que cortou a cabeça do rei e a levou para o centro da cidade, mais especificamente, para a Igreja local. Do alto da Igreja, jogou a cabeça para a população, que enfurecida com o tirano, começou a chutá-la. E de lá pra cá, a tradição é repetida. Como já dissemos antes, não se sabe como isso nasceu, mas a versão atual da comemoração é praticada desde 1850.

Funciona da seguinte maneira; exatamente às 13:00, nas celebrações do Natal e do Ano Novo, um veterano joga a bola da parte mais alta do pátio da igreja, e a partir disso, os dois times, que possuem aproximadamente 200 jogadores, devem marcar os gols, ou melhor, o gol. Apenas um e a partida acaba, mas com tantos jogadores, não se consegue marcar o gol facilmente, e a partida acaba ao anoitecer.



E além da dificuldade inerente ao alto número de jogadores, há também o fato geográfico; as duas metas ficam nas regiões dos dois times. Um time é da Cidade Baixa, chamado de Doon-the-Gates, ou simplesmente Doonies, a região litorânea, dos pescadores, e da Cidade Alta, os Up-the-Gates, ou Uppies, o lado dos fazendeiros. Os dois times devem levar a bola para a meta do adversário a qualquer custo, seja com chutes, seja agarrando a bola. A partir disso, podemos concluir que é um esporte de intenso contato físico, e é, o que acaba tirando a tranquilidade dos membros da Cruz Vermelha local.



Acredita-se que vencer a disputa dá boa sorte; os pescadores pescarão muito e os agricultores colherão muito. Tanto é verdade que algumas cidades norueguesas telefonam para Kirkwall para saberem quem venceu a disputa, e ver quais serão os produtos de maior qualidade. O jogo é muito popular na cidade, tanto que conta com modalidade feminina e sub-16, com locais e horário próprios para a disputa.



A equipe (de um homem só) do Futebol Interiorano desejaria muito comemorar o Ano Novo à maneira dos habitantes de Kirkwall. Quando tivermos fundos pra fazê-lo, o faremos. Bem, esperamos que em 2012 tenhamos possibilidades pra fazer algo parecido, e também esperamos que vocês, que acompanham isso aqui a um tempo, também possam. Feliz ano novo antecipado...

domingo, 25 de dezembro de 2011

Boas Festas

Bem, a equipe (de no momento um homem só) do Futebol Interiorano deseja boas festas pra humanidade como um todo, para os povos que celebram o Natal, para os que não celebram, para os que não conhecem, para os que conhecem e não comemoram, e para qualquer outra categoria que nos esquecemos de citar. Seja como for, esperamos que as pessoas não esperem uma data específica para serem legais umas com as outras, para visitarem parentes e amigos em locais distantes, ou para comprarem uma tralhazinha aleatoriamente, cremos que é possível fazer isso em qualquer dia do ano. Assim sendo, vamos celebrar o espírito de camaradagem, tão presente em qualquer campo de futebol, seja no Brasil ou em Vanuatu.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Algumas perguntas

Ser torcedor é algo único. O torcedor se sente motivado a fazer o que for para apoia sua equipe. E ele sempre sonha em ter algo acima da média, e esse algo, irá para o clube. Devotará o corpo e a alma pelo seu clube, fazendo o inimaginável. Por exemplo; se for milionário, ele não hesitará em investir a maior parte de sua grana no seu time de coração. Mas acima disso tudo, todo torcedor deseja uma coisa; se pudesse, seria jogador. Começaria a carreira de jogador no time, encerraria nele, e começaria a de treinador, dirigente, ou coisa que o valha.

Vemos alguns exemplos, como o de Marcos do Palmeiras, que foi campeão do mundo pela seleção e rebaixado pelo clube no mesmo ano, em 2002, recusando uma oferta do Arsenal para jogar a Série B. Fora do Brasil, vemos Fernando Yeste, do Athletic Bilbao, que decidiu que jogaria de graça pelo clube, ou Verón, do Estudiantes, que tirou do próprio bolso para levar para La Plata alguns dos jogadores que iriam compor a equipe campeã da Libertadores em 2009. Existem alguns casos mais intensos, como o de Castilho, goleiro do Fluminense, que quando fraturou seu dedo mindinho pela quinta vez, tendo que se submeter a um tratamento de dois meses, não hesitou em mandar amputar seu dedo, para que em duas semanas depois, pudesse defender seu clube.

Mas nenhum caso é tão extremo quanto o de Abdón Porte, jogador do Nacional de Montevidéu. Porte era do interior do país, podendo-se dizer que era um verdadeiro "gaúcho", tanto que seu apelido era "El Índio", e foi parar no Nacional em 1911. Lá se destacou por ser um volante de extremo poder de marcação, e com um grande espírito de liderança, o que lhe rendeu a faixa de capitão. Porte amava o Nacional, era a sua vida, sua religião, sua alma. Quando se via ele em campo, mais do que um jogador, via-se um torcedor que amava o seu time de maneira única e incondicional. Ele vivia o sonho de qualquer torcedor; viver todos os momentos do seu clube, os bons e os maus. Vale lembrar que aqueles eram os tempos do amadorismo no futebol uruguaio, logo, ninguém ganhava nada. Mas para Porte, não havia mais nada para ser ganho. E assim foi por um tempo.

Só que o tempo não para, e com ele, se vai o vigor físico. Ainda que Porte estivesse com apenas 26 anos, já não apresentava o mesmo desempenho de antes. Nisso, a diretoria do Nacional decidiu o substituir por outro atleta. Foi um baque para Porte. O privavam de sua razão de viver, e se a vida não podia ser vivida em sua plenitude, do que valia viver então? Então, na noite de 4 março de 1918, depois de um jantar entre os membros do Nacional, em comemoração a uma vitória obtida no mesmo dia, Porte foi para o estádio Gran Parque Central, onde o Nacional mandava seus jogos (e que anos depois seria um dos palcos da primeira Copa do Mundo). Dentro do estádio, se dirigiu para o meio do campo, e lá, disparou um tiro contra seu próprio coração. Deixou alguns bilhetes por perto, e um deles dizia "Nacional, ainda que vire pó, como pó continuei a te amar, não me esquecerei por um instante, o quanto te amei. Adeus para sempre".

Esse caso não só comoveu, como ainda comove, e leva a pergunta; "um clube de futebol merece tanto?". Afinal, o que é um clube? Certamente não é um apanhado de torcedores, jogadores, técnicos e dirigentes, mas há um clube sem esses elementos? Não cremos que essa pergunta pode ser respondida, mas sabemos que caso um clube deixe de existir oficialmente, ele seguirá existindo dentro dos torcedores. Mas é algo pelo qual vale a pena morrer? Nós cremos que não, mas essa é uma pergunta muito subjetiva, vai de cada um. Mas há uma unanimidade; é algo pelo qual vale a pena viver.

domingo, 18 de dezembro de 2011

"Campeões do Mundo"

Hoje, o Barcelona venceu o Santos pelo Mundial de Clubes, sagrando-se campeão do mundo, numa partida muito esperada, mas que se revelou um tanto quanto sem sal. Não que o Barça tenha jogado mal, longe disso. É que basicamente não foi um jogo entre dois times; foi uma espécie de sparring futebolístico, onde o Santos não atacou, procurando apenas se defender, de maneira mal feita, diga-se de passagem. Agora, o Barcelona volta pra Catalunha com o caneco de melhor de mundo. E pensamos; o que passa pela cabeça dos jogadores do L´Hospitalet, clube da 3ª Divisão espanhola, que irá enfrentar o Barcelona pela Copa do Rei, em pleno Camp Nou, isso depois de perder o jogo de ida por um honroso 1 x 0, gol de Xavi, no modesto estádio La Feixa Llarga, com capacidade para exatos 6,740 expectadores?

Bem, mas como futebol é futebol, e se o L´Hospitalet ganha e elimina o Barcelona? Isso diminuirá o Barcelona? Cremos que não? E fará do L´Hospitalet o melhor time do mundo? Bem, será uma oportunidade marketing. Deve haver algum torcedor dos Riberencs imaginando fazer uma camisa com os dizeres "Campeão do Mundo". Dizemos isso pois já aconteceu em ocasiões anteriores.

Tudo começou quando em 1967, quando a seleção da Escócia venceu a Inglaterra, campeã da Copa do Mundo de 66, em Wembley. A proeza dos escoceses os fez ganhar o apelido de "Magos de Wembley", e eles se proclamaram "Campeões Mundias Extra-Oficiais" (ainda que o termo mais próximo seja "não-oficial", "extra-oficial" é bem mais carismático). Num esquema parecido com o que vemos nas disputas de boxe ou UFC, surgiu o UFWC, ou Unofficial Football World Championships. O esquema é simples; o time que vencer o campeão mundial "toma" o título, e a cada partida, o adversário é o "desafiante". Aí vemos quem terá o "cinturão". O legal dessa disputa é que ela permite muita coisa alternativa. Um exemplo? O atual detentor do título é a seleção da Coréia do Norte, por mais incrível que pareça. Isso por quê os norte-coreanos venceram o Japão, que antes derrotaram a Argentina, que por sua vez derrotou a até então campeã Espanha. E o próximo desafiante ao título de "Campeão do Mundo" é a seleção do Tadjiquistão. Obviamente não é reconhecido pela FIFA, mas não precisa ser reconhecido pela entidade máxima do futebol para não ser legal.

A nível de clubes, são vários os exemplos de equipes que carimbam a faixa de campeão do mundo. No Brasil, em 93, o Rio Branco de Americana tirou a invencibilidade do São Paulo campeão do mundo de 92, e pode sentir um gosto que o Barcelona não pôde. Mas o marketing do Tigre deixou a desejar. O que não ocorreu com o St Pauli. em 2001-02, o clube venceu o Bayern de Munique, então campeão do mundo, e caiu em cima, investindo no lema Weltpokalsiegerbesieger (não vamos perguntar se acertaram na primeira tentativa, e de maneira natural e fluída), que simplesmente quer dizer "Derrubadores (sic) de Campeões Mundiais". Resta saber se o Getafe, que anda vencendo o Barcelona ultimamente, usará isso. Mas o que realmente esperamos é que o pessoal de L´Hospitalet possa falar que seu time, ainda que esteja na 3ª Divisão espanhola, é o campeão do mundo...

Uma Segunda Chance

Se há um negócio que é contestado no futebol, é a arbitragem. O árbitro só é perfeito quando não aparece no jogo. Quando ele aparece, é por quê houve algum erro, coisa normal do ser humano. Mas se ele erra, é tido como tendencioso, ladrão, e por aí vai (se bem que em alguns casos, isso realmente acontece). Esse cenário desencoraja postulantes a juiz de futebol.

A Federação Argentina se deu conta de que a reposição de árbitros não estava lá muito rápida. Então decidiu fazer um experimento pioneiro no mundo; dar aulas de arbitragem em presídios. Sim, isso mesmo. No mundo inteiro, há essa discusão de como reintegrar um ex-detento à sociedade e ao mercado de trabalho, para que ele não veja o crime como uma opção para se sustentar (desconsideramos o meliante que comete crimes sem a necessidade de ganhar a vida), e consequentemente, voltar para a prisão.

A penitenciária escolhida foi a de La Plata, que tem tradição a incentivar os presos a praticarem esportes. As aulas são ministradas pelo árbitro Luis Belatti, que integra o quadro de arbitragem da AFA. As aulas são ministradas na prisão mesmo, contando com aulas teóricas e práticas. Eventualmente ocorrem alguns problemas, nada relacionado a disciplina, mas por exemplo, um dia certo aluno não pode fazer o teste teórico, pois no mesmo dia seria seu juízo. Antes de pedir que o teste fosse aplicado em outro dia, ele foi verificar se o julgamento é que pudesse ser adiado. Bellati conta que quando ministra as aulas, ignora o motivo que levou os detentos à prisão, apenas ensina algo que pode ajudá-los quando sairem.

Até o momento, nenhum ex-detento apitou algum jogo de qualquer competição organizada pela AFA, mas esperamos, ou melhor, torcemos, para que esse dia chegue...

O Derby do Medo

Muito se discute sobre a palavra "Derby". É certeza de que a palavra é de origem inglesa, mas muitas são as teorias sobre sua origem. Alguns dizem que é devido a corridas de cavalo na Inglaterra do século XVIII. Muitos também dizem que o termo é uma referência ao futebol medieval praticado na cidade de Derby. A teoria mais recente afirma que o termo se deu devido a um espaço para corrida de cavalos que separava os campos dos eternos rivais Liverpool e Everton.

Quando se fala de um Derby no futebol, a intenção é dizer de que determinada partida é um clássico, que existe uma forte rivalidade entre as duas equipes. Existem uma série de fatores que podem alimentar uma rivalidade. Na maioria dos casos, são jogos envolvendo clubes da mesma cidade ou região, ou justamente o oposto, entre clubes que são de regiões que se antagonizam. Mas existem alguns casos em que as motivações para as rivalidades vão além disso, indo para campos como nacionalismo, religião ou política. E é exatamente nessa esfera, a política, que se encaixa o tema que pretendemos abordar.

O Derby do Medo é um clássico relativamente novo, e tem como palco a Alemanha. Hansa Rostock e St Pauli quase nunca se enfrentavam, se é que se enfrentavam. Os clubes passaram a maior parte do tempo divididos, seja pela política, seja pelas divisões. A Alemanha passou grande parte do século XX dividida; um lado, o Ocidental, de economia capitalista, e o Oriental, com inspiração comunista. Essa divisão se deu após a II Guerra, quando as potências vencedoras dividiram os despojos da guerra, demarcando suas zonas de influência, o que podemos classificar como embrião da Guerra Fria. Seja como for, o St Pauli é de Hamburgo, que fica no lado Ocidental, e o Hansa Rostock leva o nome de sua cidade, Rostock.

Os clubes passaram a maior parte do tempo separados por uma fronteira, representada num muro que separava a capital Berlim em duas partes. Mas os dois clubes sempre ocuparam uma posição periférica em seus países, o que era mais doído para o Hansa, que era tido como um centro de excelência (nos países comunistas, haviam os clubes que serviam de centros de excelência, cuja função era formar atletas que servissem aos quadros nacionais). E assim a vida seguia, até a queda do Muro de Berlim, em 89.

A mudança foi radical para ambas as partes; não se tinha idéia de como seria a integração, mas sabia-se de que não haveria espaço para todos. Assim sendo, de protagonista na Alemanha Oriental, a cidade de Rostock passou a um plano periférico. Isso deu brecha para que lá ocorresse um fenômeno que se alastrou pelo Leste Europeu; movimentos de extrema-direita, assumidamente neo-nazistas. Estes movimentos viam que o comunismo stalinista não melhorou suas vidas, e que o capitalismo democrático os jogava num segundo plano. Se esse clima tomou conta da cidade, consequentemente, o mesmo se deu com a torcida do Hansa, que se tornou uma das mais temidas da Europa. Da parte do St Pauli, seus torcedores são conhecidos por sua postura de esquerda, indo contra o racismo, o sexismo e o capitalismo selvagem e predatório (o que é capitalismo em sua exência, diga-se). Ou seja, um choque seria inevitável.

Mas estava sendo evitado por um longo tempo, pois os times nunca estiveram na mesma divisão, com o Hansa vivendo entre a 2ª e a 1ª Divisão, enquanto o St Pauli sofria na 3ª. Mas em 2011 não deu mais para evitar; os dois clubes se enfrentariam, pela 2ª Divisão. E para agregar tensão, enquanto o St Pauli brigava pelo acesso, o Hansa Rostock lutava contra o rebaixamento, e nessa partida contaria com o apoio de sua torcida. As diretorias dos dois clubes fizeram o possível para manter os ânimos calmos, mas avisaram de que não seriam capazes de controlar os torcedores mais extremados.

O jogo como era de se esperar, foi tenso, com direito a torcedores do Hansa atirarem bananas em campo, contra o time inteiro do St Pauli. Isso sem contar os insultos, que além do esperado numa partida de futebol, descambou pra racismo e derivados. Seja como for, mesmo jogando fora de casa, o St Pauli se impôs e fez 3 x 1. Houveram brigas, contenção policial, e por aí vai. Saldo: 8 feridos, incluindo policiais, o que pela tensão do jogo, foi visto pelas autoridades como "lucro".

E esse foi só o primeiro capítulo; ainda haverá o jogo do 2º turno, em Hamburgo. Até lá, muita coisa pode acontecer na competição, mas esses conflitos políticos não serão solucionados tão em breve. Caso num cenário hipotético, os conflitos políticos sejam resolvidos, torcemos para que não seja uma vitória da direita, seja extrema ou moderada...também admitimos que torcemos pelo St Pauli...

domingo, 11 de dezembro de 2011

O Negro no Futebol Brasileiro



Com toda a certeza, Mário Filho é um dos maiores cronistas esportivos do Brasil. Pode-se dizer que ele é o primeiro, pois provocou uma revolução no jornalismo esportivo, especialmente o voltado para o futebol. Numa época em que o esporte mais popular era o remo, as coberturas das partidas de futebol era muito fria, limitando-se a falar os nomes dos jogadores, os gols, e uma análise rasa, com uma linguagem rebuscada, evidenciando o caráter que o futebol possuía até então.

A ascensão de Mário Filho se dá ao mesmo tempo em que o futebol se populariza. Filho inovou ao fazer grandes reportagens sobre as partidas, usando a língua do torcedor, que deixava de usar as anteriormente obrigatórias palavras inglesas. O jogo se abrasileir


Porém, apesar da popularização do esporte, ainda haviam marcas profundas do seu período elitista, sobretudo em relação a população pobre, e principalmente, aos negros. O pobre era discriminado, mas nem de longe sofria a perseguição que o jogador negro sofria. E Mário Filho, em sua obra “O Negro no Futebol Brasileiro” discute o tema com muita autoridade, de quem além de viver o período, foi um cronista excepcional. Sua influência no futebol brasileiro é tamanha que seu nome foi emprestado a um dos maiores e mais importantes cartões postais do Brasil; o Maracanã.ava, no torcer e no jogar, e o jornalista captou muito bem isso.

É uma leitura extremamente recomendável, ainda que o nome do livro seja pouco
exato, pois o foco do livro é o futebol carioca, mas isso nem de longe apaga o brilho da obra, que o autor fez de questão de acrescentar detalhes de tempos e tempos, pois tinha a ambição de escrever uma obra incontestável. Poucas coisas que o homem faz são incontestáveis, mas podemos garantir que Mário Filho chegou bem perto de seu objetivo.

Um adendo, e que em um futuro merecerá um post próprio no blog; a capa foi feita por Rebolo, jogador que após encerrar a carreira, virou artista, fazendo vários trabalhos expressivos. Nessa imagem, por exemplo, é um auto-retrato, no qual ele, de branco, é driblado por um atleta negro. O quadro foi pintado no auge da discriminação contra os negros no futebol, mas isso já é assunto pra uma outra hora...

The Damned United


The Damned United, Maldito Futebol Clube no Brasil, é um filme inglês baseado num livro homônimo, escrito por David Peace, em 2006, que (com certa liberdade poética, é verdade) retrata os 44 dias que Brian Clough (interpretado pelo ator inglês Michael Sheen). dirigiu o Leeds. Antes de abordarmos o filme em si, algumas explicações. Brian Clough é considerado o maior técnico inglês a nunca ter dirigido a seleção nacional. Alcançou esse status com um trabalho sério, levando equipes sem muita tradição a conquistas antes inimagináveis, como fez com o Nottingham Forest bi-campeão europeu em 79 e 80. Além disso, era uma pessoa um tanto quanto marrenta, falastrona e explosiva, sempre dando um show a parte. Sobre o tempo em que dirigiu o Leeds, 44 dias, ainda que seja comum no Brasil um treinador ser demitido em tão pouco tempo (as vezes em até menos tempo), na Inglaterra, isso não é nem um


Sobre a narrativa do filme, ela é feita de uma maneira diferente do usual; aborda sua turbulenta passagem pelo então poderoso Leeds em 74, e faz alguns flashbacks, mais especificamente em 1968, quando ainda não tinha atingido o estrelato e dirigia o Derby County. No começo do texto, falamos em “liberdade poética”. Pois bem, o livro, e consequente, o filme, causaram algum rebuliço em seu lançamento, pois era uma história baseada em fatos reais, mas nenhum dos autores afirmou que não tinham a ambição de retratar aquilo como “verdade”. Algumas figuras do filme, assim com alguns eventos, não exerceram o papel que foi mostrado nas obras, o que causou certo desconforto para os que se viram retratados. Mas apesar disso, muitos consideraram o filme bom, e no fundo, é o que mais interessa. Poderíamos entrar em mais detalhes, mas se fizéssemos isso, estaríamos entrando no filme, e não é o que queremos. Pelo contrário, esperamos que vocês que estejam lendo isso vejam o filme. pouco comum. Ser demitido desse jeito lá é um atestado de um fracasso gigantesco.

Assim sendo, recomendamos o filme, é uma boa pedida, pois foge do lugar comum em que os filmes de esporte, não só do futebol, se atolaram. Se tiverem oportunidade, vejam.

The Damned United

Diretor: Tom Hopper

Roteirista: Peter Morgan (adaptação), David Peace (livro)

Duração: 98 min

Lançamento: 09/10/2009

Atores:

Michael Sheen – Brian Clough

Timothy Spall – Peter Taylor

Colm Meaney – Don Revie

Jim Broadbent – Sam Longson

Peter McDonald – Jhonny Giles

Stephen Graham – Billy Bremner


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Eduardo Galeano


Eduardo Galeano é um dos mais conhecidos pensadores latino-americanos, e muito disso se deve a obra "As Veias Abertas da América Latina", que aborda a exploração pela qual os povos latinos vêm sofrendo por parte de sua própria elite, que por sua vez é subserviente às elites dos países centrais no capitalismo, que espalham sofrimento e opressão para poderem ganhar mais e mais.

Como a maioria dos latino-americanos, Galeano também gosta de futebol, escrevendo um livro sobre o esporte (o que explica o por quê de escrevermos sobre isso tudo). Futebol ao Sol e à Sombra é um clássico, escrito de uma maneira bem própria; não possui cronologia, nem um tema

definido dentro do campo "futebol". São uma série de crônicas, sobre jogos, jogadores, episódios do futebol, equipes, Copa do Mundo, tudo do jeito Galeano de ser. É uma boa para se gastar um domingo sem futebol, pois o livro não é muito grande, e nesses dias sem futebol, como você com certeza não aguentará jogar o dia inteiro, leia, e o livro é curto e bom, o que fará você não conseguir largá-lo. E como o livro não é muito grande, é barato, o que é o principal, já que com as obras públicas e a expansão dos condomínios privados está difícil encontrar espaços gratuitos para se bater uma bolinha.

Futebol Interiorano incentivando a leitura...se bem que sempre fizemos isso, ainda que involuntariamente, ao escrever nesse blog por mais de 2 anos...bem, então incentivamos a leitura de livros, a leitura desse blog, e a você leitor, escrever também, por quê não? Agora que os jogos de domingo estão restritos aos campeonato estrangeiros, achamos que deve dar tempo de jogar futebol, de ler, de ver aquela partidinha esperta, e escrever.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Luto


Hoje é dia de decisão no futebol brasileiro, e a expectativa é alta. Mas o dia não começou como todos esperavam. Infelizmente Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, o Doutor Sócrates, faleceu na madrugada desse domingo, dia 04/12. O que podemos falar sobre Sócrates? Muito, mas muito mesmo. Grande jogador (não foi um grande atleta, afinal, não queria ser atleta, queria ser jogador), comentarista, colunista, acadêmico, humano, que cometeu vários erros, é verdade, mas de longe, uma figura ímpar no futebol. Qualquer homenagem a ele será justa, assim como essa que nós prestamos, singela, é verdade. É isso.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

O Improvável no Futebol - Bangu 1933

Inaugurando mais uma sessão nova no blog, para falar daquilo que é imponderável no futebol. Existem clubes grandes, que constantemente são colocados como favoritos na disputa de um campeonato. Tais clubes são grandes por uma série de fatores, e nenhum clube se torna grande da noite pro dia, são anos no topo, e quando por algum motivo saem de lá, continuarão a ter uma legião de torcedores, voltando, ou não, ao topo. E existem os clubes mais modestos, os que tiveram um começo menor, sem ambição de representar uma nação, mas uma região, cidade, ou mesmo um bairro. Geralmente, contam com um orçamento bem menor, e não possuem uma legiao de torcedores, e seus torcedores se identificam de tal maneira com esses clubes simplesmente por isso, por serem de sua região, por viverem o que vivem, sua relação com o clube é mais próxima. Não que a relação dos torcedores dos gigantes do futebol não seja próxima, mas o fator geografia pesa.

Por toda sua história e tradição, os torcedores dos clubes grandes estão acostumados a grandes conquistas, e não cobram menos de seus clubes. Os adeptos dos clubes mais modestos também buscam vitórias, afinal se não fosse por isso, não torceriam, mas estes possuem expectatuvas menores, pois sabem das limitações materiais de suas equipes. Mas quando a vitória vem, ela é eternizada. Não precisa necessariamente ser um título, pode ser apenas um jogo, mas que ficará eternizado na memória desse torcedor. Pretendemos trabalhar em cima disso, abordando algumas dessas conquistas.

Decidimos começar pelo Bangu, que conquistou o Campeonato Carioca de 33. Por quê logo esse como primeiro? Não possuímos nenhum critério, e foi o primeiro que nos veio à cabeça. Vamos ao contexto histórico do título; 1933 era o primeiro ano de futebol profissional no Brasil, e os grandes clubes cariocas começavam a derrubar as barreiras que impunham até alguns anos antes, barreiras que impediam que atletas vindos de famílias pobres, e sobretudo, negros, jogassem. Os clubes grandes preferiam jogadores brancos, vindos se não de famílias da elite, ao menos da classe média. A própria Federação Carioca impedia que trabalhadores de certos setores jogassem no Campeonato Carioca. Sobre o Bangu, era uma equipe vinculada a Companhia Progresso Industrial do Brasil, e seus operários jogavam no clube. Só os bons de bola, diga-se. E se era o funcionário era bom, era escalado para um serviço suave, de pouco ou nenhum desgaste, e ainda tinha permissão para sair mais cedo em certos dias para treinar. O clube escalava atletas negros, mas não deixava de salientar, nas entrelinhas, que se fossem brancos, seria melhor. Mas nesse regime, o Bangu nunca tinha vencido nenhum campeonato. Ainda assim, a equipe do subúrbio contava com apoio massivo da população, que via no clube um contra ponto aos clubes da parte de baixo da cidade, aquela colada à praia, fortemente ligados à elite carioca. Com o profissionalismo, por quê venceria? Era o que todos os clubes grandes do Rio pensavam, por isso, foram atrás de grandes contratações em outros estados, procurando, se possível, atletas brancos qualificados, negro, só em último caso. Nisso, deixaram o Bangu em paz, sem assediar seus jogadores, esquecendo-se do verdadeiro celeiro que o clube da Zona Oeste era.

Em 1933, todos no clube estavam decididos a conquistar o título, e tomaram medidas até então inovadoras. Os jogadores fazim um treino físico que consistia basicamente de correr pela localidade. Pode não parecer grande coisa, mas naquela época só se fazia um treino físico leve, ao ponto da corrida do Bangu parecer algo de outro mundo. O São Cristovão já havia feito algo parecido em 1927, quando conquistou o título, fazendo seus atletas correndo na praia, na beira do mar, para que as chuteiras se enchessem de areia molhada e ficassem mais pesadas. Mas o treino do Bangu era até mais intenso do que esse, com os atletas, correndo pelo menos 9 km, pela manhã, sem contar os outros treinos físicos, abastecidos na hora do almoço com pratos homéricos de feijoada, com o técnico Luís Vinhaes encabeçando tudo isso. O clube inovou também no estilo da concentração. Outros clubes já haviam construido dependências para seus atletas, mas nenhum tinha colocado homens armados para protegê-la, ou para impedir que algum jogador desse uma escapada. O regime só não era de campo fechado pois havia os dias para visita, onde todos se confraternizavam no quintal. Aliás, a casa onde estavam os atletas era um casarão antigo construído por operários ingleses, que há muito estava abandonado.

Com essas medidas, o time estava preparado para enfrentar os rivais. Com apoio de sua torcida, o Bangu fez uma campanha irretocável; em 10 jogos, o clube alcançou 7 vitórias, 2 empates, e somente 1 derrota, marcando 35 gols e levando apenas 10, com direito à uma goleada na final, 4 x 0 no Fluminense, o clube mais aristocrático de então. Ironia do destino, Vinhaes saiu brigado do Fluminense, devido ao excesso de finesse do escrete tricolor, coisa inexistente em Bangu. A festa foi tanta que Bangu parou; uma noite inteira de folia, um verdadeiro carnaval fora de época, em pleno domingo. Na segunda seguinte, o que mais se via eram pais e mães, namoradas e esposas indo para a delegacia procurarem filhos ou conjugês, com grande demora em ser atendidas, não só pela alta demanda, mas o efetivo policial também sofreu baixas devido a farra. Na segunda, mais de 500 funcionários da Progresso não foram ao serviço. O dono da fábrica, Francisco Guimarães, também presidente do Bangu, decidiu abonar a falta dos foliões, e pagar o dia inteiro não só daqueles que foram trabalhar (e que foram dispensados antes da dar meio-período) mas dos que faltaram também. Porém, os funcionários, de forma unanime, decidiram recusar isso, arcando com a falta ou com o meio dia de trabalho, tudo pelo Bangu (e isso está registrado em ata).

Esse fato pode ter servido de inspiração para Lamartine Babo (que em 49 compôs os hinos extra-oficiais-que-se-tornaram-oficiais de todos os clubes da 1ª Divisão daquele ano);

Quando o Bangu vence, na certa há feriado

Comércio fechado

A torcida reunida parece a do Fla-Flu

Bangu, Bangu, Bangu...

domingo, 27 de novembro de 2011

Sobre Futebol e Música


O futebol permite uma série de manifestações, e a música, é uma delas. A música está muito presente no futebol, seja nas arquibancandas, com a torcida cantando sem parar, ou em outras músicas. Mas se há algo que o futebol é rico, são o hinos. Todo clube no mundo tem um hino, cada qual com sua peculiaridade, mas com o mesmo objetivo, exaltar o clube, suas conquistas, sua torcida, sua cidade, e por aí vai. Cada um com sua história.

Essa será uma nova sessão no blog; futebol e música, ou músicas futebolísticas, como preferirem, e decidimos começar por algo que sempre quisemos escrever, mas que sabemos que não terá grande repercussão, não que esse blog tenha muita, mas isso terá menos ainda. Vemos isso como uma excentricidade nossa, mas de todo o jeito, vá lá.

Há a algum tempo, ouvimos o hino do Tocantinópolis Esporte Clube, do estado do Tocantins. No começo, demos aquela atenção que sempre se dá a algo de novo que encontramos num universo que conhecemos. "Bem, é um hino de clube", e hino de clube é aquilo, ou é bonito ou é um "hino", mas jamais, jamais, é feio. Se o hino ou o distintivo não são usais, é por quê é há um motivo para tal, podemos fazer uma exceção às camisas, pois fornecedores e patrocinadores podem estragar tudo, pois é raro uma camisa nascer estranha. Porém, não são todos os que compartilham dessa opinião, achincalhando a perfomance dos intérpretes do hino, além de alguns de trechos de letra.

Mas de todo o jeito, o hino do Verdão do Tocantins mobilizava muitos comentários, o que nos motivou a pesquisar sobre o mesmo, só pra passar o tempo. Pesquisando, descobrimos muitas coisas, não só sobre o hino, como também da equipe em si, e sobre o futebol tocantinense. Pra começar, apesar de constar oficialmente 1989 como ano de fundação do clube, o Tocantinópolis vinha de muito antes, não como uma equipe amador, mas como a seleção da cidade, o que gerava uma identificação muito grande com os cidadãos. A fundação do clube se deu com a criação do estado do Tocantins (antes da Constituição de 88, o Tocantins fazia parte de Goiás), que passou a ter um campeonato próprio, ainda que o profissionalismo tivesse vindo de maneira oficial só em 1993.

Tamanha identificação levou a algumas inovações até então nunca vistas no futebol tocantinense. A primeira delas foi uma torcida organizada, a Mancha Verde, fundada por duas senhoras torcedoras da equipe. Então, pra contribuir com a Mancha Verde, Lucas, o Despachante, compôs uma marchinha, algo nada sério, pra torcida cantar nas partidas. Essa música é baseada numa marchina de carnaval composta pela dupla Jota Sandoval e Carvalinho na década de 50, "Quem Sabe, Sabe". É algo interessante, único até; um hino composto em cima de uma marchinha de carnaval, composto cerca de 40 anos antes, e que mais interessante, Lucas, o despachante, nunca teve a ambição de compor um hino oficial, só queria ajudar a torcida e homenagear o clube, que adotou a música como hino, sem ter oficializado, sim, mas sem procurar compor outro.

Bem, é isso. Acabamos de ver que não falamos muito de música, acabamos a usando para escrever muitas coisas mais. É assim que boas conversas funcionam, começam num assunto e vão para outro, ou usam um pretexto para navegar em outras coisas. De todo o jeito, pretendemos continuar com isso aqui...

Ah, antes que esqueçamos, aí vão as músicas;

Hino http://www.youtube.com/watch?v=ShNCEzxywpI

Marchinha http://www.youtube.com/watch?v=CnQjPIiuG-s

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Campeões

Final de ano no futebol brasileiro é época de comemoração de títulos. A Portuguesa já comemorou o seu da Série B, enquanto Corinthians e Vasco ainda brigam pelo da Série A. Mas outras competições se encerraram recentemente. Falaremos de duas; a Copa Paulista e a Série D.

Na Copa Paulista, um feito inédito; um bi-campeonato. O Paulista de Jundiaí repetiu a dose, superando o Comercial de Ribeirão Preto; vitória da equipe jundiaiense por 2 x 0 em casa, no Jaime Cintra, e derrota por 2 x 1 no Santa Cruz. Não tivemos a oportunidade de ver a partida de Jundiaí, mas o jogo em Ribeirão Preto foi atípico para uma final; um jogo corrido, com muitas chances, naturalmente tenso, mas longe de ser violento. Indo além do jogo, pensando em 2012, cremos que as equipes podem manter um certo otimismo. O Paulista está estabelecido, e ainda que esteja longe da situação vista há alguns anos, quando venceu a Copa do Brasil e disputava o acesso para a Série A do Brasileiro, está longe também de entrar numa draga, como o Marília, por exemplo. Mas se o clube já esteve nesse patamar, então há pontencial para retornar, só resta explorá-lo. Sobre o Comercial, ainda que tenha subido para a Série A2 de uma maneira controversa (houve um acordo entre as empresas que geriam os clubes, a Manoel Leão S/A no Votoraty e a Lacerda Sports no Comercial. O Comercial na A3 e o Votoraty na A2. O acordo institui a dissolução do Votoraty, abrindo uma vaga na Série A2 de 2011, e como o Comercial ficou em 5º na A3 de 2010, a vaga foi para a equipe de Ribeirão Preto) o clube chegou na A1 no Campo. A finalíssima teve um bom público, e se o Comercial receber o mesmo apoio que recebeu da cidade, pode aspirar mais do que simplesmente permanecer na Série A1.

Já na Série D, o Tupi surpreendeu a muitos, conquistano o título, com duas vitórias em cima do Santa Cruz, 1 x 0 em Minas e 2 x 0 no Recife. Desses dois jogos, não tivemos oportunidade ver nenhum. Seja como for, essa partida quer dizer algumas coisas. Começando pelos não finalistas; a muito tempo não víamos um clube do Mato Grosso tendo acessos. O Cuiabá pode não ter a tradição de um Operário ou Mixto, mas com certeza é melhor estruturado, e apesar dessa estrutura bastar para o Estadual, ainda não sabemos se ela permite sonhos maiores. Por sua vez, o Oeste é o "rei do acesso" do futebol paulista, resta saber se o será no futebol brasileiro. O clube está buscando isso, mas é necessário mais apoio, pois ainda que uma média de cerca de 1,500 torcedores não seja ruim, não é lá muito expressiva numa Série B.

Agora, os finalistas. O Santa Cruz é um gigante, que sofreu com más administrações, e caso os atuais dirigentes tenham um mínimo de competência, o clube volta pra Série A e volta bem, honrando sua tradição, o que é algo que todos queremos ver. Quanto ao Tupi, podemos dizer que não é algo restrito a Juiz de Fora. Estamos vendo vários clubes mineiros nas principais divisões do futebol brasileiro, em 2012, teremos 3 na Série B; América, Boa/Ituiutaba (ou Ituiutaba/Boa, joguem o link http://futebolinteriorano.blogspot.com/2011/10/enquanto-isso-nas-minas-gerais.html e ) e Ipatinga, e com Tupi na Série C, com uma boa média de público, aproximadamente 4,500 (como sabem, para média de público, e muito mais, é só ir no rbrito1984.blogspot.com). Mas ainda tem que ser provado se isso é uma tendência ou se é um fenômeno passageiro.

De todo o jeito, foram competições interessantes, dignas de uma cobertura maior por parte da mídia. Não temos dúvida de que não só a imprensa pernambucana, mas a nacional, deu importância à conquista do Santa Cruz, afinal, 2011 pode ser o começo do despertar de um gigante. Mas e o grande campeão da Série D, o Tupi-MG? Se recebeu alguma atenção, foi mínima, longe da importância da competição. E a Copa Paulista, que é o segundo torneio mais importante do estado, continua relegado pela imprensa. Com toda a certeza, cobertura midíatica é importante, mas o mais importante é a presença do torcedor, que é quem constrói a história do clube, e temos certeza de que essas conquistas, ainda que não tenham muitas fotos ou vídeos, estão na memória dos torcedores.

domingo, 20 de novembro de 2011

Hoje Inauguramos uma Sessão


Lembram-se da última postagem? Quando falamos que o retiro forçado nos fez pensar em coisas que eram óbvias, porém, não foram pensadas ainda, essa é uma delas; falar de livros sobre futebol. Se já falamos da relação do esporte com o cinema, já era mais do que tempo escrever sobre literatura, um verdadeiro serviço de utilidade pública, incentivando a leitura pelos rincões desse país, além de apresentar um pouco de nossa cultura futebolística para os leitores estrangeiros (sim, pessoas de outros países dão uma passada aqui, afinal, o que é mais globalizado do que o futebol?)

Hoje abordaremos o livro "Histórias do Futebol", de João Saldanha, figura conhecida no futebol brasileiro, o popular "João Sem-Medo". Formado jornalista, João teve sua primeira como técnico em 1957, no Botafogo, e é justamente essa passagem que serve como recorte temporal para o livro. Saldanha retrata como era o dia-a-dia no culbe, que contava com um esquadrão de lendas do futebol brasileiro; Nilton Santos, Didi, Garrincha, e tantos outros. Mostra a convivência entre eles, a personalidade deles, além é claro das artes de Garrincha, rapaz que gostava de farrear que só ele, e danado que só vendo. Outro tema abordado pelo livro é a organização do futebol brasileiro; em troca de algum dinheiro, os clubes faziam excursões absurdas, jogando 4 (ou mais) vezes por semana, com viagens desconexas e exaustivas, indo do Ceará para Minas, para dali ir para o Caribe, voltar à São Paulo, ir a Paris, e por aí vai. Saldanha sempre criticou a cartolagem dos clubes e das federações, e muito disso está no livro.

Assim sendo, se tiverem a oportunidade de pegar esse livro, o façam, e esperamos que tenham a sorte de encontrá-lo com um preço camarada, como nós encontramos (se não nos enganamos, foi uns R$7,00). Até breve.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Ah vá!


Provavelmente, você nunca ouviu falar de Andy Dorman. É um jogador galês, que estreiou a pouco tempo na Seleção Nacional, que começou a carreira nos EUA, no New England Revolution, depois por Saint Mirren da Escócia e Crystal Palace, da 2ª Divisão Inglesa. Porém, ele não estava tendo muitas chances no clube londrino, sendo reserva na maioria das oportunidades. Nisso, recebeu uma oferta da diretoria do Bristol Rovers, que via nele uma peça fundamental no elenco. Dorman aceitou prontamente a proposta, ainda que fosse de um time numa divisão inferior. Até ai, algo normal, aquele "um passo atrás para dar dois a frente". Mas ele esqueceu de uma coisa; fazer uma pesquisa antes; o galês acabou descobrindo que o Bristol está 2 Divisões abaixo do Palace (no caso, na 4ª Divisão) só depois que assinou o contrato. Mas nem essa surpresa foi capaz de abalá-lo; ele promete fazer o possível e o impossível para conquistar o acesso, para assim, quem sabe, deixar de ser alvo de (justificadas) piadas.

Explicações Sobre os Poucos Posts de Novembro

Pois muito que bem, pelo título, dá pra se concluir do que se trata. Não sabemos se alguém pensou que iríamos parar com isso, que adoecemos, ou que morremos mesmo. Não, o que houve se resume a um fenômeno natural: chuva. Isso mesmo, chuva. Moramos numa região que chove muito, e ultimamente, têm chovido demais. Estamos nisso desde o último feriado de Finados, e a situação se agravou na véspera do feriado da Proclamação da República. Não que o nosso escritório seja a céu aberto, mas que, quando chove, perdemos a internet, o que nos impede de escrever, pesquisar, enfim, de trabalhar nisso aqui. Mas esse retiro forçado nos ajudou a buscar alternativas, visando expandir o leque de temas abordados no blog, e assim o faremos. É esperar e ver. Assim sendo, até a próxima.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Faça você mesmo

Todos aqueles que acompanham as divisões inferiores do futebol profissional sabem que muitas são as dificuldades para se manter um clube. E no meio de tantas dificuldades, muitos clubes se tornam "ciganos", ou seja, vão aos lugares onde sua sobrevivência vai ser garantida, não importando se a "nova casa" fique a milhares de quilômetros do lugar em que foram fundados, além é claro, longe de sua torcida. E pra ser mais exato, falamos assim para ser gentis, pois em não poucos casos, a busca pela sobrevivência vira uma busca por lucro mesmo.

Foi exatamente isso que ocorreu com o AFC Wimbledon, da Inglaterra. Explicando o caso; o Wimbledon não era um grande clube, mas como todo time, tinha sua base de torcedores, e representava sua comunidade, num canto de Londres (cidade que junto de Buenos Aires e Montevideo, deve ter o maior número de clubes. Se não nos enganamos, Londres deve ter uns 14 clubes, só nas principais divisões. Se alguém souber o número certo, favor, postar nos comentários, isso se desejarem...bem, voltemos ao cerne da questão). Fundado em 1889, o clube só se tornou elegível na Football League (os campeonatos inteiramente profissionais. Abaixo disso, há o semi-profissionalismo e o amadorismo, o que ajuda a explicar as cerca de 23 Divisões existentes na Inglaterra) em 1977-78, e em apenas 9 anos, atinge a elite do futebol inglês. E a maior glória da equipe chegaria nesse período; o título da FA Cup, ganho em cima do Liverpool, na temporada 87-88, que corou a geração que ficaria conhecida como Crazy Gang, nome dado devido às brincadeiras sem muita noção praticadas pelo elenco, além do estilo de jogo extremamente simples e feio, que tornou Vinnie Jones ídolo por lá (coloque esse nome na seção de arquivo do blog que você verá uma matéria sobre o figura). Infelizmente, devido ao banimento que a UEFA impôs aos clubes ingleses devido ao Desastre de Heysel (quando um grande grupo de torcedores do Liverpool foram para cima de torcedores da Juventus de Turim, causando uma grande confusão, que tragicamente, resultou na morte de várias pessoas), não pudemos ver a Crazy Gang em torneios europeus. O clube ficaria na elite até 2000, com uma média de público, cerca de 17,000.

E assim a vida seguia. Mas um pouco longe dali, mais especificamente, há 90 km, na cidade de Milton Keynes. Milton Keynes foi elevada ao nível de cidade em 1967, o que para os padrões ingleses, é uma cidade nova. A cidade possuia um projeto bacana, que incluia várias coisas, mas ainda faltava algo; um time de futebol, pois até estádio já tinha. A diretoria do Wimbledon procurava um estádio maior, e a cidade procurava um clube = acordo entre as partes, que se deu em 2002, quando o clube não estava brigando pela volta à elite. Só que esse acordo ignorou os torcedores, que (não sem razão) ficaram extremamente nervosos por terem de viajar 90 km para ver seu time, que logo depois, nem poderiam chamar de "seu", já que de Wimbledon ia para Milton Keynes Dons.
Nisso, os próprios torcedores decidiram fundar um novo-velho clube, que carregaria as mesmas características do Wimbledon, mais especificamente, AFC Wimbledon. Os torcedores estavam decididos a resgatar a história do clube, tanto que entraram em um processo para reaver a taça da FA Cup conquistada pelo clube. Depois de uma longa batalha judicial, os torcedores acabaram vencendo a queda de braço, e além de reaverem a taça, conseguiram que o Milton Keynes não usasse nenhuma menção histórica anterior à 2004, quando foi fundado. Muito disso também se deve ao constrangimento causado à FA (The Football Association, a Federação Inglesa), que depois de permitir essa mudança, se tornou muito mais rigorosa nesse quesito.

O "novo" Wimbledon conseguiu um sucesso esportivo notável. Em 9 anos de existência, o clube saiu da 9ª Divisão para a 4ª, com direito a uma série de 78 jogos invictos, e nessa temporada, o clube briga pela classificação nos play-offs. Claro que existem controvérsias e dificuldades, inerentes ao futebol profissional. O Dons Trust, organização dos torcedores que gere o clube, vendeu parte de suas ações para comprar um campo, que será dividido com o Kingstonian, o que gerou uma dívida, que todos esperam gerir e pagar, sem prejuízos ao clube, mas como todos sabem, tudo que envolve endividamento é perigoso e controverso.

De todo o jeito, torcemos para que o modelo dê certo, provando que os torcedores podem sim, gerir seu clube.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Fundações, Retornos e Re-fundações

Como em todo ano, na Segunda Divisão Paulista, alguns clubes voltam e outros deixam de existir. Em 2012, podemos ver 3 novos clubes, de 3 cidades distintas, que já abrigaram clubes profissionais, mais especificamente, Araçatuba, Pindamonhagaba e Presidente Prudente.

Em Araçatuba, há toda uma movimentação para que a Associação Esportiva Araçatuba volte em 2012. Em associação com Waldir Peres (grande goleiro nos anos 80) e sua empresa, as coisas já estão praticamente definidas para que o Canário volte ao profissionalismo, com projetos para escolinhas para a formação de atletas e um museu do futebol de Araçatuba, que justamente por sua rica história, motivou Waldir a investir no clube. O distintivo e o uniforme do clube foram alterados, o que para nós, não foi algo muito legal, mas se os torcedores gostarem, então tá bom.

Já em Presidente Prudente, a cidade convive com uma séria dificuldade no futebol profissional. Depois do afastamento da Prudentina das disputas profissionais e da dissolução do Corinthians, nenhum clube conseguiu se firmar na cidade. Prudentino, Oeste Paulista e mais recentemente Grêmio Prudente, não ficaram tempo o bastanta na cidade para criar um vínculo. A cidade possui um clube, o Presidente Prudente FC, fundado no começo da década de 90, mas este ainda não caiu nas graças da cidade. Agora, pretende-se preencher essa lacuna com um novo Grêmio Prudente. O projeto é encabeçado pelo treinador Antonio Carlos (com passagens por São Caetano e Palmeiras), Bernardo Fernandes e Adriano Gerlin, presidente do Oeste Paulista, que cederá a vaga na FPF para o novo clube. Ao contrário do antigo Grêmio Prudente (que nasceu como Grêmio Barueri, foi para Prudente, mas acabou voltando para a Grande São Paulo), que era um clube empresa, o novo Grêmio será um clube associativo, sem intenção de mudar de cidade.

Já em Pindamonhangaba, a única equipe que disputou o Campeonato Paulista foi a Ferroviária, e isso foi a um bom tempo. Agora, as autoridades municipais já foram para a sede da FPF se informar sobre os trâmites, mas nada sobre comissão técnica e afins foi definido.

Mais informações em breve, quando tivermos fotos dos times perfilados e dos estádios cheios.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Finalíssima da Segunda Divisão Paulista 2011 - Independente Campeão





O Independente de Limeira se sagrou campeão do Campeonato Paulista da Segunda Divisão, vencendo o Capivariano por 2 x 0, no estádio Comendador Agostinho Prada, em Limeira. Depois de perder a primeira partida em Capivari pelo mesmo placar, o Independente precisava de um resultado positivo. O 2 x 0 foi suficiente devido aos critérios de desempate, pois o Independente fez melhor campanha na competição.

A campanha dos dois clubes foi cheia de oscilações. Da parte do Capivariano, foram esportivas, quanto ao Independente, o negócio foi administrativo. Na primeira fase, o Capivariano fez uma campanha claudicante, com 5 vitórias, 6 empates e 3 derrotas. Mas nas fases seguintes, o clube deslanchou, para a surpresa de muitos, e o artilheiro do certame é alvi-rubro; Romão, com 27 gols marcados. Se o Capivariano não era um candidato a figurante, poucos o colocavam como candidato ao acesso, ainda mais, finalista. Destaque também para a torcida de Capivari, que só no jogo da final, mandou 15 ônibus para Limeira.

Por sua vez, o Independente era cotado como postulante ao acesso, graças a uma parceria que daria um grande suporte financeiro, e justificou os prognósticos ao ter um aproveitamento de cerca de 86% na 1ª fase. Mas uma série de acontecimentos começavam a indicar que a boa fase não duraria muito tempo; em junho, a parceria foi rompida, o clube ficou sem o dinheiro, teve de mandar jogos no Limeirão, estádio da rival Inter, e quase deixa de jogar em Limeira. Ainda assim, boa parte da comissão técnica permaneceu no clube, e com todas as dificuldades, conseguiram o acesso e o título.

Sobre o jogo, o Capivariano começou a partida mais tranquilo, pois estava com a vantagem. Mas depois de 15, 20 min, o Independente colocou os nervos no lugar, tanto que aos 28 min, numa belíssima cobrança de falta de João Santos, inalcançável para o arqueiro. O Capivariano sentiu o baque, mas começava a retomar a confiança, quando aos 49 min Bismarck marca o 2º gol do Independente. Logo depois do gol, o juiz decretou o final da 1ª etapa, e os jogadores foram para o vestiário de maneiras bem distintas. O 2º tempo começou nervoso, com o Capivariano tentando reverter o quadro negativo, enquanto o Independente procurava jogar no erro do adversário, explorando os contra-ataques. A partir dos 25 min do 2º tempo, o Capivariano foi todo ao ataque, pois 1 gol lhe daria o título, passando a sufocar o Independente. Mas com a adoção dessa estratégia, os visitantes davam espaços, e o Independente teve 3 chances claras, que não soube aproveitar. O jogo seguiu nessa toada até o apito do juiz, aos 50 min. Festa em Limeira, com o 3º título do Galo da Vila Esteves na competição (as outras 2 conquistas foram em 1973 e 1999). Ou seja, teremos GaLeão (nome do derby entre Independente e Internacional) em 2012. Quanto ao Capivariano, todos esperam que ano que vem, o clube possa voltar a surpreender, e torcida para isso não faltará.

Porém nem tudo foi festa; houve uma briga entre os jogadores das duas equipes quando a partida acabou, por motivos ainda muito mal explicados. Além disso, o vestiário onde estava a equipe de Capivari foi invadido, e vários objetos foram roubados, de material esportivo à pertences pessoais dos jogadores. Lamentável. Que o que ocorreu após a final seja investigado, e as atitudes cabíveis sejam tomadas.

Ainda que tenha sido uma mancha no título do Independente, a conquista do título do Campeonato Paulista da Segunda Divisão de 2011 foi, no mínimo, brilhante.

Ficha Técnica
Independente 2 x 0 Capivariano
Gols - João Santos, de falta, aos 28 e Bismarck aos 49 minutos do primeiro tempo (IN)
Local - Estádio Comendador Agostinho Prada
Árbitro - Marcelo Rogério
Auxiliares - Alex Alexandrino e Fábio Rogério Baesteiro
Público e renda - não divulgados

Independente - Diego; Gilberto, Petterson e Márcio; Murilo Silva (Gustavo), Alexandre, Carlos Diego, João Santos (Marcelo) e Thiago Pereira; Leandro Neves e Bismarck (Daniel).
Técnico - Jorge Parraga.

Capivariano - Douglas; Oliveira, Lucas, Kelisson e Pedro Henrique; Régis, Adoniram
(Thiaguinho), João Paulo (Tom) e Ivanzinho; Romão e Alamir (William).
Técnico - Genildo Cavalcante.

Ocorrências - cartões amarelos para Thiago Pereira e Alexandre (IN); Oliveira, Tom e Thiaguinho (CAP).

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Ajude a Perilima


Sério, desde os primórdios do blog ouviámos, e pretendíamos, escrever sobre esse grande clube do futebol brasileiro. Nos meios do futebol alternativo, ela não só é conhecida, ela chega a ser mítica. Oriunda de Campina Grande, Paraíba, ela é a materialização do sonho de Pedro Ribeiro Lima. Seu Pedro, dono de uma fábrica de sordas (biscoito feito a base de trigo e rapadura, muito popular na região) sempre sonhou em ser jogador de futebol, mas não conseguiu entrar em nenhum clube. Nisso, em 1992, decidiu por criar o seu próprio time; a Associação Desportiva Perilima (pode ver que o nome da equipe são as iniciais do nome de Seu Pedro, e ainda assim, estranhamente, é verdade, ficou um nome bacana). Em apenas 6 anos de existência, a Mais Perigosa de Campina Grande chegou a elite do futebol Paraíbano, onde encararia equipes como Campinense, Treze, Botafogo, Auto Esporte, e tantas outras. Isso tudo apenas com jogadores oriundos da própria fábrica, além é claro da presença de grandes expoentes do futebol da região, como Nêgo Pai. Atualmente, Seu Pedro, é o mais velho jogador profissional do mundo.

Mas a Perilima não atravessa um bom momento. Depois da participação na elite, na qual o clube acumulou derrotas vexatórias, o clube acumulou dívidas, chegando ao ponto de não poder participar de competições oficiais desde 2009. Isso mesmo, quase 3 temporadas sem jogar. Seu Pedro já vislumbrava o final de sua carreira, e principalmente, da Perilima. O clube deve cerca de R$15 mil para a Federação Paraibana, e na última temporada profissional, os próprios jogadores tiveram de pagar a taxa de inscrição.

Mas há uma luz no final do túnel! Admiradores do futebol alternativo no Brasil, mais especificamente, membros da comunidade do Orkut "Futebol Alternativo", se mobilizaram para ajudar a Perilima. Através de doações, conseguiram arrecadar cerca de R$1,200, que foram usados para pagar algumas das dívidas. Como forma de gratidão, Seu Pedro doou camisas para que fossem sorteadas, além de disponibilizar um espaço nas camisas de jogo com o nome e o logo da comunidade, como se fosse um patrocínio mesmo. Um blog surgiu com esse fim, o http://ajudeaperilima.blogspot.com/ onde podemos acompanhar, e apoiar, a equipe. Tanto que a equipe está disputando a Copa Itararé, um torneio amador que contará com 48 equipes. Mas nossa torcida fica para que a Perilima volte ao profissionalismo em 2012.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Enquanto isso, em Roraima

Não sabemos de muita coisa, mas temos uma certeza; o Campeonato Roraimense não é dos mais divulgados. Quando muito, um poster do time campeão do ano, naqueles "Especiais dos Campeões", e com sorte, veremos o nome dos jogadores. Orgulhosamente, podemos afirmar que nem esses entreveros podem nos impedir de acompanhar esse certame, ainda que de maneira mambembe, pois se não dificuldades insuperáveis, não são pequenas muretas.

Mas infelizmente, podemos não ver um Roraimense 2012. Esse ano, o campeonato foi extremamente curto; foi de 2 de abril à 11 de junho, e o campeão foi o Real, a primeira equipe de fora da capital que foi campeã, ou melhor, a primeira equipe de fora da capital a jogar o torneio. A duração do certame foi curta por uma série de fatores; são poucos clubes, mas especificamente, 10 ;Real, São Raimundo, Roraima, Náutico, GAS e Rio Negro, levando-se em consideração que Baré, Ríver e Progresso não puderam disputar a edição 2011. Como a maioria dos clubes é de Boa Vista (somente Real e Progresso são do interior do estado) todas as partidas do torneio foram disputadas em apenas um estádio, o Raimundo Ribeiro de Souza, o Ribeirão, com capacidade para 3,000 pessoas. Além disso, todos os clubes dependem de uma ajuda do governo estadual, mais especificamente, R$20 mil mensais. Como o governo não ajudou, os 3 clubes citados não puderam participar do estadual, e além disso, nenhum clube do estado se dispôs a entrar na Série D, lembrando que a CBF não ajuda em absolutamente nada esses clubes.

Não estamos cobrando o governo do estado de Roraima. Achamos que é muito mais importante destinar essa verba em outros pontos, como saúde e educação, ajudando os clubes no que for possível, como facilitar o uso de estádios municipais, divulgação, e algumas coisas mais nesse sentido. Mas cobramos por quê o governo prometeu que iria dar, e se apenas por um bom motivo, como aplicar esse dinheiro em uma área vital, que cumpra sua promessa. Mas isso é apenas a ponta do iceber; essa prática não seria necessária se a CBF desse atenção a essas competições.

Nessa história, o principal prejudicado é o torcedor, que deseja ver partidas dos clubes de sua região, mas que acaba não conseguindo por situações como essa. Esse é o projeto da CBF? Essa é a intenção dos grandes meios de comunicação, em excluir a maior parte dos clubes e envolvidos em benefício de uns poucos? Mas não importa o quanto tentem acabar com o futebol, ainda defenderemos o futebol para todos, o mais inclusivo possível.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Campeonato Paulista Segunda Divisão 2011 - Acessos

Depois de meses e meses de competição, já sabemos quais são os clubes que conseguiram o acesso na Série B do Paulista; Capivariano, Independente de Limeira(que farão a final), Guaçuano e Barretos. Todos fizeram grandes campanhas, tiveram algumas ocilações, coisa já esperada numa competição tão longa, mas conseguiram se levantar e ir em direção à vitória

Esse ano, vimos coisas que se já não viraram rotina, já estão entrando para o folclore (no bom e no mau sentido). Novamente, a Votuporanguense bate na trave. Depois de uma grande campanha em todas as fases do certame, a equipe patina logo na fase final, e agora torce para um pedido de desistência de algum clube da A3 para almejar um acesso.

Novamente, a Matonense fez má campanha, ficando na lanterna do Grupo 02. A situação atual da equipe de Matão é reflexo de administrações de competência (e honestidade) questionável, que conseguiu derrubar um clube da A1 para a última divisão do futebol paulista, sem condições de apresentar um desempenho minimamente competitivo. Das duas, uma; ou a cidade se abraça ao time e a diretoria apresente um projeto profissional e consistente, ou dias tenebrosos virão.

Outro ponto inusitado é o Olímpia. A equipe contou com bons investimentos, mas bateu na trave, ao contrário de outros anos, quando o clube perigava desaparecer e conquistou suas maiores glórias; a Série A2 de 1990 e a Série A3 de 2007 (no título da Série A3 de 2000 e na participação na Série C do Brasileiro do mesmo ano, a equipe contou com um bom patrocínio). Mas mesmo sem conseguir o acesso, a equipe foi ovacionada quando chegou na Capital Paulista do Folclore, em reconhecimento pela grande campanha. Agora, é mirar 2012

(Se alguém souber de outra curiosidade, fato esdrúxulo ou grandioso, deixe nos comentários).

Também já temos pendengas. O Barretos pode ter o acesso ameaçado, tudo por quê colocou um jogador, Elvis Farnei Pereira de Oliveira, sem contrato regularizado na partida contra o Olímpia, no dia 11/10. O contrato se encerrou no dia 10/10. Mas a diretoria do Barretos alega que houve um erro de digitação, pois o contrato ia até o dia 10/11. Na próxima segunda, dia 31/10, haverá um julgamento para decidir se o Barretos será punido ou não. Caso seja punido, o clube perderá a vaga, que ficará com a Portuguesa Santista. O mais inusitado desse episódio é que nessa partida, Elvis entrou aos 44 do 2º tempo, atuando cerca de 2 minutos. Se o Barretos perder a vaga, serão os 2 minutos mais almadiçoados da história da cidade.

Seja como for, esperamos pelas finais, que serão realizadas nos dias 30/10 e 06/11, primeiro em Capivari, no Carlos Colnaghi, e depois no Comendador Agostinho Prada, em Limeira, ambas as 10:00. Temos certeza de que serão grandes jogos, coroando uma grande competição, a maior (45 clubes, 7 meses de disputa) do Brasil.

Soldado Avlinegro

Não sabemos como falar isso, mas sabemos que tem de ser falado. Para escapar do rebaixamento, a diretoria do Ceará resolveu recorrer a um técnico interino; Dimas Filgueiras. Até aí, vá lá. O São Paulo já fez isso, o Palmeiras já fez, o Santos já fez, enfim, é algo rotineiro. Só que no Ceará é mais rotineiro do que de costume.

É simplesmete a 40ª vez que Dimas assume o Ceará! Funcionário do clube desde 1972, ele já exerceu todas as funções ligadas ao futebol no clube, exceto a presidência (fato que cremos que não durará muito tempo). Proporcionou vários fatos cabrionários, como levar o Ceará à final da Copa do Brasil e entregar o cargo 1 dia depois de conquistar o título Cearense, além é claro de já ter livrado o Ceará do descenso ano passado. Se conseguir esse ano, adicionará mais um pra galeria.

Mas com isso, fazemos uma pergunta; não seria mais simples efetivar o rapaz de vez? Ele poderia quebrar o recorde do Mestre Antônio Neves (pesquise aqui no blog que você verá), além de poder dizer pra Sir Alex Ferguson que tem um recorde que o escocês não possui (e não lembramos da última vez, se é que existiu, que o Ceará tomou de 6 do Fortaleza em casa).
Seja como for, desejamos boa sorte ao Soldado Alvinegro...

domingo, 23 de outubro de 2011

Enquanto isso, nas Minas Gerais



Atualmente, muito se fala do futebol mineiro. Na Serie A, os três clubes do estado fazem más campanhas. Já era previsto que o América brigasse contra o rebaixamento, o que não é supresa alguma. O Atlético, nos últimos anos, vêm querendo cair, e não seria muito surpreendente se isso acontece, assim como não ficariamos supresos caso o clube se mantesse. Já o Cruzeiro...ninguém esperava isso do Cruzeiro. Na Série C, o Ipatinga praticamente já confirmou o acesso. Na Série D, o Tupi ainda está na briga, e pode enfrentar o também mineiro Villa Nova, que devido a uma pendenga da competição (Nota; num jogo entre Anapolina e Tocantinópolis, que estava 4 x 1 para a Xata, terminou aos 25 do 2º tempo por que os tocantinenses ficaram de cai-cai, supostamente a pedido do Itumbiara e uma mala-preta, que iria se classificar. O Anapolina entrou na justiça, conseguiu efeito suspensivo, e um segundo jogo com o Tocantinópolis terminou em 6 x 1 para os goianos, resultado que eliminou o Itumbiara. E enquanto isso acontecia, a competição rolava normalmente), ainda está nas oitavas-de-final, onde enfrenta o Anapolina. O primeiro jogo em Goiás terminou em 1 x 0 para os mandantes, algo, em tese, perfeitamente reversível para os mineiros.

Mas o nosso foco será na Série B, mais especificamente, no Boa Esporte Clube. Entenda-se; o clube foi fundado em Ituiutaba, no dia 30/04/2011, como Boa Vontade Esporte Clube, nome que durou pouco, pois no mesmo adotou o nome da cidade. O clube ficou no futebol amador a maior parte de sua existência, se profissionalizando em 1998. Daí pra frente, a ascensão foi meteórica, com o clube atingindo a elite do futebol mineiro em 2005, e em 2010, consegue o acesso para a Série B 2011, e vai bem, disputando o acesso para a Série A. Só que tamanho sucesso acabou trazendo alguns incovenientes.

Como já dissemos, o clube nasceu em Ituiutaba, e mandava seus jogos no estádio da Fazendinha. A Fazendinha é um estádio simpático, porém, não possui uma capacidade muito grande, abrigando 3,840 pessoas. Para se ter idéia, o estádio não atendia as exigências da CBF para a disputa das fases finais da Série C, forçando o clube a jogar em cidades vizinhas, como Uberaba e Uberlândia. Muito se falou na expansão, ou construção, de um estádio novo, porém, só quando o clube confirmou o acesso para a Série B, os projetos tomaram corpo.

Mas era mais do que evidente que não haveria tempo hábil para se fazer uma obra desse vulto em tão pouco tempo. Logo, o clube teria que procurar outro campo. Mas nenhuma cidade da região quis abrigá-lo. Nisso, a cidade de Varginha fez uma proposta, prontamente aceita pela diretoria. O contrato vai até dezembro de 2012, e prevê que o clube não poderia ter nada que remetesse à outra cidade. Por isso a adoção do nome "Boa", que já é algo que faz parte do clube.

Enquanto isso, a previsão da volta da equipe para sua cidade de origem está prevista para 2013, porém, existem alguns "poréns" nesse quadro. Primeiro, a construção do estádio começou timidamente apenas em junho desse ano, com apoio da prefeitura, e o contrato com uma construtora só foi firmado em agosto, o que deixa dúvidas se o Boa voltará para Ituiutaba na data originalmente prevista. E a outra questão é o apoio recebido. Em Ituiutaba, a média de público era de 500 pessoas. Já em Varginha, essa média vai para 3,000. Mas não podemos nos ater somente em números, pois se os analisarmos, não são dois quadros semelhantes. Em Ituiutaba, o clube estava na Série C, e os últimos jogos não foram disputados na cidade. Já em Varginha, o clube está na Série B, e se a prefeitura quis trazer o clube, obviamente faria todo um trabalho de divulgação.

Mas existem mais coisas por aí. Supondo que os 3 mineiros da Série A caiam e apenas o Ituiutaba/Boa subisse, o que aconteceria? E se o projeto de emancipação da região do Triângulo Mineiro, que se tornaria mais um estado na Federação se realizar (lembrando que esse projeto foi levado para a elaboração da Constituição de 88, porém não foi aprovado), o clube iria ou não para o novo estado? São perguntas que só o tempo poderá responder, mas de todo jeito, é bom ficarmos de olhos abertos...

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Campeonato Paulista Feminino



Depois de quase 6 meses de disputa, chegamos à final do Campeonato Paulista Feminino, que será entre o Centro Olímpico e o Santos.

O primeiro jogo será na capital paulistana, mais especificamente, no Distrital da Vila Guarani, pertinho da prefeitura. A segunda partida terá como palco a Vila Belmiro, os dois jogos sendo as 10:00. O Santos está se estabelecendo como uma das principais forças do futebol feminino no país, e o Centro Olímpico vêm fazendo boas campanhas recentemente.

As duas equipes chegaram as finais de maneira incontestável, com um desempenho muito acima dos demais clubes. Para se ter idéia, o Santos venceu 21 dos 26 jogos que disputou. Os resultados restantes somam um empate e quatro derrotas, marcando 117 gols e sofrendo 17. Por sua vez, o Centro Olímpico, com os mesmos 26 jogos, obteve 19 vitórias e 7 derrotas, marcando 99 gols e sofrendo 28.

O Santos é comandado por Gustavo Feliciano, técnico, e Murilo Barletta diretor de futebol. O técnico do Centro Olímpico é Artur Elias técnico do Centro Olímpico. Um ponto interessante é como se dá a “distribuição dos gols”, se assim podemos dizer. Embora o ataque do Centro Olímpico tenha anotado menos gols duas atletas do Centro Olímpico estão no topo da artilharia do certame; Débinha e Glaucia, ambas com 24 gols cada, metade dos gols anotados pela equipe. Em relação ao Santos, a artilheira é Karen, com 14 gols anotados, mas outras atletas também marcaram muitos gols, o que indica um estilo de jogo coletivo.

Num confronto anterior, na Vila Belmiro, o Santos venceu a equipe paulistana por 5 x 0. Mas vale frisar que o Centro Olímpico já estava classificado, e poupou titulares. Assim sendo, dizemos com toda a certeza de que teremos um bom jogo.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Supresas

Ano que vem será ano de Eurocopa e CAN (Copa Africana de Nações), e já vemos duas supresas.

Na Europa, pela primeira vez na história, a Estônia consegue se classificar para os play-offs. Ainda que não conseiga repetir o feito da vizinha Letônia, que se classificou para a Euro de 2004, será um grande passo para o fuetbol estoniano, classificação que foi comandada por Sergei Pareiko; Andrei Stepanov, Raio Piiroja, Enar Jääger e Ragnar Klavan; Aleksandr Dnitrijev, Martin Vunk, Sander Puri e Dmitri Kruglov; Jarmo Ahjupera e Tarmo Kink, atletas que ou jogam no país, ou em centros alternativos do futebol.

Já na África, quem surpreendeu foi a Líbia, que após o começo do movimento pelo fim da ditadura de Gadaffi, não perdeu nenhuma partida, mesmo sem poder jogar no país, e os jogos foram sem público, o que não quer dizer que não houve apoio aos atletas líbios. Em 2012, jogarão a primeira Copa da África com bandeira e hino pós-ditadura. Os jogadores que mais atuaram foram Samir Aboud; Abdluaziz Belraysh, Muhammad al Maghrabi, Younes Al Shibani, Ahmed al Tawerghi; Marwan Mabrouk, Djamal Mahamat, Muhammad al Sanaani, Abdulnaser Slil; Ryadh al Laafi e Ahmed Sa'ad. O país também já confirmado como sede do certame em 2017.

Assim sendo, desejamos boa sorte a essas equipes, que estão escrevendo um novo capítulo em suas vidas, não apenas futebolísticas, diga-se de passagem...

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O Chelsea de Ialomita


Por esse apelido, poucos saberam a qual clube ele cabe. Se dissermos que esse clube é o FC Unirea Voluntari Urziceni, ou simplesmente Unirea. Pelo nome poucos devem conhecer. Bem, esse clube foi campeão romeno em 2008-09 e vice na temporada seguinte, participando da Liga dos Campeões da UEFA, tendo como destaque uma vitória por 4 x 1 sobre o Rangers em Glasgow. Ficou em 3º no grupo, indo para a Copa da UEFA (atual Liga Europa), sendo eliminado pelo Liverpool, não sem engrossar o caldo.

Bem, o Unirea desapareceu. O clube estava afundado em dividas, e como na Europa as coisas são mais rigorosas, o clube não pôde manter a licença na Federação Romena. O valor da dívida é 1, 5 milhões de euros (já dissemos que não possuimos o símbolo do euro em nosso teclado), o que no mundo do futebol pode não parecer muito. Mas se levarmos em consideração que a Romênia não é um país dos ricos na Europa, uma dívida dessas ganha em proporção.

Fundado em 1955, o clube nunca obteve muito destaque, tendo como maior glória um vice campeonato da 3ª Divisão, em 1987-88. Até que em 2002, Dumitru Bucşaru, um dos homens mais ricos do país, se envolve com o time, prometendo torná-lo grande em pouco tempo. De fato, a promessa foi cumprida, pois em 6 anos, o clube saiu da 3º Divisão romena e chegou a Liga dos Campeões, tudo isso com um ótimo trabalho do técnico Dan Petrescu e do diretor de futebol Mihai Stoica, que apesar de contarem com aporte financeiro, montaram um elenco bom e barato, composto de jogadores que não aproveitados em times maiores, veteranos que ainda queriam provar algo, e estrangeiros contratados de maneira cirúrgica (o goleiro, o lituano Giedrius Arlauskis, chegou por apenas 150 mil euros, e hoje, no Rubin Kazan, seu passe está estipulado em 2 milhões). Petrescu, para incentivar os jogadores, os comparou a lobos, o que rendeu a alcunha de Lupii din Bărăgan (Lobos de Bărăgan). A ascensão foi tão meteórica que Petrescu, ex-jogador do Chelsea, apelidou o clube de Chelsea de Ialomita. O clube antes era conhecido apenas como Ialomitei.

Tudo ia bem até que o clube não conseguiu ir para Liga dos Campeões 2010-11, sendo eliminado pelo Zenit, da Rússia. Isso bastou para que Bucsaru deixasse de investir do clube, mesmo tendo ganho algo em torno de 20 milhões de euros nesse período. Sem dinheiro, os jogadores começaram a sair ou ser negociados, o que deu ainda mais lucro para o empresário, ao ponto do Unirea jogar o segundo turno da temporada 2011-12 com jogadores emprestados dos times B de Steua e Dinamo, ambos de Bucareste. Com esse elenco, o clube foi rebaixado, e Bucsaru se recusou a filiá-lo para a 2ª Divisão esse ano.

O clube não poderia jogar com a já referida dívida, mas se tivesse se filiado, estaria licenciado, ou seja, qualquer um que quissesse tocar o barco poderia fazê-lo. Mas como Bucsaru não o fez, o clube foi banido das competiçõs no país para a próxima temporada, o que quer dizer que ou esperam a punição acabar, ou montam um outro clube.

E cremos ser muito difícil a população de Urziceni reerguer o clube. Não por falta de vontade, mas Urziceni é uma cidade pequena, a menor que teve um time na fase de grupos da Liga dos Campeões, com cerca de 17 mil habitantes. O próprio prefeito afirmou que tocar o Unirea apenas com os recursos da cidade tomaria de 2 a 3 vezes o orçamento anual da cidade. E assim, uma história que começou em 1955 está no seu capítulo mais negro.

A situação do Unirea, infelizmente, não é algo incomum. Quantos clubes definham, ou pior, desaparecem, devido a interferência de pessoas inescrupulosas, que só querem tirar dinheiro do clube, não importando com o que isso acarretará no futuro. Promessas de ascensão rápida, de estar entre os grandes em pouco tempo, sim, são sedutoras, especialmente se o clube estiver numa situação dificil, e é fácil falar que os clubes devam recursar essas ofertas. Momentos desesperadores requerem atitudes desesperadas, mas será que realmente valem a pena? Seja como for, desejamos que um dia, o Unirea volte, e se for pra brihlar na 1ª Divisão e na Europa, melhor, mas se voltar apenas para representar a cidade de Urziceni no estádio Tineretului...

domingo, 2 de outubro de 2011

Uma Análise


Provavelmente, nem todos os leitores desse blog sabem quem foi Castor de Andrade. Ele foi um dirigente de futebol, mais especificamente, do Bangu, nos momentos mais áureos da equipe, que incluem o vice-campeonato no Brasileiro de 85 (ganho pelo Coritiba). Castor também se destacava por também se envolver no carnaval do Rio de Janeiro, sendo patrono da Mocidade Independente de Padre Miguel. Tudo isso sendo advogado.

Esse seria o perfil de um homem honesto, integro, que ajudou um clube a alcançar algumas glórias. "Seria". Castor era mais famoso pelas contravenções, especialmente, o jogo do bicho, que herdou de seu pai, Eusébio de Andrade, que por sua vez, aprendeu isso com a esposa, mãe de Castor, que foi introduzida no ofício por sua mãe, Euridice, avó de Castor, que depois de viúva, viu na jogatina uma chance de sustentar o lar. Como podemos ver, era o jogo do bicho era uma instituição familiar. Mas Castor elevou o nível da atividade à um patamar superior, nunca visto antes. Haviam outras acusações contra, mas a maioria não foi provada. Porém, quando alguma acusação caia sobre Castor, este não a negava, tampouco afirmava (ou confesava, dependendo do ponto de vista). Sumia por algum tempo, rezava (era fato que ele era muito religioso), e quando tudo esfriava, reaparecia. Era tido como um "contraventor romântico", pois não permitia coisas como o tráfico de drogas em seu território, e dava um suporte para a comunidade, coisa que o Estado não fazia.

Sobre o Bangu, o clube foi fundado em 1904 por membros da Fábrica Bangu. Sempre possuiu raízes operárias, tanto que o nome oficial do estádio Moça Bonita é Proletário Guilherme da Silveira. O clube tinha vencido 3 Torneios Início (1934, 50 e 55 ), 2 Cariocas da 2ª Divisão (1914 e 1918) e 1 da 1ª Divisão (1933). Mas quando a Fábrica Bangu se separou do clube, este passou por perrengues até que Eusébio de Andrade começasse a injetar dinheiro do jogo do bicho, processo esse que intesenficou com a ascensão de Castor à presidência.

Agora, vamos em duas direções; a estrutura do futebol brasileiro é extremamente defasada, pouco mudando do tempo de Castor até o presente. Dirigentes populistas, com interesses escussos, geralmente não-profissionais e apegados ao poder. Esse era o perfil de Castor? Não possuímos informações suficientes para dizê-lo, mas podemos afirmar que a estrutura na qual estava inserido é quase a mesma que a atual, com a diferença que hoje rola muito mais dinheiro. O outro ponto é que pelo menos Castor era sincero ao não negar suas atividades, coisa que muitos dirigentes hoje, tanto de clubes como de federações, não fazem. O carioca ao menos era sincero...ou cara-de-pau, bem, isso fica do ponto de vista do freguês. E ele também se importava com o clube, ao ponto de comandar treinos do clube, quando o próprio mandava o técnico ir observar os adversários. Não via o Bangu como gasto, muito pelo contrário, muitos dizem que gostava de colocar dinheiro no time, dinheiro ganho de maneira tão pouca ortodoxa, e segundo muitos, a fonte desse dinheiro era defendido de maneira ainda menos ortodoxa.

Em suma, uma análise da figura de Castor de Andrade é complicada, fica a cargo do freguês. Mas temos pelo menos uma certeza; a história de vida dele praticamente se misturou com a do Bangu, e ele é um personagem único, dos mais folcóricos do futebol brasileiro...

Caricatura feita por Ray Costa, em http://raycosta.blogspot.com/2010/05/castor-de-andrade.html